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NBA: Os três obstáculos que LeBron tem que vencer para conquistar o título

No início de julho, alguns dias antes de o Los Angeles Lakers embarcar para Orlando, Flórida, esperando que sua viagem se estendesse até as Finais da NBA em outubro, Jared Dudley fez um comentário presciente.

"[LeBron James] está pronto para este momento, dá para perceber", disse Dudley. "Você pode ver em sua barba que ele está pronto, ele está pronto para pintá-la. O mais rápido possível”.

Com certeza, os pelos faciais rebeldes de James foram modelados com tesouras e as manchas cinza foram pintadas de preto antes da partida de retomada dos Lakers contra o LA Clippers. Ele mais uma vez parecia o cara que estava dominando a liga antes da paralisação, embora não tenha feito chover nos jogos de classificação.

Agora, para os Lakers ser a última equipe a deixar Orlando, James tem que superar alguns obstáculos assustadores. Seu time ainda está trabalhando na química, o melhor jogador do seu lado ainda não se provou em uma série de playoff, e talvez o teste mais difícil da vida de James poderá estar aguardando sua visita nas finais do Oeste.

Só que, desta vez, James não receberá atenção extra dos torcedores que fazem fila do lado de fora dos hotéis. Sem vaias, sem gritos. Nenhuma satisfação em silenciar uma torcida rival.

"Você realmente tem que amar o basquete para estar aqui, porque não há motivação extra no que diz respeito à torcida e coisas dessa natureza", disse James sobre o ambiente da bolha. "Você realmente tem que amar o jogo, amar o seu trabalho e ser capaz de se concentrar nele, e isso é algo que eu realmente amo fazer”.

O caminho para os três títulos de James foi difícil, mas ele disse esta semana que acredita que está embarcando na pós-temporada mais difícil de sua carreira. Para superar esses obstáculos, ele precisa estar mais do que pronto, porque qualquer coisa menos do que um título significaria drama e sofrimento. -- Dave McMenamin


A delicada química dentro de quadra

Assim que os Lakers concluíram a troca para juntar Anthony Davis com James, uma pergunta persistia: os Lakers têm profundidade suficiente no elenco para vencer tudo?

É por isso que, quando Avery Bradley optou por não participar da bolha por motivos familiares - seu filho de 6 anos, Liam, tem um problema respiratório que o coloca em alto risco se ele contrair COVID-19 – a diretoria dos Lakers sabia que o conjunto de habilidades do ala veterano seria difícil de replicar.

James também. O jogador que indiscutivelmente fez mais com menos do que qualquer outra estrela ao longo de sua carreira na NBA reconhece como jogadores complementares geralmente podem inclinar a balança. Bradley é um grande marcador, muitas vezes incitando seus adversários a tomar decisões ruins.

Os Lakers sabiam que perderiam Bradley na defesa, mas, ao que parece, eles também estão sentindo falta de suas jogadas de perímetro Embora Bradley não seja de forma alguma um atirador de elite, ele foi um arremessador capaz, com média de 8,6 pontos e acertando 36,4% da linha de três pontos. Uma série de candidatos em potencial para acertar uma bola de três aqui e ali na ausência de Bradley falhou miseravelmente durante os jogos de classificação. Enquanto Rajon Rondo está de volta aos treinos com os Lakers após uma cirurgia no polegar, ele não ajudará muito ainda, e um cronograma para que ele volte a jogar ainda é incerto.

Pode ter sido demais esperar que jogadores como Dion Waiters, ou JR Smith, que estava totalmente fora do basquete, entrassem e se tornassem a diferença entre uma vitória e uma derrota.

Isso não quer dizer que, se Bradley voltasse milagrosamente (o que tem chance zero de acontecer), todos os problemas dos Lakers iriam embora. É apenas uma indicação da natureza delicada da química da equipe e como remover uma peça do quebra-cabeça coloca a responsabilidade nas mãos daqueles que podem ou não estar à altura da tarefa.

James está acostumado a carregar seus companheiros de equipe menos talentosos até a linha de chegada. Mas ele também entende o valor de jogadores complementares - como Tristan Thompson com o Cleveland Cavaliers e Mike Miller em Miami, os quais se destacaram quando mais importava.

Davis é um dos ajudantes mais talentosos que James já teve, mas a ausência de um bom jogador como Bradley deixou os Lakers mais vulneráveis do que estavam em março. -- Jackie MacMullan


A pressão está no seu companheiro

Não demorou muito para que James e Davis se tornassem a dupla passe-arremesso mais prolífica da liga. Em sua primeira temporada juntos, eles combinaram em 222 cestas, maior marca de qualquer dupla da NBA. Mas essa parceria pode subir de nível nos playoffs?

Em 2020, sabemos o que esperar de James. Sua excelência é nada menos que incrível, e ele jogará melhor jogo quando for preciso. Davis é outra história. Enquanto James jogou mais de 10.000 minutos nos playoffs, Davis ainda não atingiu os 600. James esteve em nove Finais da NBA. Davis competiu em três séries de playoffs no total, vencendo apenas uma.

Para que James alcance seus grandes objetivos neste ano, ele precisa que Davis faça algo que nunca fez antes: dominar os jogos de playoffs contra grandes times como nunca o fez antes.

"Acho que a meta é muito maior", disse Davis esta semana. "Quando você é o azarão, você ganha e ganha jogos que não deveria. Você não necessariamente tem um alvo nas costas. Mas quando você é o favorito, a pressão é maior”.

Os maiores triunfos da carreira de James sempre contaram com outros companheiros de equipe ajudando em momentos importantes. Dwyane Wade e Chris Bosh foram muito importantes em 2012. Ray Allen fez aquele arremesso em 2013. Kyrie Irving acertou uma bola incrível de 2016. Davis pode fazer algo semelhante este ano?

Ele certamente tem o talento para ser o melhor jogador em qualquer jogo nesta pós-temporada. Mas essas perguntas são justas até vermos como ele se sai na reta final de um jogo de eliminação contra um grande time.

James Harden é ridicularizado por sua falta de sucesso na pós-temporada, mas levou o Golden State Warriors ao limite em 2018. Kyle Lowry estava condenado por seus desaparecimentos nos playoffs até que toda a sua experiência o ajudou a levar o Toronto Raptors a um título surpresa na temporada passada. Simplesmente não existe a mesma linha de base para Davis nesses momentos ainda.

E a lista tem pouco espaço para erros. Se as equipes estão focadas em James e não ameaçadas pelos outros caras, isso significa que todos os olhos estarão em Davis, que deve explorar as fraquezas do adversário. Com James precisando de mais ajuda do que nunca, será necessário um desempenho dominante de maneira constante da parte de Davis para que os Lakers superem seus obstáculos. -- Kirk Goldsberry


Os “vilões” desta história

No último mês de uma pós-temporada esgotante de 2014, dois defensores escolheram a tarefa de marcar James como sua missão principal: Paul George com o Indiana Pacers nas finais da Conferência Leste, e Kawhi Leonard, do San Antonio Spurs, nas Finais da NBA.

Poucos marcadores já conseguiram parar James, especialmente quando ele tinha 29 anos e estava no auge de seus poderes, mas ele não teve uma vida fácil em nenhum dos confrontos. O Heat de James fez 92,6 pontos a cada 100 posses quando George encontrou James no meio da quadra. Foram 97,0 pontos a cada 100 posses contra Leonard, de acordo com o Second Spectrum.

Se James vai chegar à sua décima final, ele terá que passar pelo Portland Trail Blazers, um dos melhores times a se classificar em oitavo da história recente da NBA. Depois, James terá que superar o Houston Rockets de Harden ou o Oklahoma City Thunder de Chris Paul nas semifinais. Não será fácil, mas vai parecer fácil em comparação com o que James encontrará se os Lakers enfrentarem os Clippers na final do Oeste.

Qualquer time que espera derrotar James deve ter alguém para marcá-lo. Cada um dos que citamos está no auge, mais ou menos a mesma idade que James tinha em 2014, enquanto James estaria a três meses do seu 36° aniversário. James é o astro mais “duradouro” da história da NBA, mas ele nunca enfrentou um time como os Clippers dentro de sua própria conferência.

George é um defensor comprido. Com o passar dos anos, seu sentimento pelo jogo aumentou seu senso de expectativa. Enquanto isso, Leonard é o melhor defensor de sua geração, tornando os adversários visivelmente desconfortáveis no um contra um.

Nos últimos anos, James demonstrou que, com um pouco de descanso, ele ainda pode ser a força mais dominante na NBA. Quando ele derrotou o favorito Golden State Warriors nas Finais da NBA de 2016, ele jogou apenas 21 jogos em 63 dias. Após ter ficado seis meses descansando por não ter se classificado para os playoffs pela primeira vez desde 2005, James voltou rejuvenescido.

Isso é bom para LeBron James: um confronto final com Leonard, George e possivelmente o time mais forte que ele já enfrentou na pós-temporada exigirá cada gota de energia e astúcia. Durante anos, jogadores mais experientes estiveram em seu caminho para o título. Agora, ele é aquele cara. -- Kevin Arnovitz