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NBA: Os bastidores da tentativa ousada dos Knicks de contratarem Michael Jordan nos anos 90

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'Air Jordan': quando Michael Jordan reinventou a fama da NBA e levou todo mundo a querer ser como ele (0:30)

História do crescimento da marca do ídolo dos Bulls é tratada no documentário 'Last Dance' (0:30)

MESES DEPOIS das finais da NBA 1998, Michael Jordan sentou em uma mesa gigante dentro de uma sala de conferências de Manhattan. Era o lugar onde aconteciam as negociações entre os proprietários e os jogadores da NBA. A liga estava envolvida em um locaute. A temporada estava em perigo. Mas Jordan tinha outros assuntos inacabados a serem resolvidos.

Um grupo de jogadores se reuniu com Jordan, que era um defensor do sindicato apesar de estar a semanas de anunciar uma segunda aposentadoria. Havia um microfone na frente do seis vezes campeão da NBA e outro na frente de Dave Checketts, presidente e CEO da Madison Square Garden, que estava sentado ao lado de sete proprietários e do comissário David Stern, do outro lado da mesa.

Os jogadores disseram que queriam uma parte maior da receita crescente da NBA, para a qual a fama global de Jordan era uma grande força. Os proprietários queriam regular um sistema salarial que permitisse a Jordan, por conta própria, ultrapassar o teto salarial de um time inteiro em cada uma das duas temporadas anteriores - graças à convergência de seu valor imenso e à regra ‘ Larry Bird’.

Jordan e Checketts, por confissão do próprio Checketts, nunca falaram, mas suas histórias estavam profundamente entrelaçadas. Em seu mandato na década de 1980 como executivo do Utah Jazz, Checketts havia draftado tanto John Stockton quanto Karl Malone, que haviam acabado de perder para Jordan em consecutivas finais. Enquanto dirigia os Knicks de 1991 a 2001, Checketts, e suas equipes, haviam sido eliminados pelos Chicago Bulls de Jordan quatro vezes. (O New York Knicks foi derrotados um total de cinco vezes pelos Bulls durante a era Jordan).

Agora, Jordan olhou fixamente para Checketts, enquanto as pessoas que estavam na sala se instalavam para assistir, e se inclinavam para o microfone.

"Você ainda está tentando vencer os Bulls?" perguntou Jordan. Não foi mencionada uma contratação que não ocorreu dois anos antes - Jordan para os Knicks - que nunca chegou a acontecer. Foi uma potencial negociação, se acreditarmos nos rumores, que ameaçou alterar o equilíbrio de poder da NBA em meados de 1996. Isso aconteceu numa época em que o início do aumento do poder e de negócios envolvendo jogadores coincidiu com Jordan, em seu ápice, se tornando um agente livre sem restrições pela primeira vez.

Esta é a história oral dessa negociação, as potências financeiras da NBA que fizeram dela uma possibilidade e suas repercussões. Foi um reajuste do poder absurdo que poderia ter acabado com uma dinastia e criado uma nova. Isto é, novamente, se você acreditar nos rumores.


Era 16 de junho de 1996, quando Michael Jordan estava deitado de bruços sobre o carpete do United Center. Ele agarrou uma bola de basquete em seu braço esquerdo, como se fosse um bicho de pelúcia. Ele estava chorando. Foi o primeiro título de Jordan - uma vitória de seis jogos sobre os Sonics - desde que seu pai, James, foi assassinado.

Para Jordan, de 32 anos, a temporada 1995-96 foi uma temporada de redenção. Ele liderou em média de pontos a NBA (30,4) e conquistou seu quarto MVP conquistando 72 vitórias. Indo para as finais de 1996, os Bulls haviam perdido um jogo dos playoffs, varrendo o Heat e o Magic em meio de uma série de cinco jogos despachando os Knicks.

Era o Michael Jordan dos anos de contrato.

E, nos bastidores, Chicago tinha motivos para se preocupar. Não só Jordan se tornaria free agent pela primeira vez, mas tanto o treinador Phil Jackson quanto Dennis Rodman também tinham futuros incertos com os Bulls.

No New York, após cinco anos que começaram com a chegada de Pat Riley em 1991 e chegaram ao auge com uma ida às finais da NBA de 1994, quando Jordan estava fora do campeonato, os Knicks foram preparados para jogar em torno de um Patrick Ewing de 33 anos. Derek Harper e o pivô veterano Anthony Mason, protagonista da temporada do New York, haviam jogado seus últimos jogos vestindo laranja e azul.

Na mente de Checketts, o time simplesmente não era bom o suficiente para ganhar um título.

Sam Smith, escritor do Chicago Tribune e autor de "The Jordan Rules": O verão se arrastou, Jordan era tecnicamente um free agent, mas nenhuma outra equipe além de Chicago tinha dinheiro para pagar seu salário. Não havia para onde ele pudesse ir. Então, eu fiquei sabendo do interesse dos Knicks.

Mike Wise, ex-setorista dos Knicks, New York Times: O maior desafio para eles era competir com os Bulls, tentando escalar o Mount Michael. À medida que os anos 90 progrediram, e isso se tornou a liga de Michael, você precisava de pelo menos mais um Hall of Famer para complementar seu superstar para ganhar tudo.

Smith: Os Knicks, é claro, estavam muito frustrados por perder para os Bulls constantemente. E eles perderam nas finais para os Rockets mesmo depois que Jordan [se aposentou pela primeira vez] - e o New York estava sempre tentando chegar mais longe e conquistar o campeonato.

Frank Isola, ex-escritor do NY Daily News: Checketts, [GM dos Knicks] Ernie Grunfeld, eles teriam movido céu e terra para conseguir [Jordan]. Eles estavam negociando jogadores e depois retomavam os contratos dos jogadores no último ano de contrato.

Grunfeld: Se tivéssemos conseguido isso financeiramente, teríamos largado todo o resto. Acredite em mim. Na mídia, pessoas próximas de Jordan disseram que, se ele não conseguisse o que queria do Chicago, ele iria analisar outras possibilidades.

Checketts: Assim, até o fim da temporada de 96, criamos muito espaço para o teto salarial, como resultado, houve uma tremenda expectativa no New York sobre o que poderíamos fazer com isso. Nós tínhamos um plano.


O PLANO já tinha iniciado em 8 de fevereiro de 1996, com a aproximação do fim da trade deadline da NBA. Os Knicks fizeram duas negociações em 10 dias, incluindo a saída do pivô veterano Charles Smith, que renovou com jogadores em fim de contrato e abriu um espaço de 10 milhões de dólares muito importantes para o teto.

Em 8 de março de 1996, os Knicks - estavam em 4-9 desde o intervalo All-Star - despediram Don Nelson, sucessor de Riley após 59 jogos durante a campanha de 1995-96, e designou o assistente técnico Jeff Van Gundy para orientar o time defeituoso durante o resto da temporada. Uma mudança radical era inevitável.

Isola: Checketts estava sempre pensando em grande. Os Knicks tentaram pegar Charles Barkley. Eles estavam sempre tentando desesperadamente conseguir aquela segunda superestrela. Você poderia ter tido Ewing. Teria sido uma equipe campeã.

Grunfeld: Isso era um boato, basicamente. Quero dizer, você sempre tem suas linhas telefônicas abertas, você faz ligações e descobre quem está disponível, mas eu nunca senti que o Barkley fosse uma possibilidade. E isso foi próximo ao fim de sua carreira. Acho que Patrick não recebe crédito suficiente para o grande jogador que realmente foi. [Oito] anos seguidos ele jogou [pelo menos 79 jogos], com média de 25 pontos, 12 rebotes e dois e meio, três tocos. Nossa equipe foi construída em torno de Patrick, e nós queríamos colocar as peças certas em torno dele.

Isola: Michael Jordan teria sido capaz de ser um segundo superastro se o tivessem conseguido.

Smith: [David Falk, agente de Jordan] sempre teve esta fantasia de que ele poderia puxar todos os seus jogadores para o mesmo time - seus maiores jogadores - e controlar aquele time. Seria como GM por trás dos panos. Acho que isso era um sonho de David.

Falk: A maioria de meus críticos nunca diriam que eu queria ser uma espécie de sombra para o GM dos Knicks. Você sabe o que eles diziam? As pessoas me chamavam de comissário-sombra, não um GM-sombra. Isso é um insulto. Eu nunca tive o desejo de fazer isso. [Mas] tive um sentimento muito forte em 1994 que, em 1996, iram existir free agents sem restrições [o mais cedo na carreira de um jogador que já havia acontecido sem nenhuma restrição de free agency]. As regras mudaram; os valores dos jogadores mudaram.

Grunfeld: Se você pode se tornar um free agent muito cedo - um free agent sem restrições - isso dá ao jogador um potencial muito maior.


A ONDA DE FREE AGENTS de 1996 da NBA foi a primeira de seu tipo. Wise, na época o setorista dos Knicks para o jornal Times, escreveu que era "a maior coleção de free agents da NBA". Foi, em muitos aspectos, um precursor da atenção dada a LeBron James com "The Decision" e "The Hamptons Five", o contingente atual para o recrutamento de Kevin Durant pelos Warriors.

Assim, em 1996, com um novo CBA que tornou mais fácil do que nunca ser um free agent sem restrições, o mercado foi tomado por jovens talentos. Havia Shaquille O'Neal, de 24 anos. Alonzo Mourning, de 26 anos de idade. E Juwan Howard ... Gary Payton ... Dikembe Mutombo ... Reggie Miller ... Allan Houston -- até 165 no total, muitos dos quais estavam entrando ou dentro de seus primeiros times.

Mas sem salário máximo ou uma taxa de luxo em vigor na época, a única restrição era o teto salarial. E os Bulls eram donos dos direitos de Michael Jordan's segundo a lei de Bird, o que permitiu que as equipes ultrapassassem o limite de 24,4 milhões de dólares para pagar seus próprios free agents. Em outras palavras, para o Chicago - e apenas Chicago - não havia limite para o que lhes era permitido pagar a Jordan.

Russ Granik, ex-comissário adjunto da NBA e negociador principal do CBA: [Após a temporada 1994-95 ser jogada com um acordo de "não greve e não locaute"], foi imposto um locaute [em 1995]. Ao mesmo tempo, houve uma mudança na gestão do sindicato. E o novo chefe do sindicato era um cara chamado Simon Gourdine, que costumava trabalhar para a NBA. E havia algumas pessoas que, politicamente, não achavam que ele fosse o cara certo.

Falk: Eu não acho que a liga tinha medo de Simon. Eu não acho que eles o temiam.

Jeffrey Kessler, advogado do sindicato dos jogadores da NBA: Um grupo de jogadores liderado por Patrick Ewing e Michael Jordan liderou um esforço para negar a certificação do sindicato porque eles achavam que o acordo [CBA negociava, mas ainda não assinada] era uma venda.

Falk: Se o sindicato não fosse capaz de fazer seu trabalho, o passo lógico seria negar a certificação, o que daria aos jogadores uma maior influência. O sindicato não tinha a capacidade de negociar um acordo adequado. Por isso, na verdade, pedimos aos jogadores para negar a certificação.

Granik: Buck Williams era o presidente [do sindicato]. E ele apoiou Gourdine e a estrutura existente do sindicato. E um grupo [representado] por Kessler tentou eliminar o sindicato.


O LOCAUTE DE 1995, o primeiro na história da NBA, começou em 1º de julho e terminou em 12 de setembro, quando a votação permitiu que a velha guarda do sindicato concordasse com os termos de uma nova CBA. Depois que os Bulls de Jordan ganharam o título de 1996, o acordo ainda não havia sido assinado em julho, quando os dois lados brigaram pelos últimos detalhes. Isso gerou outra breve parada - o "famoso locaute de 20 minutos", diz Kessler.

O novo acordo foi anunciado oficialmente em 11 de julho de 1996. E com isso teve início o maior período de free agency da história da NBA.

Falk: Permiti que toda a minha melhor classe se tornasse free agent em 1996. Tivemos Michael Jordan, Alonzo Mourning, Dikembe Mutombo, Juwan Howard, Kenny Anderson, Armen Gilliam, Chris Gatling. Era como um tabuleiro de xadrez.

Checketts: Os Knicks, historicamente, eram horríveis na administração do teto salarial. ... [Mas] íamos atrás de Allan Houston primeiro. Ele era nosso alvo número 1. E se Allan não assinasse com a gente, íamos atrás de Reggie Miller. Mas antes de começarmos os contatos por esses jogadores, minha primeira ligação foi para David Falk [sobre Jordan].

Isola: Esta foi a única vez que os Knicks tiveram dinheiro. Eles investiriam [em Jordan] o máximo de dinheiro que pudessem.

Checketts: Eu teria feito qualquer coisa que eu pudesse ter feito para conseguir [Jordan].

Falk: Não havia equipe na liga que pudesse oferecer uma fração do que os Bulls podiam, então o único problema ... era estabelecer um acordo confortável entre ele e o proprietário, até porque o que Jerry [Reinsdorf] se sentia confortável em pagar era algo que Michael se sentia confortável em aceitar. Não tinha nada a ver com outras equipes. Era realmente uma corrida de um cavalo.

COMO A TERCEIRA ESCOLHA 12 anos antes, Jordan havia se juntado aos Bulls, que haviam chegado aos playoffs apenas uma vez nas sete temporadas anteriores e nunca haviam passado da final da conferência em sua história. O salvador da franquia havia assinado por 6,3 milhões de dólares pelo período de seus sete anos de contrato de estreante. O teto salarial havia entrado em vigor para toda a liga pela primeira vez em 1984-85, a temporada de estreia de Jordan. Foi estabelecido em 3,6 milhões de dólares.

Magic Johnson era o jogador mais bem pago da liga na época, após negociar um contrato sem precedentes, que começou em 1984. Em junho de 1985, Patrick Ewing - o primeiro selecionado do Draft - foi levado pelos Knicks como a primeira escolha geral. Ewing era representado por Falk.

Falk: Magic assinou um terrível contrato de novato que foi por cinco anos. Depois de seu [segundo] ano, seu agente queria renegociar um acordo com Jerry Buss. [Magic era um] prodígio da NCAA, MVP [da Final]. Os Lakers foram uma das [cinco] equipes sujeitas ao limite em [1983-84 antes do resto da liga em 1984-85], então eles fizeram um acordo de 25 anos por 25 milhões de dólares.

Smith: A forma como o fizeram dentro das restrições do teto salarial, foi uma coisa inovadora. E foi uma história importante na época, porque ninguém jamais havia conseguido um contrato do mesmo tamanho.

Falk: Como um grande fã de Magic Johnson, é um crime que Magic tivesse esse contrato. Fui entrevistado pela CNN no dia seguinte e eles me perguntaram: "Você acha que este é o Armagedom do esporte? Eu disse: "Quando começar este contrato em 1984, Magic estará chorando porque ele está muito atrás no mercado". Isiah Thomas, Magic Johnson, Karl Malone, esses caras nunca receberam muito dinheiro porque sempre que viam outro jogador que eles achavam que não era tão bom quanto eles ganhando muito dinheiro, eles iam renegociar seus contratos. O contrato de Magic começou no início da temporada de 1984. Em 18 de setembro de 1985, Patrick Ewing assinou um contrato de 32 milhões de dólares por 10 anos.

COM A PRÓXIMIDADE do período de free agent de Jordan em 1996, uma história da Sports Illustrated foi publicada: "O Homem de $40 milhões de dólares ... Não importa o quão Lucrativo seja um contrato como Free Agent assinado por Michael Jordan: Ele não conseguirá o que ele vale". Essa história estimou que Jordan ganhou US$ 44 milhões em 1995 (incluindo receitas de patrocínio), apesar de um salário de basquete de 1995-96, representando apenas 9% desse número.

Ewing foi o jogador mais bem pago da liga em 1995-96 com um salário de 18,7 milhões de dólares - um pagamento de um ano que foi significativamente maior do que seu salário em qualquer outro ano de seu negócio. Ainda assim, com tantas grandes estrelas se tornando free agent, era esperado que outros salários fossem similares ou superiores ao de Ewing.

Falk: Michael Jordan é o Taj Mahal, por isso não há comparação e, nesse tipo de ambiente, embora ele seja muito valorizado, não é fácil determinar o que é justo. Jerry Reinsdorf é um dos proprietários mais inteligentes e astutos com quem já lidei no esporte profissional, mas, quando se trata de um território desconhecido, não é fácil ...

B.J. Armstrong, colega de equipe da Jordan nos Bulls de 1989-93; 1995, atualmente agente de jogadores da NBA: Qual é o verdadeiro valor de um jogador como Jordan? Acho que é contra isso que você está negociando.

Leonard Armato, agente de Shaq: Os superastros começaram a perceber que as franquias foram todas construídas em torno deles. Portanto, um jogador na NBA poderia fazer uma enorme diferença para uma franquia. Não é assim em nenhum outro esporte.

Grunfeld: Em dois ou três dias [após ganhar a loteria do Draft de 1985], os Knicks venderam 3.000 ou 4.000 ingressos para a temporada.

Van Gundy: A verdadeira elite impulsiona a vitória ao longo dos anos. Não é uma lista grande. Se você levou LeBron James, o teto salarial esmaga seu verdadeiro valor para uma franquia. E eu sei que isso é difícil de entender porque os números são exorbitantes, e qualquer pessoa ficaria feliz com esse salário. E ainda assim, se não houvesse um limite para um jogador específico, e isso é tudo que você pode gastar com sua equipe, eu imagino que talvez LeBron receba 80% disso.

Falk: Você acha que LeBron James, quando assinou com Miami, valia o mesmo que Chris Bosh? Então, por que ele conseguiu o mesmo que Chris Bosh? As regras mudaram quanto à remuneração máxima. Quando Michael Jordan assinou, eles não tinham salários muito altos. Seu valor, facilmente, poderia ter sido de 100 milhões de dólares por ano. [Jordan] me disse que ele nunca quis que eu desse a Jerry Reinsdorf ou aos Bulls uma indicação do que eu achava que seria necessário para ele assinar um novo contrato. Ele só queria saber, sem ser pressionado, o que os Bulls achavam que ele valia. E assim [quando passou a ser free agent], ele havia me dito para não fazer oferta a nenhum time. Quando os Bulls ligaram e perguntaram o que seria preciso para assinar, expliquei a Jerry Reinsdorf que Michael queria que os Bulls fizessem sua melhor oferta. E ele simplesmente diria que sim ou não. É como uma oferta selada.

Isola: Não tinha como ele não receber por tudo o que realizou, e eles ainda eram uma grande equipe. Jordan ainda era fantástico no verão de 96, então ele tinha que pagar ele. Era quase como uma taxa de prestação de serviços, mas ele ia recebê-la também por potencial. Se eles tivessem feito uma oferta baixa para Michael Jordan, o que teria sido loucura, ele poderia ter ido para os Knicks.

Falk: Reinsdorf era um cara muito inteligente e disse: "David, isso pode ser a coisa mais idiota que você já me disse. Não tem como eu fazer isso. Você está me dizendo que se eu oferecer a quantia errada, eu vou perder o maior jogador de todos os tempos, e não terei a chance de responder". Eu disse: "É assim que Michael quer lidar com isso". Ele disse: "Eu gostaria de dizer o primeiro valor do que eu acho que é um número justo e quero que você me diga [se] essa é a quantia apropriada". Eu disse: "OK, parece justo". E ele fez uma das perguntas mais famosas da história do esporte: "O primeiro dígito começa com um dois?" E houve uma pausa muito, muito, muito longa ao telefone. E eu disse: "Não, Jerry, o primeiro dígito não começa com dois". Mas sabemos que esta será uma decisão sísmica porque você está pedindo a sua equipe que pague 45% mais que o próximo jogador mais bem pago do campeonato. LeBron James fez 45% a mais do que Kobe Bryant? Nunca houve um jogador que fizesse 45% a mais do que o próximo atleta mais bem pago da liga. Reinsdorf tem que realmente absorver essa informação. Em algum momento daquela noite, enquanto ele pensava nisso, tivemos uma conversa com Checketts.

Checketts: Eu só disse: "Todo o nosso teto salarial, toda ele, pode ser seu se Michael vier".

O PROBLEMA PARA os Knicks: "Todo o limite salarial" era constituído por 9,45 milhões de dólares. Mesmo que Jordan pegasse tudo isso, ele não seria nem mesmo o jogador mais bem pago da liga. No New York, com exceção de outras fontes de renda que colocariam dezenas de milhões de dólares em sua conta bancária todo ano, Jordan continuaria a ser terrivelmente mal pago.

No final da temporada 1987-88, Jordan - terminando sua melhor temporada individual e saindo de uma lendária vitória em um concurso de enterradas - tinha reformulado seu contrato. Ele havia assinado um contrato de oito anos, no valor de 26 milhões de dólares, com um pagamento anual que começou em 2,15 milhões de dólares. Esse acordo expiraria no verão de 1996.

Falk: Em 1988, Jordan ainda tinha três anos de contrato. Não se recebe dinheiro como free agent quando não se é free agent e tem que renegociar. Seu primeiro ano foi feito por meu primeiro chefe. Foi um dos piores contratos, provavelmente, na história da liga.

Smith: [O contrato de novato de Jordan] foi o único contrato, que eu me lembro, que os Bulls já renegociaram.

Falk: Antes de Michael Jordan, não havia marketing na NBA. Naquela época, isso era inédito para um atleta de esporte coletivo, especialmente no basquete.

Armato: Nós víamos Jordan como o melhor jogador, o que ele era, e incrivelmente bem sucedido.

Wise: Michael Jordan ganha [o salário de seu contrato de 1988] em um comercial da Hanes agora.

NA TERCEIRA temporada do acordo reformulado de 1988 de Jordan - 1990-91, que Jordan fechou com seu primeiro título - a NBA iniciou contratos de televisão em massa com a NBC (quatro anos, 601 milhões de dólares) e a TNT (quatro anos, 275 milhões de dólares), quase quadruplicando sua receita combinada de TV. Como resultado, o teto salarial, que estava vinculado a essa receita, subiu para oito vezes pela primeira vez.

Isola: Sempre usada para expulsar aqueles caras. Os caras que foram draftados no início dos anos 80? Na época de 96, 97 e 98, eles não acreditavam no dinheiro que os jogadores estavam ganhando.

Falk: Quando você tem um sistema como esse em que os jogadores querem se trancar nesses contratos de longo prazo por segurança, se você é a liga, por que raios você quer mudar esse sistema?

Armstrong: A liga naquela época em particular estava crescendo. A televisão era a força motriz. Havia mais receita. E todos, a liga, os proprietários e os jogadores, estavam lutando por sua fatia da torta.

SE TIVESSE ASSINADO com os Knicks, Jordan teria sido tirado de uma famosa folha de alumínio no maior palco do esporte. Apesar de serem amigos íntimos, Jordan se sentiu feliz em prevalecer sobre os Knicks de Ewing - um reencontro anual da Broadway com o resultado do ano anterior.

A primeira rodada dos Knicks em 1991 levou o New York a contratar Riley, que por sua vez construiu um esquadrão brutal e brigador que levou Chicago a sete jogos em 1992. Depois, em 1993, os Knicks assumiram uma vantagem de 2-0 nas finais da Conferência Leste. Sua vitória no Jogo 2 veio após a bem conhecida viagem de Jordan a Atlantic City.

Os Bulls ganharam os quatro últimos jogos da série, incluindo um jogo 5 dramático no MSG conhecido simplesmente como "The Charles Smith Game", no final do qual os Knicks não conseguiram converter quatro tentativas de tomar a liderança no placar. Ele foi a representação da hierarquia da Conferência Leste nos anos 90. Os Bulls ganharam seu terceiro título mais tarde naquele mês, e Jordan se aposentou pela primeira vez antes da temporada seguinte.

Incapaz de levar o New York a conquista de um campeonato - a única mancha em seu currículo no Hall da Fama - Riley se demitiu no verão de 1995. Riley, segundo informações, recusou uma oferta de 3 milhões de dólares por ano, a mais vantajosa da época, por razões que ele disse "não ter absolutamente nada a ver com dinheiro" - mas sim com controle sobre as decisões. Checketts, por sua vez, disse na época que Riley queria a participação no controle da empresa. Haviam diferenças insolúveis, era inevitável o divórcio, e os Knicks, depois de apresentar acusações de adulteração, trocaram Riley com o Heat por uma escolha de primeira rodada e um milhão de dólares.

De qualquer forma, o cachê de Riley e o chamariz de free agents, que se tornou evidente mais tarde em Miami, foram embora com ele. Mas Nova York continuava sendo o lugar que Jordan mais gostava de jogar.

Isola: Quando ele veio para o Garden, ele tinha apenas um talento. Nós sempre brincávamos com o fato de que [Jordan] era um nova-iorquino [nascido no Brooklyn], e ele sempre queria dar um show lá.

Armstrong: Todos adoravam jogar em Nova York porque lá tem uma energia diferente. Portanto, o respeito que você tem pelos fãs nova-iorquinos, em particular, eles eram ótimos. Quer dizer, Pat Riley era o treinador principal. Tinha Patrick Ewing. Eles eram um dos melhores times do campeonato naquela época.

Van Gundy: Desde a época em que o treinador Riley chegou ao momento em que Jordan partiu, pela segunda vez, a competição entre os Bulls e os Knicks era realmente de alto nível. Agora, infelizmente para nós, em Nova York, quando Jordan jogava lá, nunca conseguimos superar o desafio.

Isola: Ele simplesmente adorava vencer os Knicks. Sempre senti que, de alguma forma, aquele cara encontraria uma maneira de vencê-lo. Você não vai vencê-lo quatro vezes.

Checketts: Ninguém tinha a mesma vontade que ele, e especialmente para jogar no Garden. ... David me prometeu uma resposta rápida.

NO LIVRO DE SPIKE LEE "Best Seat in the House" de 1997, Jordan deixou isso claro. "New York estava ali embaixo. Os Bulls - tudo que eles tinham que fazer era bagunçar”, disse Jordan no livro, dizendo a Lee em retrospectiva que havia uma chance de ele ter jogado pelos Knicks se as circunstâncias fossem certas - ou seja, se o treinador Phil Jackson fosse para o time. (Através de representantes, Jordan e Reinsdorf se recusaram a ser entrevistados para esta história. Jackson não respondeu a um pedido de entrevista). Mas não foi tão simples assim. Criar negócio para Jordan, em que sair de Chicago valesse a pena, seria uma iniciativa sem precedentes.

Smith, que escreveu o best seller do New York Times "The Jordan Rules", relatou no Chicago Tribune em 1997 - acompanhado por uma interpretação artística de uma camisa nº 23 dos Knicks - que a ITT Corporation, que era proprietária dos Knicks e hotéis Sheraton, era a fonte de uma possível operação sem precedentes. Smith disse que a ITT foi apontada como a fonte de 15 milhões de dólares para atrair Jordan, que poderia ter sido a cara de uma rede hoteleira por todo os Estados Unidos.

Esse plano, escreveu Smith, foi idealizado por David Falk.

E esse plano, de cara, teria sido uma evasão ilegal ao teto salarial, de acordo com a CBA, que proibia qualquer acordo em que "serviços de basquetebol" fossem pagos através de um "patrocinador, parceiro de negócios ou terceiro". Foi uma determinação que a NBA levava muito a sério. Considere: A NBA anulou contratos por menos, incluindo o do pivô Chris Dudley, que assinou por sete anos com o Portland Trail Blazers em 1993, porque alegou que Dudley estava contornando as regras do teto com a estrutura de seu contrato. A NBA não ganhou esse contrato. Três anos depois, em 1996, a liga anulou o contrato de 105 milhões de dólares de Juwan Howard com a Heat por uma violação de limite salarial duas semanas depois de ter sido firmado. A principal alegação da liga era que Miami teve primeiro um acordo implícito com Mourning, seu próprio free agent, e não tinha o capital para assinar Howard. Depois que a NBA, o sindicato e o Heat se enfrentaram, Howard acabou voltando para o Washington Bullets pela mesma quantia.

Mas Jordan não era Juwan Howard. Ele era o rosto mais rentável da NBA. E o New York era um dos times mais populares da liga. Com o teto salarial em mente, o pessoal dos Knicks estava pronto para apresentar a sua proposta à Falk, pessoalmente, em seu escritório em Washington, D.C., onde perguntaria sobre vários de seus free agents.

Aconteceu que, quando Checketts e Grunfeld chegaram, uma luta no dia 11 de julho entre Riddick Bowe e Andrew Golota, no Madison Square Garden, terminou com um tumulto que se espalhou do ringue para a multidão. Antes que Checketts pudesse entrar no escritório de Falk, ele recebeu uma ligação de seu assistente executivo, que estava observando o caos de uma sala do 14º andar do Garden. Ele teve que dar meia volta e pegar o avião particular de volta para Nova York e lidar com a ira do prefeito Rudy Giuliani, entre outros. A apresentação de Checketts de Jordan para o Knicks pessoalmente não aconteceu, mas Grunfeld continuou de qualquer forma.

Grunfeld: [Falk] tinha quatro ou cinco equipes alinhadas para se encontrar com ele sobre seus clientes. [A conversa] era mais sobre Juwan e alguns outros clientes. O nome de Jordan veio à tona.

Independentemente disso, tudo que a Checketts podia fazer, de acordo com as regras da liga, era oferecer a Jordan o teto salarial que ele havia conseguido. Que é o que a Checketts, até hoje, diz que ele fez - por telefone.

Checketts: Eu só lhe dei um dia para pensar [a oferta de todo o dinheiro sob o teto salarial dos Knicks]. E [Falk] voltou e disse que ele não pode tomar uma decisão tão rápido. E havia uma parte de mim que queria esperar, mas eu senti que seria um desastre se esperássemos, e então Michael não deixaria Chicago, e teríamos perdido jogadores realmente bons.

Falk: Eu não estou aqui para contradizer Dave; Dave e eu somos realmente bons amigos. ... Fui eu que lhe disse ... que precisaríamos tomar uma decisão em 24 horas porque só há uma certa quantidade de capital no sistema.

Smith: Os Bulls sabiam que ele não conseguiria ir a lugar algum. Eles sabiam que se os Knicks prometessem algum tipo de acordo, haveriam penalidades severas. Tudo o que eu tinha ouvido foi - de algumas fontes com os Bulls e algumas de fora - que os Knicks estavam tentando fazer algo. Talvez Jordan aceite um acordo de um milhão de dólares no mínimo e então - num piscar de olhos - ele recebe uma ilha em Fiji.

Checketts: David Falk nos disse para acrescentar ao que estávamos apresentando sob o teto de gastos com um belo pacote de nossa empresa matriz em termos de opções de ações, noites de quarto ou algo parecido.

Falk: Não me lembro de ter tido uma conversa sobre assinar com a ITT. ... Não me lembro de ter chegado ao ponto em que estávamos discutindo a renda auxiliar. ... Eu diria que se alguma vez chegasse um momento em que eu visse que teríamos que ter discussões sérias com os Knicks ... como alguém que provavelmente entendesse o teto salarial, assim como qualquer pessoa no mundo, eu tentaria entender que flexibilidades existiam no teto.

Checketts: Quero ser bem claro sobre isto: Nós nunca oferecemos nada parecido. Teria sido uma violação do teto salarial, e a NBA teria entrado e contabilizado qualquer valor que lhe tivéssemos dado e qualquer outra coisa [contra o teto]. E a própria empresa, a ITT, teria estado realmente sob investigação dos seus acionistas por fazer algo por uma divisão da empresa, mas tirando valor de seus acionistas no negócio hoteleiro. Então essa foi a ideia de David Falk, não foi minha e nada jamais foi oferecido.

Rand Araskog, ex-presidente e CEO da ITT Corporation: Não, nós evitamos isso de propósito. Qualquer tentativa era: É Nova York. Isso nos daria uma vantagem injusta. Na verdade, a equipe não ficaria nos hotéis Sheraton. Eles já tinham um acordo com o The Regency. Nós não fizemos nada de especial assim. David Stern era muito duro em coisas como essa. David adorava a NBA, mas não acho que ele gostasse particularmente de proprietários corporativos.

Checketts: Não houve discussões com a NBA sobre isso porque eu entendia o que o comissário e seu escritório diriam. Você tem que contar com o teto salarial. Se a controladora quiser dar algo de valor, inclusive uma estadia de uma noite no St. Regis em Nova York, estava contando como parte do teto. Eu prometo.

Granik: A liga não funcionou assim porque sempre percebemos que, se você tem regras, você tem que fazer valer para todos.

VINTE E OITO EQUIPES sempre tiveram algo em comum: nenhuma delas tinha Michael Jordan - ou alguém como ele. E Jordan tinha Falk, que ainda acredita que o dever de um representante é simples: conseguir para o seu cliente o que ele vale. Mas o valor de Jordan era astronômico, um número indefinido que desafiava até mesmo Falk, cujos clientes assinariam por mais de 400 milhões de dólares combinados no verão de 96.

Armato: Falávamos de compensação extra o tempo todo, especialmente quando se tratava de um jogador de primeira linha. Você só tem que ser capaz de mostrar que o que quer que estivesse fazendo não era especificamente relacionado a contornar o teto e o contrato. Por exemplo, Shaq tinha um acordo com o Orlando Magic, e ele também tinha um acordo com a Amway. Eles eram propriedade da co-fundadora da Amway Rich DeVos. Mas fizemos esse acordo depois que ele já havia assinado com o Magic, e ele não estava de modo algum vinculado ao seu contrato original. Na época, a Disney discutia sobre a tentativa de comprar os Lakers. Eu estava conversando com Mike Ovitz, que era o presidente da Disney na época, e ele disse: "Vamos trazer Shaq, e faremos tudo com ele". Portanto, há muito disso que estava acontecendo na forma de conversa, mas não conheço casos específicos reais onde isso realmente acabou acontecendo de uma forma que era definível.

Falk foi criativo e agressivo, então estou confiante de que ele estava tentando - ou pelo menos olhando para ele - fazer com que eles forçassem os Touros a pagar mais. Você quer usar cada peça de alavancagem que tem para obter o máximo benefício para seu cliente. Portanto, quaisquer que sejam as regras, você tenta exercitar as regras ao máximo. E se você puder dobrar um pouco as regras sem quebrá-las, a fim de beneficiar seu cliente, você fará isso. Isso acontece o tempo todo.

DEPOIS FALK DESLIGOU O TELEFONEMA com Reinsdorf, com o negócio ainda não concluído, e depois de falar com Checketts, ele falou uma segunda vez com Reinsdorf, que agora sabia o que seria necessário para manter o melhor jogador do esporte. Ele sabia que a oferta teria que começar com um "3". E foi assim que o negócio, essencialmente, foi feito; a free agency tinha começado na noite de 11 de julho, e Jordan e os Bulls concordaram com um contrato de um ano, 30,14 milhões de dólares em 12 de julho. Independentemente do fato de Reinsdorf estar ciente de algum ganho adicional em potencial que os Knicks pudessem ter sido capazes de proporcionar, Jordan conseguiu o maior contrato de uma temporada na história dos esportes de equipe americanos.

Falk: E Reinsdorf sabia que tínhamos tido uma conversa [com os Knicks]. Eu não sou uma pessoa trapaceira. Eu sou um cara muito franco. Jerry sabia que a questão não era que outra equipe iria nos empurrar. Era uma questão de simplesmente ele ter que fazer com que Michael se sentisse à vontade.

Grunfeld: Obviamente, quem não teria interesse em Jordan? Eu não sei quão perto Jordan chegou de assinar com o New York. Acho que talvez eles estivessem usando os Knicks como argumento para tentar aumentar o seu preço... e muito.

Wise: Riley me disse na última vez em que o entrevistei que seu maior arrependimento foi não colocar as pessoas certas ao redor de Patrick para conseguir um título para ele. Eles nunca conseguiram para Patrick um Hall of Famer para dividir a quadra e quando conseguiram que ele começasse a ter uma ajuda real, seu corpo começou a vacilar.

Isola: Agora é quase como uma brincadeira, estas equipes usando os Knicks como meio. A ida de Jordan ao New York teria sido uma coisa totalmente diferente.

Smith: Era Falk conduzindo muito, mas esse era seu trabalho, criar o máximo de vantagem possível para seus clientes.

Falk: Meu objetivo era colocá-lo em um nível que suportasse o teste do tempo e demonstrasse que ele era o maior jogador de todos os tempos. O fato de que levou 17 anos para alguém alcançar [Kobe Bryant superou o salário de 1996-97 de Jordan em 2013-14, quando ele ganhou 30,5 milhões de dólares, e, na época, só seguiu o salário de 1997-98 de Jordan de US$ 33,1 milhões] me fez sentir bem por termos feito um bom trabalho.

EM 1997, em um movimento aparentemente sem relação com a perda da Jordan, a ITT Corporation vendeu sua participação de 50% no Madison Square Garden Sports and Entertainment a sua sócia, a Cablevision.

E embora Jordan não tenha trocado de equipe, o verão de 1996 mudou permanentemente a história da NBA. Jordan ganhou mais dois títulos em Chicago e selou, na época, um caso irrepreensível para o melhor jogador de todos os tempos. Os Knicks assinaram Allan Houston e Chris Childs, e trocaram por Larry Johnson, em vez de dar todo o seu dinheiro para Jordan. Eles foram para as finais da NBA com esse grupo em 1999. Nesse mesmo ano, James Dolan substituiu seu pai, Charles, como presidente do MSG. Desde então, os Knicks, em busca de seu primeiro campeonato desde 1973, acumularam o maior número de derrotas na NBA.

E não é só o fato de que eles têm perdido. Antes do surpreendente desempenho desta temporada, os Knicks estavam oscilando entre disfunção e irrelevância no caminho da dissolução de tudo o que poderia ter atraído Jordan anos atrás. Talvez pegando a deixa de Jordan, os agentes de outras estrelas - notavelmente, LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh em 2010 e Kevin Durant e Kyrie Irving em 2019 - têm sido considerados como salvadores de franquias antes de ir para outros times. Depois que Durant escolheu os Nets do outro lado da cidade em free agency - a materialização da queda dos Knicks - ele disse que as crianças não olham para os Knicks como faziam antigamente. Eles não são "legais".

MAIS DO QUE QUALQUER OUTRA COISA, porém, o verão de 1996 mudou as regras, tanto literalmente como figurativamente. Criou termos entre as equipes da NBA e a mídia: teto salarial; contratos expirando; reuniões. Essas coisas existiam antes de 1996, mas não como partes necessárias dos processos de reconstrução de equipes. A CBA de 1999 acabou acrescentando uma exigência salarial máxima e um imposto de luxo, passos concretos para regular o sistema.

E foi uma semente de mudança na hierarquia da NBA, onde os jogadores com poder começaram a ter autonomia. Assim como Jordan assinou acordos de um ano em suas duas últimas temporadas em Chicago, Durant declinou a opção de jogador três vezes com o Golden State.