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NFL: Brady, Rodgers, Wilson e as histórias que definiram a insana offseason de 2022

Temporada 2022 da NFL se aproxima depois de várias movimentações no mercado da liga


Quando as notícias sobre a aposentadoria do quarterback Tom Brady surgiram no fim de janeiro, ninguém sabia até então o que está bastante claro agora: a NFL estava no início do que seria uma offseason repleta de mudanças. Até a história de Brady teve um final surpreendente, com o sete vezes vencedor do Super Bowl voltando atrás em sua decisão seis semanas depois para disputar sua 23ª temporada, sua terceira com o Tampa Bay Buccaneers.

Isso foi apenas um acontecimento em uma das offseason mais atraentes da NFL na memória recente. Nos últimos meses, houve uma grande movimentação de jogadores, com os melhores wide receivers do esporte e vários QBs da primeira prateleira entre aqueles que foram para equipes diferentes. Mas também houve inúmeros eventos em outras frentes.

O início da temporada regular da NFL de 2022 ainda está longe, com o atual campeão, Los Angeles Rams, recebendo o Buffalo Bills na quinta-feira, 8 de setembro. Mas com os training camps começando, vamos colocar você em dia com tudo o que precisa saber com nossa revisão anual da offseason.

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Brady (quase) se aposenta

Quando Brady anunciou sua aposentadoria durante os playoffs, ele começou assim a mensagem postada em suas redes sociais: "Isto é difícil de escrever, mas aqui vai..." Isso foi, talvez, um prenúncio do que estava por vir.

Brady se mostrou incapaz de ficar longe do jogo, revertendo sua decisão de aposentadoria ao anunciar seu retorno aos Buccaneers em março, citando "assuntos inacabados". Ele completa 45 anos no dia 3 de agosto e será o jogador mais velho da NFL nesta temporada por quase cinco anos inteiros.

Alguns jogadores realmente se aposentaram nesta offseason. Entre eles: os quarterbacks Ben Roethlisberger e Ryan Fitzpatrick, o tight end Rob Gronkowski, o running back Frank Gore, o right tackle Mitchell Schwartz, o defensive end Stephon Tuitt, o left tackle Andrew Whitworth, o safety Malcolm Jenkins e o center Alex Mack.

Payton deixa os Saints

A última vez que o New Orleans Saints buscou por treinadores, o presidente George W. Bush estava no meio de seu segundo mandato. Sean Payton conseguiu o cargo em 2006, ficou por 16 anos e levou os Saints para uma vitória no Super Bowl na temporada 2009. Mas ele saiu em janeiro, e, ao mesmo tempo que disse não se considerar aposentado, ele acrescentou que treinar não é de seu interesse neste momento.

Entre os treinadores principais ativos, apenas Sean McVay, Bill Belichick, Mike Tomlin e Andy Reid têm melhores porcentagens de vitória do que Payton (63,1%). Ele será substituído por Dennis Allen, antigo coordenador defensivo dos Saints.

Em uma liga em que a contratação de treinadores jovens com bom potencial tem estado na moda, o ciclo de contratações de 2022 correu de forma surpreendente. Cinco treinadores com bastante experiência na função foram contratados este ano, com Allen se juntando a Lovie Smith (Houston Texans), Doug Pederson (Jacksonville Jaguars), Josh McDaniels (Las Vegas Raiders) e Todd Bowles (Buccaneers). Ainda assim, a tendência de um ano de busca por treinadores experientes e ofensivos não necessariamente terminou: Kevin O'Connell (Minnesota Vikings), Brian Daboll (New York Giants), Nathaniel Hackett (Denver Broncos) e Mike McDaniel (Miami Dolphins), todos eles conseguiram empregos. Matt Eberflus, que trabalhou como coordenador defensivo dos Colts nos últimos quatro anos, foi o 10º contratado da offseason (Chicago Bears).

Flores processa a NFL

O ex-técnico dos Dolphins Brian Flores entrou com um processo contra a NFL, Dolphins, Broncos e Giants alegando discriminação racial. As acusações no processo incluem alegações de que o proprietário dos Dolphins, Stephen Ross, ofereceu incentivos para que a equipe de Flores perdesse jogos com o objetivo de melhorar a posição no draft, e que os Giants e Broncos o submeteram a entrevistas "falsas".

O ex-técnico principal do Arizona Cardinals, Steve Wilks, e o ex-assistente da liga Ray Horton se juntaram mais tarde ao processo de Flores, fazendo suas próprias reivindicações contra Cardinals e Titans, respectivamente. Por sua vez, funcionários da NFL reavaliaram a Regra Rooney, incluindo uma nova exigência de que todas as equipes contratem um assistente ofensivo de grupos minoritários para a temporada 2022, um movimento pensado para aumentar as oportunidades de avanço no futuro. Existem seis treinadores minoritários, incluindo três dos 10 contratados nesta offseason. McDaniel, Bowles e Smith se juntaram a Ron Rivera (Washington Commanders), Mike Tomlin (Pittsburgh Steelers) e Robert Saleh (New York Jets).

Rodgers decide ficar em Green Bay

Depois de sinais críticos e confusos, Aaron Rodgers acabou ficando em casa. O quarterback All-Pro do Green Bay Packers e atual MVP deu a equipes em toda liga esperanças de que ele poderia ser contratado em uma troca, considerando seu aparente descontentamento. Mas Rodgers acabou renovando com Green Bay, aparando as arestas e concordando com um negócio que pode render a ele 150 milhões de dólares durante as próximas três temporadas.

Rodgers havia previamente fechado um acordo em 2021 que não incluía a temporada de 2023, o que significa que esta teria sido sua última temporada sob o contrato anterior.

O mercado de WR virou de cabeça para baixo

O retorno de Rodgers a Green Bay não foi suficiente para manter o receiver All-Pro da equipe. Davante Adams recusou as ofertas de contrato dos Packers e, em vez disso, concordou com uma ida para os Raiders, que ofereceram um contrato de cinco anos com média de 28,5 milhões de dólares por temporada.

A mudança reuniu os colegas de faculdade, Adams e o quarterback Derek Carr, que se mantiveram próximos durante suas carreiras. Mas isso também inflacionou completamente o mercado de wide receivers. Isso rapidamente impactou outros acordos.

O Kansas City Chiefs acreditou estar no caminho certo para chegar a um acordo de uma extensão com Tyreek Hill. E do nada não estavam mais. O acordo de Adams mudou as negociações e aumentou o preço de Hill além do alcance do que Kansas City podia pagar. A equipe permitiu que ele procurasse um parceiro para troca, e Hill encontrou os Dolphins, que ofereceram um contrato de 30 milhões de dólares por temporada, um recorde. Um mês depois, o Philadelphia Eagles contratou A.J. Brown, do Tennessee Titans, no dia do draft com um acordo de quatro anos no valor de 100 milhões de dólares.

Quatro receivers (Hill, Adams, Brown e Stefon Diggs, dos Bills) assinaram contratos individuais nesta offseason no valor de mais de 95 milhões de dólares cada um, e Cooper Kupp, dos Rams, concordou com uma extensão de três anos no valor de 80 milhões de dólares, elevando o valor de seu contrato atual para cinco anos e 110 milhões de dólares - dos quais 75 milhões de dólares são garantidos. O reajuste do mercado levou a outro draft cheio de WRs. É uma tendência que vale a pena observar nos próximos anos - pelo menos cinco receivers foram selecionados na primeira rodada deste ano, o terceiro ano consecutivo.

A defesa domina o draft

Mesmo com esses cinco receivers no Dia 1, os jogadores defensivos foram escolhidos logo no início do draft de 2022. Pela primeira vez desde 1991, os cinco primeiros colocados no draft eram todos jogadores defensivos, o defensive end Travon Walker (Jaguars), o edge rusher Aidan Hutchinson (Detroit Lions), o cornerback Derek Stingley Jr. (Texans), o cornerback Sauce Gardner (Jets) e o edge rusher Kayvon Thibodeaux (Giants). Walker se tornou o quarto jogador defensivo a ser o número 1 no geral desde 2006.

Por outro lado, os quarterbacks ficaram para depois no draft deste ano. Apenas um - Kenny Pickett (Steelers, nº 20) - foi selecionado na primeira rodada. Nenhum outro QB foi selecionado até a terceira rodada, quando Desmond Ridder, Malik Willis e Matt Corral foram chamados.

Uma das principais histórias do draft: duas equipes de Nova York conseguiram duas seleções cada uma no top 10. Os Giants selecionaram Thibodeaux (quinto geral) e o offensive tackle Evan Neal (sétimo), enquanto os Jets adicionaram Gardner (quarto), o receiver Garrett Wilson (décimo) e o pass-rusher Jermaine Johnson II (26º).

Fim de uma era em Seattle

Os Broncos estavam entre as equipes com interesse em negociar por Rodgers, mas, em vez disso, fecharam um acordo com o Seattle Seahawks pelo quarterback Russell Wilson, que esteve no Pro Bowl nove vezes, no mesmo dia em que Rodgers concordou em ficar em Green Bay. No processo, os Seahawks disseram adeus a um dos maiores jogadores da história da franquia.

Em uma jogada que lembra a aquisição de Peyton Manning pelos Broncos em 2012, Denver reforçou a posição mais importante após anos de instabilidade com quarterbacks. Ele imediatamente torna os Broncos um dos favoritos na AFC. Mas será que eles podem ganhar sua própria divisão? Um detalhe aqui é a AFC West, que tem agora o nível mais alto entre QBs de todas as divisões.

A competição na divisão foi intensificada por outras contratações, tais como os Raiders, que adquiriram Adams e o pass-rusher Chandler Jones, e o Los Angeles Chargers, que conseguiu o edge rusher Khalil Mack e o cornerback J.C. Jackson.

O caso Watson, processos em andamento

Depois de ficar fora da temporada 2021 com os Texans, o quarterback Deshaun Watson foi negociado com o Cleveland Browns enquanto enfrentava 24 processos civis alegando comportamento impróprio e assédio sexual durante sessões de massagem. (a 25ª ação judicial foi abandonada). Watson recebeu um recorde de 230 milhões de dólares em dinheiro garantido de Cleveland, um acordo que espantou vários outros pretendentes.

No início deste ano, grandes júris em duas jurisdições diferentes no Texas se recusaram a acusar Watson criminalmente por conta das alegações. Watson, então, conseguiu acordos com 20 dos 24 processos civis. Os quatro processos restantes podem ir a julgamento em uma data posterior, provavelmente no ano que vem. Além disso, a própria investigação da NFL - liderada pela oficial disciplinar da NFL Sue L. Robinson, uma juíza federal aposentada – foi recentemente concluída, e uma decisão disciplinar (incluindo uma longa suspensão) é esperada em breve.

Colts trocam de QBs ... novamente

Os flertes com Watson tiveram um impacto significativo no cenário dos quarterbacks. A decisão do Atlanta Falcons, intencionalmente ou não, ajudou a esclarecer o futuro confuso do quarterback da franquia, Matt Ryan, e o incentivou a pedir para ser negociado. Os Falcons concordaram e o trocaram para o Indianapolis Colts por uma escolha de terceira rodada no draft.

Os Colts esperam que ele resolva seus próprios problemas na posição de quarterback. A contratação de Carson Wentz, em 2021, teve como objetivo parar a recente porta giratória de QBs na franquia. Em vez disso, eles voltaram ao mercado atrás de quarterback no ano seguinte.

Os Colts negociaram Wentz com os Commanders algumas semanas antes do negócio com Ryan – que se tornará o quinto quarterback diferente a começar a temporada nos Colts nas últimas cinco temporadas. Enquanto isso, a carreira do Wentz chegou a uma encruzilhada. Ele poderá ressuscitá-la em Washington?

O tempo de Mayfield em Cleveland termina

O efeito dominó continuou este mês com o fim da era Baker Mayfield em Cleveland. A escolha número 1 no draft de 2018 foi negociada dos Browns para o Carolina Panthers após quatro temporadas. O acordo de escolha condicional poderia levar a compensação a uma escolha de quarta rodada.

Curiosamente, o acordo criou uma situação única em Carolina: os Panthers agora têm a primeira e terceira escolhas de 2018 (Mayfield e Sam Darnold). Os dois prospectos, que estavam voando com suas primeiras equipes, hoje estão tentando se reerguer. Existe algum exemplo melhor de “tudo ou nada” do que draftar QBs na NFL de hoje?

A situação contratual de Lamar Jackson

Enquanto isso, a 32ª escolha do draft de 2018 está em uma das situações contratuais mais interessantes da NFL. A forma como você vê a situação contratual do quarterback Lamar Jackson, do Baltimore Ravens, provavelmente depende se você aceita a versão da equipe da história. Os Ravens dizem que estão prontos e dispostos a negociar um acordo com o QB, que está entrando na temporada final de seu contrato de novato.

No entanto, Jackson, que não tem um empresário, ainda está em seu contrato original, e propostas que chegaram fizeram de sua assinatura algo caro. Se as partes não chegarem a um acordo antes da temporada, isto pode se tornar uma distração ao longo do ano.

Em outras grandes notícias de extensão de contrato, o quarterback Kyler Murray, dos Cardinals, acabou com as especulações ao concordar com uma extensão de cinco anos de 230,5 milhões de dólares este mês. E os Rams fizeram do defensive tackle Aaron Donald o não-quarterback mais bem pago da história da liga, com um contrato que custa em média 31,6 milhões de dólares anuais e coloca em dúvida a possível aposentadoria de Donald.

Muito dinheiro na free agency

Lembra do período de free agency parado em 2021 graças a uma limitação no teto salarial por conta da pandemia? Nós também não. Os jogadores da NFL aproveitaram uma grande free agency em 2022, com equipes mostrando vontade de fazer contratos grandes.

O edge rusher Von Miller assinou um contrato de 120 milhões de dólares com os Bills. O offensive tackle Terron Armstead recebeu 75 milhões de dólares dos Dolphins. O cornerback J.C. Jackson (Chargers), o receiver Christian Kirk (Jaguars), o edge rusher Randy Gregory (Broncos) e o safety Marcus Williams (Ravens) assinaram contratos no valor de pelo menos 70 milhões de dólares cada um.

Os resultados foram misturados para os oito jogadores que receberam a franchise tag. Orlando Brown Jr., dos Chiefs, e Jessie Bates III, do Cincinnati Bengals, não assinaram suas propostas nem receberam extensões de contrato. Mike Gesicki (Dolphins) e Dalton Schultz (Cowboys) assinaram suas propostas, e os outros quatro jogadores que receberam a tag assinaram novos contratos.

Jogadores mostraram sua força

Os jogadores da NFL têm historicamente exercido menos influência do que os jogadores da NBA e da Major League Baseball. Mas vimos exemplos nesta offseason de jogadores da NFL mostrando sua influência para conseguir o que queriam.

Watson e Wilson usaram suas cláusulas anti-troca para essencialmente escolher seus novos times. Hill negociou independentemente com Jets e Dolphins antes de escolher Miami. A situação de Adams aconteceu de forma semelhante. Nem todos os jogadores da NFL têm a mesma força que estes astros. Mas aqueles que têm não hesitaram em tirar proveito.

O escândalo de Washington se aprofunda

As consequências da investigação da má conduta em ambiente de trabalho dos Commanders continuaram com o envolvimento de um comitê do Congresso. Em outubro, começou a investigação da cultura do ambiente de trabalho da equipe sob a propriedade de Daniel Snyder, incluindo alegações de importunação sexual.

O Comitê de Supervisão e Reforma determinou que Snyder conduziu uma "investigação paralela" enquanto a NFL realizava sua própria investigação interna. Até mesmo o comissário Roger Goodell foi envolvido na questão e obrigado a testemunhar perante o comitê no mês passado.

Mudança na prorrogação nos playoffs

A controvérsia com a partida divisional de janeiro entre os Chiefs e Bills levou à aprovação de uma regra que garantirá pelo menos uma posse para ambas as equipes nas prorrogações em partidas na pós-temporada.

Os Chiefs derrotaram os Bills em um dos jogos mais emocionantes dos playoffs, depois de ganhar no cara ou coroa na prorrogação e pontuar na primeira posse. O resultado provocou um debate caloroso em toda a liga. A nova regra se aplicará apenas aos jogos de playoff.

Questões não resolvidas dos Niners

A conversa envolvendo o San Francisco 49ers tem sido dominada por dois fatores: uma possível saída do quarterback Jimmy Garoppolo e a disputa de contrato com o receiver Deebo Samuel. Até agora, nenhum dos dois foi resolvido.

As expectativas eram de que os 49ers trocassem Garoppolo meses atrás, mas sua cirurgia no ombro e a movimentação intensa de QBs na liga impactaram negativamente suas possibilidades. Espera-se que San Francisco comece 2021 com Trey Lance como titular nesta temporada. Enquanto isso, Samuel quer um novo contrato e faltou aos treinos voluntários em maio e junho antes de participar do minicamp obrigatório da equipe no mês passado.

O que mais?

● Entre as suspensões de destaque em 2022 está o receiver dos Cardinals DeAndre Hopkins, que não vai jogar as primeiras seis partidas da temporada regular após violar a política de drogas da NFL. O receiver dos Falcons, Calvin Ridley, ficará de fora, no mínimo, de toda a temporada 2022 depois de ter sido suspenso por participar de apostas em jogos da NFL.

● O running back Alvin Kamara foi preso em fevereiro por acusações de crime em um incidente em um cassino de Las Vegas. A prisão continua sob análise da liga, e uma audiência está marcada para 1º de agosto.

● O Heinz Field de Pittsburgh foi rebatizado Acrisure Stadium depois que a empresa comprou os naming rights, pondo fim a um período de 20 anos do local tendo o nome de uma verdadeira entidade de Pittsburgh.

● A ex-secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice se juntou ao grupo de proprietários dos Broncos comprando uma porcentagem não revelada da franquia.

● O executivo da NFL David Highhill trabalhará em nova função: vice-presidente e gerente geral de apostas esportivas. É a primeira posição da liga dedicada exclusivamente a supervisionar os negócios da NFL no âmbito de apostas esportivas.