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De olho na NFL: conheça os principais jogadores que estarão na Final do College Football entre Georgia e TCU

Quentin Johnston correndo para um touchdown de 76 jardas contra Michigan Wolverines na Semifinal do College Football John W. McDonough via Getty Images

A temporada do futebol americano universitário terá seu fim nesta segunda-feira, com a final do College Football, entre Georgia Bulldogs x TCU Horned Frogs, com transmissão pela ESPN no Star+, às 21h30 (Brasília)


De um lado, o time vermelho e branco de Georgia Bulldogs, vai defender o título do torneio e pode ser a quinta equipe bicampeã consecutiva do campeonato desde 1945. Os Bulldogs estão na conferência mais poderosa do futebol americano universitário (Southeastern Conference - SEC), praticamente jogará em casa, possui a melhor defesa do campeonato e está há anos com um dos programas de recrutamento mais poderosos do universitário.

Além disso, conta com um técnico de sucesso. Kirby Smart, contratado após seus sucessos com Alabama Crimson Tide, está há anos fazendo Georgia mudar de patamar e se manter na elite do esporte.

Do outro lado, uma equipe que se esperava algo próximo de nove vitórias e algumas derrotas. Por ter um técnico novo, pensavam que TCU Horned Frogs figuraria na segunda prateleira da conferência Big 12, se preocupando com os próximos anos, sem tanto protagonismo imediato. Afinal, nos últimos quatro anos, TCU conseguiu mais derrotas do que vitórias, chegando a um recorde de 23 vitórias e 24 derrotas.

É inesperado o que Sony Dykes (técnico da equipe) está fazendo e já alcançou o maior número de vitórias em uma temporada na história do programa (13).

Juntas as equipes chegam a um recorde de 27-1, com esta derrota acontecendo no lado roxo de TCU. Mesmo assim, isto não os impediu de chegar aos playoffs e vencer o campeão de outra conferência poderosa (Big Ten), o então invicto Michigan Wolverines, do ex-técnico do San Francisco 49ers, Jim Harbaugh.

Muito se fala de uma vitória dominante que Georgia vai conseguir, por ser uma equipe mais completa e sua defesa ser algo realmente poderoso. Porém, antes destas previsões sem compromentimento com a jornada brilhante que TCU fez, vamos olhar o talento de cada time e focar nos principais jogadores que estarão neste espetáculo.

Afinal, pensando em NFL, é possível que estejam em algumas franquias daqui há alguns anos ou ainda em setembro de 2023.

TCU Horned Frogs (13-1)

Texas Christian University (TCU) Horned Frogs tem um time extremamente bem treinado e tem uma narrativa cheia de elementos para este seu grande sucesso na temporada. Um deles é este sapo psicodélico, o “HypnoToad”, que você vê acima. Essa figura foi uma apropriação deste anfíbio, do desenho Futurama, que, literalmente, hipnotizava quem o olhava para e conseguia fazer seu objetivo com esta estrategia.

Por isso, o HypnoToad foi adotado para mostrar que a energia de TCU pode mudar a qualquer instante. O roxo dos Horned Frogs toma espaço para este psicodelismo, muito barulho e fé nos momentos de maior necessidade.

Isso aconteceu contra os Baylor Bears, na temporada regular. A equipe estava perdendo e conseguiu a virada, vencendo por apenas um ponto (29 a 28), com um field goal no estouro do cronômetro.

Outro momento foi o ressurgimento da equipe na final de conferência, contra Kansas State, quando empatou a partida nos últimos minutos, após uma mudança de postura imediata no terceiro quarto, quando perdia por mais de duas posses de bola.

Não foi o bastante. Acabaram perdendo na prorrogação, mas não podemos tirar o mérito no efeito HypnoToad.

TCU é uma equipe de vontade, energia, mágica, talento e grandes jogadas. Isso leva a momentos de altos e baixos, contando com algumas situações empolgantes, que tomam conta da partida, e alguns instantes calmos até demais. Isso aconteceu algumas vezes na temporada contra Oaklahoma State, Texas, Baylor, Kansas State e, no último jogo, contra Michigan.

No Fiesta Bowl, contra o invicto Michigan Wolverines, TCU ganhava por 41 a 22 e tentou jogadas para gastar mais tempo. Sem sucesso, a situação se complicou nos minutos finais e o jogo terminou 51 a 45, para o Horned Frogs, e a consequente classificação.

A equipe é uma das melhores no ataque. Seu principal ponto é o jogo corrido. Kendre Miller (#33) é o principal running back: alto, forte, pesado (próximo dos 100 kg), tem mais de sete partidas com pelo menos 100 jardas terrestres. Acumulou 1.399 jardas e 17 touchdowns nesta temporada. E não para por aí: quando machucou, contra Michigan, Emari Demercado (#3), RB reserva, conseguiu 150 jardas.

O sistema funciona também para isso e para jogadas explosivas. Isso, junto a Max Duggan (#15) dão o diferencial da equipe. O atleta pode não ser o quarterback dos sonhos, mas tem personalidade. Ficou na segunda colocação do Prêmio Heisman, dado ao melhor jogador do universitário. Conseguiu 32 touchdowns nesta temporada, além de 3.546 jardas aéreas.

Em momentos preciosos consegue enxergar o espaço livre no campo e correr bem com a bola, além de achar alguns recebedores, como Quentin Johnston. Alto (1,94m), esguio, com braços longos e extremamente atlético, Johnston (#1) acumulou 1.066 jardas, seis touchdowns e mostrou presença em momentos decisivos, com sua segurança e verticalidade monstruosa. Mas seu maior feito é a inteligência e a percepção do jogo, troca de velocidade e por onde precisa percorrer para fazer uma jogada explosiva.

A batalha do WR contra Kalee Ringo (#5), cornerback de Georgia, será crucial para o sucesso de TCU.

A equipe que vai precisar da ajuda do HypnoToad, principalmente na defesa. Há bons talentos, mas, na média, tem alguns problemas nas marcações e pressão no quarterback. Os linebackers Dylan Horton (#98) e Dee Winters (#13) tentam conter o ataque, ajudando muito bem a própria linha defensiva, conseguindo vários tackles superando as linhas ofensivas.

Além disso, ambos são muito bons na cobertura e contam com a ajuda de Tre’Vius Hodges-Tomlinson (#1), que é um CB talentoso e provavelmente estará no primeiro ou segundo dia do NFL Draft 2023. É um dos melhores do país e será chave para conter os passes profundos que Georgia buscará.

A derrota de TCU aconteceu com Utah concentrando seu poderio no jogo defensivo e marcação homem a homem, tentando impedir jogadas explosivas e de jardas profundas, como o ataque dos Frogs funciona graças ao técnico Sony Dykes. Além disso, sofreu para conter o jogo corrido de Utah, que envolvia o quarterback e running backs.

Contra Georgia, estes dois pontos serão difíceis, já que a defesa é extremamente sólida contra o jogo corrido e tem bons marcadores na secundária. O segredo será explorar o meio do campo, rotas para fora e fazer os halfbacks receberem passes, para fugir da pressão.

Além de contar com a mágia do HypnoToad para que os não-favoritos possam surpreender os Bulldogs.


Georgia Bulldogs (14-0, campeão da SEC)

Não há como fugir da realidade. Georgia Bulldogs é o melhor time. Campeões da Southeastern Conference (SEC), até então invencíveis e atuais campeões. Além disso, a defesa é a melhor do país. São fortes, sólidos, conseguem fazer pressão e possuem muita rapidez com seus ótimos jogadores na linha defensiva, além de linebackers extremamente atléticos.

Porém, andam pecando em alguns momentos por sua passividade.

Nos últimos dois jogos os quarterbacks adversários completaram 54 pasees, de 85 tentados, e 850 jardas, além de 7 touchdowns. Um número extremamente preocupante.

Isso ocorreu devido as contusões chave que Georgia tem. Dan Jackson (S - #4) e Nolan Smith (LB - #17) estão fora e fazem parte de uma versatilidade construída ao longo da temporada, que não está de acordo e sincronia neste momento. Ambos são prospectos que as equipes da NFL observam com proximidade.

É possível que o técnico dos Bulldogs Kirby Smart consiga trazer algo diferente para este jogo, já que quase sofreu na última partida. Na semifinal, Georgia perdia por 38 a 27 no começo do último quarto e conseguiu uma virada, faltando 54 segundos de jogo, terminando 42 a 41. Ohio State teve a chance da vitória, mas o field goal não foi convertido e conseguiram chegar na Final para enfrentar TCU.

Stetson Bennett (#13), quarterback da equipe, não é um dos prospectos mais esperados para a NFL e ainda poderá ter outro ano com a universidade, mas, na última partida, conseguiu seu maior número em jardas na temporada (398), três touchdowns e foi incrível nos momentos mais cruciais da semifinal dos Playoffs.

Junto a ele, no ataque, está o running back Kenny McIntosh. Com grande habilidade na corrida e na recepção, o atleta consegue fazer grandes jogadas terrestres e aéreas. É o terceiro maior recebedor da equipe e um alívio para Bennett.

Além dele, Brock Bowers (#19) é um dos melhores tight ends do universitário e é ansiosamente esperado para a NFL, em 2024. É um atleta projetado para a primeira rodada. É extremamente atlético, sabe bloquear e ainda consegue fazer grandes recepções, em momentos cruciais. É uma segurança neste ataque.

Na incrível sólida defesa estão três principais jogadores que estarão no Draft deste ano e na primeira rodada de escolhas. Jalen Carter (DT - #88) é o tipo de jogador que TCU irá evitar, tamanha sua habilidade, força e inteligência para parar corridas ofensivas.

Jamon Dumas-Johnson (LB - #10) é o jogador que mais faz pressão nos adversários e o melhor da equipe nesta categoria. Contra Ohio State o atleta conseguiu um sack crucial na quarta descida e faz o trabalho necessário para a equipe que é sólida, mas tem poucas pressões nos quarterbacks.

Na secundária Kalee Ringo (CB) e Christopher Smith (S - #29) estão no comando. Smith é o líder e sabe se comportar entre os linebackers, no segundo nível da defesa, e ainda cobrir o fundo do campo. Ao lado de Ringo, os atletas serão responsáveis para conter as jogadas mais profundas de TCU.