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Os bastidores do divórcio que balançou a NFL: Seattle via decadência em Wilson, que se irritou com plano de Seahawks

Russell Wilson, que foi campeão pelos Seahawks, volta a Seattle nesta segunda-feira para estrear pelo Denver Broncos


Um dia histórico na NFL. Nesta segunda-feira, Russell Wilson entrará em campo em Seattle para jogar contra os Seahawks, time pelo qual foi campeão do Super Bowl, em sua estreia pelo Denver Broncos. O duelo tem transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ a partir das 21h30 (de Brasília), com equipe presente in loco no Lumen Field.

O quarterback jogou 10 temporadas por Seattle, franquia que o recrutou da Universidade de Wisconsin. Parecia que ele se aposentaria por lá. No entanto, o divórcio veio nesta temporada. E pessoas no cerne da separação – incluindo gente próxima ao jogador e membros da diretoria, comissão técnica e elenco dos Seahawks – descreveram à ESPN como a situação disfuncional causou a saída.

Wilson queria sair, acreditando que o técnico principal Pete Caroll e a organização de maneira geral estavam atrapalhando sua carreira. Por outro lado, a franquia tinha suas próprias dúvidas sobre o desempenho de Wilson com a idade se acumulando. Um perdeu a fé no outro.

A tensão entre as partes começou a crescer em 2019. Wilson era um dos candidatos ao prêmio de MVP no início da temporada, uma honraria que ele queria muito conquistar. Em uma partida contra o Atlanta Falcons, ele lançou dois touchdowns e construiu uma vantagem de 24 a 0 antes do intervalo, mas só viu seu nome ser chamado para passar a bola cinco vezes no segundo tempo.

Uma fonte contou à ESPN que Wilson ficou furioso com Pete Caroll por ter “tirado o pé do acelerador”, acreditando que a atitude custou a chance de se colocar como principal candidato ao prêmio de melhor jogador da temporada.

“Eu quero ganhar (o MVP). Obviamente, é um prêmio especial”, já disse Russell Wilson publicamente.

Um dos fatores que não ajudou o quarterback nessa missão é a estratégia de jogo dos Seahawks. Desde a sua temporada de calouro, Seattle fica em 29º de 32 times em termos de taxa de jogadas de passe. O time se coloca em 21º se o período de tempo for contado a partir de 2015, quando Wilson assinou seu primeiro megacontrato.

Em 2020, Wilson novamente começou bem a temporada, pensando no prêmio de MVP – o plano de jogo era cada vez mais voltado para os passes. Até que o ‘sonho’ acabou quando Russell entrou numa sequência de erros, cometendo 10 turnovers em quatro partidas.

“O que estamos fazendo? Tentando ganhar jogos ou tentando ganhar o MVP?”, pensou na época uma fonte de dentro da diretoria dos Seahawks.

Pete Caroll se cansou dos turnovers, cancelou a estratégia voltada aos passes e retornou ao foco no jogo terrestre. Depois de ser a equipe que mais chamou passes nas 10 primeiras rodadas, Seattle ficou em 15º nos sete jogos finais.

Com o passar do tempo e os insucessos dentro de campo, Russell Wilson ficou frustrado a ponto de tomar atitudes – como falar na imprensa.

Em uma entrevista após o Super Bowl vencido pelos Buccaneers, no início de 2021, ele criticou publicamente a proteção oferecida por sua linha ofensiva e afirmou ter menos poder de decisão sobre a formação do elenco em comparação a outros grandes quarterbacks da NFL.

De acordo com uma fonte próxima a Wilson, os Seahawks não informaram claramente ao quarterback se tinham um plano de melhorar sua linha ofensiva.

Já de acordo com fontes de dentro do elenco, as declarações públicas de Wilson irritaram alguns companheiros.

Neste ponto, alguns membros da franquia começaram a acreditar que o seu quarterback tinha passado do auge, começando sua decadência. A principal preocupação era com sua mobilidade – uma das características que fizeram dele um jogador de elite.

Ele não é mais tão móvel. Sinto que ele é um jogador em decadência”, disse uma fonte de dentro da diretoria. “Ele vai conseguir ser um verdadeiro passador de dentro do pocket no fim da sua carreira? Tendo paciência, ficando lá e soltando a bola rapidamente? Ele nunca fez isso. Não consigo dizer que ele vai.”

Wilson tinha contrato até 2023 com Seattle – ou seja, por mais duas temporadas, contando a atual. Os Seahawks já vislumbravam a necessidade de pagar uma quantia gigantesca para renovar com o quarterback, o que não combinava com um jogador em decadência.

“Essas duas coisas, um jogador em decadência e o que ele iria pedir (em valores) na próxima renovação, que seria a terceira. Não, vamos ser bons na defesa, correr para c... com a bola. Foi assim que fomos campeões, é para isso que vamos voltar”, disse uma fonte da diretoria.

O Denver Broncos, claramente, discorda da avaliação que Russell Wilson está em decadência. A equipe não só trocou duas escolhas de primeira rodada, duas escolhas de segunda rodada, uma de quinta e os jogadores Noah Fant, Drew Lock e Shelby Harris por ele. A franquia do Colorado também estendeu o contrato do quarterback até 2028, em acordo que vale 245 milhões de dólares no total (cerca de R$ 1,26 bilhão na cotação atual).

Russell Wilson está em decadência? O futuro irá dizer. E essa avaliação começa nesta segunda-feira, no primeiro Monday Night Football da temporada, com Seahawks x Broncos em Seattle. E o fã do esporte acompanha a cobertura mais que especial, direto do estádio, pela ESPN no Star+.

*Texto original do ESPN.com foi adaptado pelo ESPN.com.br