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O que faz de Travis Kelce um jogador único e o coloca entre os maiores de todos os tempos da NFL

Kelce continua dominando a NFL ao lado de Patrick Mahomes


O tight end do Kansas City Chiefs Travis Kelce adicionou mais números em seu currículo de Hall da Fama durante a vitória sobre o Denver Broncos. Kelce cruzou a barreira das mil jardas pela sétima temporada seguida e se tornou o quinto tight end na história da NFL a alcançar 10.000 jardas recebidas na carreira. Foi uma semana relativamente tranquila para os padrões de Kelce, com quatro recepções e 71 jardas, mas é um sinal do domínio que o jogador de 33 anos pode ter em qualquer partida.

Sabendo que Kelce pode bater algumas marcas neste mês, refletimos sobre sua carreira e pensando que talvez não seja dado o devido crédito a ele. Você não terá muitas críticas contra ele ao falar como é o principal tight end da NFL hoje e que seu futuro tem caminho direcionado ao Hall da Fama. Ele já fez e ganhou muita coisa para isso.

Mesmo com estes fatos, talvez não seja o bastante para explicar sua carreira única. Em vários sentidos, Kelce é um tight end diferenciado, como nenhum outro na história da NFL. Poucos jogadores, em qualquer posição, conseguiram ser dominantes, principalmente pelas demandas relativas que cada posição exige. É claro que ele ainda tem muita lenha para queimar, mas o currículo de Kelce já faz dele um dos jogadores mais valiosos de sua geração.


1.000 e 10.000 jardas de Kelce

Vamos começar com estes números, principalmente por contextualizarem o quão diferente é o desempenho de Kelce como um dos melhores jogadores na posição de tight end. Mencionamos antes que Kelce se tornou o quinto membro do clube das 10.000 jardas aéreas nesta posição. Os outros jogadores neste grupo são lendas: Tony Gonzales (ex-Kansas City e Atlanta Falcons) e Shannon Sharpe (ex-Denver Broncos e Baltimore Ravens) estão no Hall da Fama. Antonio Gates (Ex-Chargers) e Jason Witten (ex-Cowboys) provavelmente estarão também quando forem elegíveis.

Estar neste clube já é impressionante o bastante, mas Kelce consegue fazer isso mais rápido, chegando a marca de 10.000 em apenas 140 jogos. Gonzalez precisou de 177, Gates 179, Witten 180 e Sharpe na partida de número 203.

Para colocar isso em outra perspectiva, nenhum dos outros tight ends do clube conseguiu chegar perto da marca no seu 140º jogo na NFL. Gates tinha 8.141 e é o único jogador a menos de 2.000 jardas aéreas da marca. Witten tinha 7.739, com Gonzalez logo atrás (7.642), enquanto Sharpe tinha 6.806. Mesmo comparando com os jogadores que estão no Hall da Fama, Kelce está muito a frente deles.

Vamos considerar a marca de 1.000 jardas apenas. Kelce conseguiu em sete temporadas consecutivas. A lista de recebedores com sete temporadas seguidas com pelo menos 1.000 jardas consistia em apenas wide receivers até Travis chegar na marca. Ele é o 11º jogador a chegar neste outro grupo.

Mesmo se não contarmos de forma consecutiva, Kelce ainda se mantém isolado. Ele tem sete temporadas com pelo menos 1.000 jardas. Nenhum outro tight end na história da NFL tem mais que quatro, marca que Gonzalez, Witten e Rob Gronkowski (ex-jogador dos Patriots e Tampa Bay Buccanneers) alcançaram. Ele está a uma temporada de pelo menos 1.000 jardas de ter o dobro que qualquer outro jogador da sua posição na história da liga.

Kelce tem a vantagem que é ter 17 jogos por temporada, o que significa bastante dado que Mike Ditka, por exemplo, jogador dos Bears, Cowboys e Eagles, nas décadas de 60 e 70, jogava em apenas 14 jogos a cada ano. Ao mesmo tempo, Kelce não precisa de todas as 16 ou 17 partidas para chegar à marca: ele a alcançou no seu 13º jogo em 2022, tendo mais quatro jogos para melhorar suas estatísticas. A última vez que ele chegou perto de não conseguir foi em 2017, quando chegou às 1.000 jardas na semana 16, antes de descansar na última partida.

E o mais impressionante é que Kelce tem 33 anos. E tight end é uma posição em que os jogadores excelentes, normalmente, não chegam aos 33 anos. Estrelas como Gronkowski, Ben Coates (ex-New England Patriots) e Todd Christensen (ex-jogador dos Raiders) estavam fora da NFL antes mesmo dos 33 anos.

Parece não ser verdade, mas prometemos que é: nenhum tight end, com 33 anos ou mais, desde que a NFL se uniu com a AFL, em 1970, conseguiu chegar à marca de 1.000 jardas mais cedo que Kelce, que alcançou este feito no domingo da semana 14. A última vez que um jogador da posição, de 33 anos ou mais, chegou a esta marca, foi Pete Retzlaff, dos Eagles, há 57 anos, em 1965. Gonzales era o único tight end que chegou às 900 jardas recebidas, nos seus 33 anos, antes de Kelce estabelecer outro recorde.


Manter-se em campo

Kelce é único entre seus contemporâneos que passaram pela NFL. Tight end é uma posição que tem muito contato físico e até mesmo os melhores jogadores da posição se machucam ou perdem um ou dois jogos em algumas temporadas. É uma surpresa gigantesca que qualquer tight end principal do time esteja em todos os jogos de uma temporada.

Kelce é uma exceção dentro de sua geração. Como calouro, teve uma microfratura no seu joelho e teve que passar por cirurgia, perdendo toda a temporada, exceto uma jogada, no time de especialistas contra os Cowboys, na semana 2. Foi algo extremamente controverso, mas, segundo a equipe, haviam preocupações se ele conseguiria colocar todo seu talento em prática.

Desde que retornou de sua cirurgia no joelho, no começo de 2014, Kelce não desapontou. Nas oito temporadas seguintes, ele perdeu exatamente um jogo por testar positivo para COVID-19 na temporada passada. O jogador, selecionado na terceira rodada de 2013, batalhou contra um problema no joelho e passou por uma cirurgia no ombro, em 2017, mas, tirando o jogo que descansou na semana 17, sempre conseguiu manter-se em campo.

Isso é bastante incomum. Considere os melhores tight ends da liga no momento: George Kittle só conseguiu jogar 14 jogos em uma temporada uma vez na carreira. Darren Waller jogou apenas 16 jogos desde o começo da temporada 2021, por conta de várias contusões. Mark Andrews, que está em uma rotação diferente, perdeu dois jogos por conta da COVID-19 e outra por contusão nesta temporada. T.J Hockenson perdeu quatro jogos como calouro e mais quatro no ano passado. Kelce perdeu sua temporada inteira como calouro, mas, desde então, tem sido muito mais presente do que qualquer outro tight end.

Historicamente, grandes tight ends sempre acham um jeito de ficar no campo. Gonzalez, ex-jogador de basquete, perdeu dois dos 272 jogos como profissional. Witten perdeu seu quinto jogo na carreira e depois jogou todos os possíveis até o final de seu 16º ano na liga. Em porcentagem, a presença de Kelce é menor, por perder a temporada de calouro, mas poucos tight ends conseguiram ter tantas presenças consecutivas como ele, o deixando sozinho, novamente, nesta marca e mostrando o quão boas estas temporadas têm sido.


Comparando com outras posições

Enquanto há medidas imperfeitas, uma maneira de considerar o quão bom um jogador é, num todo, além das posições em que estão, é entender quantas vezes foi escolhido para o time da temporada (All-Pro) e Pro Bowls em sua carreira. Depois de sua temporada de calouro perdida por causa de uma contusão, muito se duvidava do jogador, mas ele esteve no Pro Bowl nas sete temporadas seguintes. E deve ter sua oitava aparição em 2022, além de ser o mais a alcançar a posição de tight end na seleção da temporada.

O quanto isso é impressionante? Bem, Kelce empatará em participações no Pro Bowl em suas dez primeiras temporadas com Gates, Gonzalez e Witten. Ao mesmo tempo, sobre o número de All-Pros, será o seu quarto, e ele estará no grupo de tight ends que conseguiram este feito nos 10 primeiros anos, com Gonzalez, Gronkowski, Sharpe e Dave Casper (ex-jogador dos Raiders e Texans). Kelce tentará alcançar Gonzalez, que tem seis aparições no primeiro time da temporada e é o único com mais do que quatro.

Levando em consideração as temporadas 3 a 10 de cada jogador, Kelce se tornará o 31º jogador na história a ir ao Pro Bowl em oito oportunidades. Os 30 outros jogadores neste grupo também estão, em sua maioria, no Hall da Fama. 25 já chegaram, com Lawrence Taylor (ex-linha defensiva dos Giants), Barry Sanders (ex-running back dos Lions) e Jerry Rice (antigo recebedor dos 49ers e Raiders) sendo exemplos disso. Gonzalez e Joe Thomas (ex-linha ofensiva dos Browns) entrarão assim que se tornarem elegíveis. Kelce e Bobby Wagner (linebacker dos Rams) ainda jogam. Apenas um jogador desta lista de 30 é elegível para o Hall da Fama, mas não conseguiu o feito, e é o guard Walt Sweeney (ex-jogador dos Chargers e Redskins), que jogou na posição que o Hall da Fama normalmente (e de maneira completamente errada) ignora.

Vamos medir isso de outra maneira, então. Desde que se recuperou da sua cirurgia, em 2014, Kelce chegou a 10.045 jardas aéreas. O segundo tight end mais produtivo durante este período é Zach Ertz, dos Eagles e Cardinals, que teve 6.778. Ertz teve 67,5% do que Kelce conseguiu, algo que vai se distanciar mais ainda, já que ele está se recuperando de uma torção no joelho. O outro tight end acima das 5.000 jardas neste período é Gronkowski, que se aposentou anotando 6.031 jardas.

O maior acúmulo de jardas por um jogador na história da NFL pertence a Jim Brown, que liderou a liga em jardas corridas oito vezes, em um espaço de nove temporadas. Brown jogou um esporte um tanto quanto diferente e metade de sua carreira aconteceu em uma ‘era’ em que os times jogavam apenas 12 partidas, mas podemos comparar sua produção com seus contemporâneos para entender o que é tangível.

Brown conseguiu 12.312 jardas corridas entre 1957 até 1965. O único outro running back na liga com mais de 6.000 jardas, neste espaço de tempo, foi Jim Taylor, que chegou a 7.502 jardas corridas com os Packers. Taylor produziu 61% do que Jim neste período.

Não é surpresa que Brown foi mais dominante do que qualquer outro running back em sua ‘era’ como Kelce foi e é em comparação aos tight ends de sua geração. Há outros fatores que fazem esta comparação ser um pouco mais complexa do que apenas jardas no campo. O fato de que podemos desenhar esta comparação de domínio entre Jim Brown e Travis Kelce, aproximar isso em números e porcentagens, nos mostra o quão dominante Kelce tem sido neste período ininterrupto de futebol americano.

Vamos atrás de outro ‘GOAT’. Jerry Rice liderou a liga em recepções seis vezes entre 1986 e 1995, culminando na temporada de 1.848 jardas recebidas no final deste período. Isso inclui também a lendária temporada de 1987, quando conseguiu 22 recepções para touchdown, em 12 jogos, antes e depois da greve dos jogadores. Este foi o ápice de um dos maiores jogadores da história em sua posição na NFL desde a união com a AFL.

Rice gerou 14.196 jardas aéreas nesta janela de 10 anos. O segundo recebedor mais produtivo foi Henry Ellard (ex-jogador dos Rams e Redskins), que alcançou 10.462 jardas recebidas, algo próximo dos 73,7% do que Rice conseguiu. Kelce teve mais domínio diante dos tight ends (por jardas recebidas) neste período do que Rice teve durante o seu. Novamente, tem um problema aqui, porque há mais wide receivers que competem entre si do que tight ends, mas você entendeu a ideia: Kelce acaba com a competição por causa de um domínio histórico e surpreendente.


Os argumentos contra Kelce

Naturalmente, nenhum argumento é, por si, perfeito. Ainda existem alguns argumentos que podem ser feitos para sugerir que a produção de Kelce não é tão historicamente impressionante quanto parece ser, então vamos avaliá-los aqui.

Uma é a presença impressionante de um quarterback. Domingo não foi o melhor jogo de Patrick Mahomes na temporada, mas o favorito a MVP, sem dúvidas, tem sido bom para o tight end. Deixando de lado a temporada de calouro do QB, Kelce tem média de 1.052 jardas e seis touchdowns a cada 17 jogos, antes de Mahomes se tornar titular do Kansas City Chiefs. Desde 2018, quando Mahomes ascendeu ao posto, Kelce tem média de 1.374 jardas recebidas e 11 touchdowns a cada 17 jogos.

É razoável sugerir que Kelce consegue elevar seu jogo por causa de Mahomes. É claro, outros tight ends lendários na liga também tiveram quarterbacks lendários. Gronkowski passou sua carreira inteira com Tom Brady. Antonio Gates foi ajudado por Drew Brees e Philip Rivers. A maior parte do tempo de Sharpe foi com John Elway (ex-quarterback dos Broncos e atual presidente da equipe). Kellen Winslow (ex-jogador dos Chargers) com Dan Fouts (ex-quarterback da equipe também). Gonzalez e Ozzie Newsome são as exceções aqui.

Ao mesmo tempo, Mahomes esteve presente em metade da vida de Kelce. Alex Smith (ex-quarterback do Kansas City e Redskins) estava na posição de quarterback nos quatro primeiros anos de Kelce. Sua batalha, naquele momento, era contra Gronkowski, que liderava a liga em jardas recebidas e tinha um quarterback melhor na equipe dos Patriots chamado Tom Brady. Jimmy Graham, que também esteve na conversa antes de sofrer uma séria contusão em Seattle, esteve na liga com Drew Brees, Russell Wilson e Aaron Rodgers como seus quarterbacks.

Vale pontuar também que Kelce fez a vida de Mahomes mais fácil. Mesmo com Tyreek Hill nas temporadas anteriores, Mahomes tem sido menos explosivo sem seu tight end. Kelce jogou todos os jogos durante a carreira de Mahomes, exceto por um, mas os Chiefs o utilizam para estender as jogadas, torná-las mais profundas, mesmo quando estavam quase na end zone, no final do tempo regular da final da AFC na temporada passada.

O ataque fica muito menos explosivo sem Kelce. Com o TE no campo, Mahomes tem 78.0 de QBR e média de 8,2 jardas por tentativa. Nas 288 jogadas sem Kelce, o QBR de Mahomes cai para 69,7. Ele ainda tem médias de apenas 6,9 jardas por tentativa sem Kelce, que está abaixo da média da NFL. Kelce pode ir para o campo se os Chiefs quiserem ir com todos os principais jogadores perto da end zone, o que influenciaria a marca, mas a diferença enter ter Kelce e não ter nas jogadas cresce ainda mais quando ele está fora da red zone.

O outro questionamento é o bloqueio, que é parte significante do seu trabalho como tight end. Nós não tínhamos dados para compreender isso no passado, mas Kelce gosta de percorrer mais rotas do que bloqueios, algo extremamente distinto para os tight ends das outras gerações. Gronkowski e Kittle são alienígenas quando se fala em bloqueio, com Gronkowski conseguindo uma reputação de um dos melhores bloqueadores na história da NFL. Se você prefere um tight end mais móvel, com habilidades incríveis de bloqueio e grande aptidão na red zone, Gronk pode ser considerado melhor do que Kelce.

Na verdade, Kelce não é tipicamente considerado um bloqueador. Mesmo que ele não seja um dominante bloqueador de linha ofensiva, ao ponto de atacar as jogadas como Gronkowski lia e fazia, ele sabe bloquear e tem físico para isso quando o técnico Andy Reid chama uma screen e faz seus jogadores criarem jogadas com os pés.


Qual o lugar de Kelce na NFL?

No contexto em como a liga enxerga diferentes valores financeiros para cada posição, o tight end é visto como uma das menos importantes. Se você comparar jogadores de outras posições, mesmo Kelce sendo tão bom quanto é, ele ficará nas sombras de jogadores menos impactantes em posições mais significativas.

Se você está medindo como jogadores podem ser comparados a outros em suas respectivas posições, Kelce precisa ser considerado um dos melhores jogadores da liga e tem sido há um tempo. Outros jogadores que estão nesta competição nas últimas duas temporadas incluem Justin Tucker (kicker do Baltimore Ravens), Trent Williams (left tackle hoje dos 49ers), Aaron Donald (defensive tackle do Rams), Myles Garret (LOLB/DE dos Browns) e Micah Parsons em qualquer posição que ele queira jogar. Kelce, Donald e Tucker mantêm o mesmo nível há quase quatro anos.

Os bloqueios de Gronkowski têm valor inquestionável, mas com o tanto de tempo que a estrela dos Patriots e dos Buccaneers perdeu por causa das contusões, seria difícil argumentar que ele foi um tight end mais produtivo do que Kelce tem sido até hoje. Travis entrou na liga justamente na última temporada de Tony Gonzalez, uma passagem de bastão do melhor tight end de uma geração para outro.

Ele é o melhor tight end da história? Nós vamos chegar lá. Ninguém foi melhor durante suas 10 primeiras temporadas na carreira que Kelce, o que o faz chegar em Winslow e Newsome, que ou se aposentaram ou tiveram funções menores quando chegaram em suas segundas décadas na liga.

É difícil fazer comparações quando outros jogadores fizeram tudo o que equivaleria a carreiras inteiras após sua primeira década na NFL. Gonzalez e Witten jogaram 17 temporadas, aproveitaram uma espetacular longevidade, o que os fez chegar até o final dos seus 30 anos. Kelce provavelmente terá mais uma ou duas temporadas entre os melhores tight ends da liga para competir com seus números, além de tentar se tornar um dos maiores da liga.


Em algum momento Kelce vai piorar?

Não estamos aqui para diminuir o valor de Kelce. Ficando saudável, ele joga com o melhor quarterback da NFL e para o técnico mais criativo da liga. Seus instintos em achar espaços são impecáveis. Mesmo que ele não ganhe na corrida de um wide receiver em 40 jardas, vimos ele fazer Jalen Ramsey derrapar e conseguir uma recepção de 39 jardas há duas semanas.

Não surpreenderia se os Chiefs começarem a usar Kelce com mais pudor a cada ano. Suas presenças em jogadas vêm diminuindo desde 2018, quando atingiu 95%, e nesta temporada está próximo dos 80%. Tirá-lo de ‘garbage times’, guardar todo seu poderio na linha final do campo, em terceiras descidas e, lógico, nos playoffs, é uma maneira de Andy Reid estender a carreira do seu tight end.

Porque isso é o futebol americano, é sempre bom considerar o que não é provável. Kelce pode se machucar. Ele pode se aposentar junto ao irmão Jason Kelce, que pensou nisso nas últimas duas temporadas. O center dos Eagles também joga em alto nível, e eles podem se enfrentar no Super Bowl deste ano. Travis nunca demostrou interesse em se aposentar agora, mas com certeza é algo que os Chiefs já se preocupam.

Com a troca de Tyreek Hill, na temporada passada, os Chiefs estão pensando sobre o futuro do corpo de recebedores. JuJu Smith-Schuster e Mecole Hardman estarão sem contrato depois desta temporada, enquanto parece que Marquez Valdes-Scantling não está mais nos planos da equipe. Os Chiefs usaram sua escolha de segunda rodada em Skyy Moore, fizeram uma troca, com significativas escolhas de Draft, por Kadarius Toney, que jogava nos Giants, e esses parecem ser os titulares em 2023, ao lado de Kelce.

Como mencionamos na negociação de T.J. Hockenson, organizações inteligentes são aquelas que olham a posição de tight end como barganhas. Kelce figura entre os melhores wide receivers e é tão produtivo quanto. Se os Chiefs forem ao mercado dos veteranos para adicionar alguém de contrato curto, mas impactante, não seria uma surpresa que fizessem um investimento do tamanho de Valdes-Scantling, com um segundo tight end para tirar uma pressão sobre Kelce e fazer Reid utilizar outros jogadores em várias campanhas, com jogadas parecidas. Noah Gray e Jody Forson parecem contribuir muito bem nestas funções.

Se os Chiefs vão selecionar um tight end no Draft, talvez esse seja o momento certo. O gerente geral, Brett Veach, não pode contar com a certeza de ter o próximo Kelce, mas 2023 é uma classe excelente para recrutar um tight end, com Michael Mayer, de Notre Dame, liderando este grupo. Os Chiefs não usam uma escolha acima da 5ª rodada desde que selecionaram Kelce em 2013, mas talvez seja hora de escolher um em abril e dar tempo para desenvolvê-lo ao lado do astro, o preparando para uma opção de tomar conta da posição se ele, eventualmente, diminuir seu impacto no time ou se aposentar.

Até este momento, no entanto, os Chiefs vão aproveitar uma grande vantagem competitiva. Kelce usa o campo a seu favor toda semana, combinando o melhor de Reid e Mahomes para acabar com as defesas opostas. Ele está terminando uma década da maneira mais incrível, nunca antes vista, por um tight end da NFL. Sua produção vai diminuir só pela idade e é só uma questão de tempo para o considerarmos um dos melhores tight ends da história da NFL.