Packers recebem os Titans nesta quinta-feira; veja pela ESPN no Star+
Christian Watson é o substituto de Davante Adams?
Esta é uma pergunta que todos os torcedores do Green Bay Packers esperam responder com um gigante “com certeza”, de boca cheia e fé inabalável. Davante Adams, brilhante recebedor que fez dupla com Aaron Rodgers nos últimos anos, o ajudando a ser MVP da NFLnas duas últimas temporadas, faz falta na equipe e sua ausência, além de notada, é extremamente criticada – principalmente pela forma como o adeus aconteceu.
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Rodgers assinou um contrato milionário com os Packers: três anos e U$150 milhões (quase R$800 milhões). Com este impacto gigantesco na folha salarial, a equipe de Green Bay colocou Adams na Franchise Tag e pagaria apenas a média dos dez maiores salários de WR na NFL, perto de U$19 milhões (R$101 milhões). Descontente com a situação, o jogador disse que não entraria em campo e foi negociado ao Las Vegas Raiders, onde assinou por cinco anos, U$141 milhões (R$752 milhões).
Enquanto isso, em Green Bay, a temporada não era boa (não que com os Raiders o cenário fosse diferente). Mesmo com três vitórias nos quatro primeiros jogos, Rodgers já não parecia estar na mesma forma de MVP: passes eram forçados demais, com direções incomuns, além de pouco cuidado com a bola. Depois destes jogos, a equipe perdeu cinco partidas seguidas.
Na última partida, aos trancos e barrancos, Green Bay conseguiu o feito de cortar uma diferença de 14 pontos contra o Dallas Cowboys, uma das melhores defesas da liga e que até então havia perdido apenas dois jogos. Com extremo cuidado, eficiência na execução e ritmo perfeitamente combinado entre passes longos e corridas ofensivas, os Packers levaram o jogo para a prorrogação e voltaram a vencer, por 31 a 28.
Muito disso teve mão do técnico Matt LaFleur. Mas, depois das frustrações de Rodgers, visivelmente irritado com as jogadas escolhidas, a virada aconteceu graças à presença e desempenho de Christian Watson, calouro wide receiver dos Packers, selecionado na segunda rodada do último draft.
As corridas de Aaron Jones, combinadas com alguns passes, fizeram efeito. Em apenas apenas quatro recepções, Watson acumulou 107 jardas aéreas e ainda conseguiu 3 touchdowns. Sua rapidez, aliada ao tamanho e ótimas mãos para receber passes, permitiram espaçar a defesa adversária pelo campo.
Watson foi escolhido principalmente pela sua capacidade em agarrar passes. Porém, os números e desempenhos do recebedor de North Dakota State não eram bons até a última partida. Inclusive, ele mal entrava em campo e teve vários jogos com apenas uma recepção.
Segundo os analistas da NFL, o atleta teve problemas quanto à adaptação da segunda divisão do futebol americano universitário à liga, principalmente em relação à parte física e pela falta de agilidade. Diferentemente do que ocorria no universitário, a execução de rota para um wide receiver na NFL é crucial para driblar o defensor. Cada pisada profunda, movimentação corporal, equilíbrio e agilidade no um contra um é importante para deixar o rival para trás.
Watson foi draftado também pelo seu tamanho e foi uma surpresa. Contra Dallas, demonstrou como sua altura, velocidade e recepção combinadas podem fazer dele uma ameaça essencial para o jogo de Rodgers. O atleta está apenas em seu primeiro ano na liga, e se tornar um alvo que alivia a situação da equipe pode ser um ganho imediato muito bom. Afinal, com esta arma, é possível abrir espaço no campo para que outros recebedores (Allen Lazard, Robert Tonyan e Aaron Jones) recebam passes rápidos com jardas para estender as jogadas.
Se Watson será maior que Davante Adams é algo que só o tempo vai dizer, mas que esperam muito dele, isso é inegável. Por isso, o que vale é relembrar os recebedores que estiveram ao lado de Aaron Rodgers e como foram se desenvolvendo ao longo dos anos.
Davante Adams (2014 – 2021)
Os feitos de Davante Adams não são novidade para os fãs de NFL. Aaron Rodgers adora slot receivers, que geralmente são recebedores mais rápidos, que se movimentam pelo campo com agilidade e sempre confrontam linebackers ou safeties. Por que isso é especial? Porque a marcação mais pesada se torna fácil para recebedores poderem ter sucesso neste confronto.
Adams iniciou a carreira deste jeito com os Packers, mas não demorou muito para ser o principal recebedor. Depois de dois anos nesta posição, em 2016, quase alcançou 1000 jardas recebidas, com 12 touchdowns. Em 2018, teve sua primeira temporada com mais de 100 recepções (111) e 1000 jardas recebidas (1386).
Isso aconteceu mais duas vezes, em 2020 (com 115 recepções e 1374 jardas) e 2021 (aos acumular 123 e 1553 jardas). Em seu ápice, Rodgers conseguiu o prêmio de MVP nestas duas ocasiões graças ao desempenho espetacular do recebedor.
Greg Jennings (2006 – 2012)
Falar de Aaron Rodgers e não lembrar de Greg Jennings é algo quase impossível. Depois de esquentar banco por duas temporadas, enquanto Brett Favre ainda estava na equipe, Rodgers teve sua primeira temporada em 2008, e foi neste momento que Jennings deu um salto em sua carreira.
O recebedor ainda não tinha uma temporada com mais de 1000 jardas até Rodgers aparecer. Foram três temporadas seguidas ultrapassando esta marca e um Super Bowl ainda no caminho, que teve este entrosamento como o principal foco daquele ataque verde e amarelo.
O camisa 85 teve problemas de contusão e foi trocado logo ao fazer 30 anos, assim como Davante Adams.
Donald Driver (1999 – 2012)
Talvez poucos saibam, mas Donald Driver, wide receiver que jogou nos Packers na primeira década do milênio, é o líder em recepções e jardas recebidas da franquia. Foram 743 recepções, com 10.137 jardas e 61 touchdowns recebidos em quase 15 anos.
Driver foi o sustento do jogo aéreo com Brett Favre, no Green Bay da primeira década, mas ajudou Rodgers em seu começo de carreira, combinando com Greg Jennings no campo. Com o quarterback, teve duas temporadas com mais de 1000 jardas e esteve presente no time campeão do Super Bowl.
Donald ficou até os 37 anos, em 2012, com os Packers, e depois se aposentou, com honrarias, pela única equipe que jogou na NFL.
James Jones (2007 – 2013)
Talvez poucos se lembrem ou não dão o crédito necessário para James Jones, antigo wide receiver do Green Bay Packers. Talvez se lembrem do gorro de moletom que ficava para fora do capacete ou da gola alta que utilizava, mas Jones era o slot receiver do time vencedor do Super Bowl XLV e essencial por sua habilidade na recepção.
Jones foi um recebedor de segurança e que conseguia fazer as melhores jogadas possíveis na lateral do campo. Seu equilíbrio, concentração e tamanho davam um refúgio perfeito para Rodgers, que aproveitou e muito do jogador.
Com o tempo e a presença de outros recebedores que estavam se desenvolvendo, Jones foi para os Raiders em 2014 e voltou ao Green Bay em 2015, para ser o líder da equipe, em uma temporada cheia de contusões dos recebdores, antes de se aposentar.
Randall Cobb (2011 – 2018 e 2021 - hoje)
Seguindo as preferências de Rodgers por slot receivers, Cobb talvez tenha sido uma projeção do que Davante Adamas se tornaria. Chegando depois do time campeão, o baixinho começou a encantar os torcedores por sua agilidade e velocidade no meio do campo, deixando, principalmente, os linebackers e safeties para trás.
Em sua segunda temporada, Cobb teve um desempenho muito bom, mesmo entrando pouco em campo por ainda dividir o time com Donald Driver, Greg Jennings e James Jones. Foram 954 jardas acumuladas em 80 recepções. A temporada seguinte era o próximo passo, e Cobb não decepcionou, mas uma o tirou da campanha na semana 6.
Em seu retorno na temporada seguinte, Cobb chegou a ir ao Pro Bowl por ter conseguido 91 recepções e 1287 jardas. Ao lado de Jordy Nelson (que cresceu com sua ausência), perdurou por alguns anos, até buscar outras equipes que o aproveitassem mais. Não obtendo sucesso em Dallas e Houston, voltou a Green Bay e continua na equipe, mesmo não aparecendo muito.
Jordy Nelson (2008 – 2017)
Antes de Adams, Jordy Nelson foi o recebedor principal de Rodgers. Em 2011, com o declínio de Driver e Jennings, o atleta conseguiu o impressionante número de 1263 jardas aéreas em 68 recepções. Com muita competição interna, Nelson conseguiu seu espaço e teve ótimos desempenhos em 2013, 2014 e 2016.
Após juntar 1519 jardas em 98 recepções, em 2014, o atleta ficou fora da temporada de 2015 por contusão no joelho. Em sua volta, conseguiu o maior número de touchdowns em uma temporada (14), ultrapassou as 1000 jardas e teve 97 recepções.
Com a ascenção de Davante Adams, Jordy Nelson foi perdendo espaço na equipe e acabou – também - no Oakland Raiders, em 2018. Com 739 jardas e 63 recepções, o wide receiver fez sua última temporada na NFL aos 33 anos.
