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NBA: Carmelo Anthony, dos Blazers, explica como quer usar a sua plataforma no combate ao racismo

Carmelo Anthony está se adaptando bem à vida na bolha da NBA. Segundo o ala do Portland Trail Blazers, se adaptar não é novidade para ele.

“Cara, como eu sempre digo, nós [negros] nos adaptamos. Temos nos adaptado toda a nossa vida ”, Anthony disse ao The Undefeated após o treino nesta semana. "Como homem negro e parte do povo negro, estamos nos adaptando, então isso não é novidade para nós".

Em uma sessão de perguntas e respostas, Anthony discutiu o retorno ao basquete durante a pandemia (os Blazers estão lutando pela vaga final nos playoffs no Oeste), como ele está usando sua plataforma para falar sobre justiça social e por quanto tempo ainda teremos Melo na NBA.


O que você fez com a sua plataforma para tratar do problema da justiça social nos últimos meses que significa muito para você?

O meu objetivo é garantir que as pessoas se sintam confortáveis em falar sobre qualquer coisa que se sintam desconfortáveis e responsabilizem as pessoas por não incentivarem essas conversas.

Eu estou pendurando as luvas. O que você quiser falar, vamos falar sobre isso. Eu estou assim, e foi o que eu fiz com a minha plataforma, que é ter essas conversas com as pessoas. Além disso, eu quero educar as pessoas. Não fomos educados [sobre algumas questões] e agora estamos começando a querer ser educados.

Com a pandemia e com as questões raciais atuais nos Estados Unidos, como é estar na bolha da NBA para você?

No começo, era tipo, 'Cara, preciso de garantias’. Eu tinha a mesma preocupação que todo mundo. Mas então, o assunto passou a ser apenas basquete, tipo, tudo bem, legal’. Mas se não quisermos jogar, não vamos jogar. Se todos quisermos jogar, então vamos jogar. Não vamos criar essa área cinzenta.

Depois que passei disso, só o basquete importava para mim, porque eu sabia onde estava. Eu sabia onde estava fisicamente, mentalmente.

O que te fez sentir seguro na bolha?

Nada é seguro, mas nós podemos evitar as coisas. Estamos fazendo o nosso melhor para evitar. De novo, o desconhecido é o que está matando todo mundo. O desconhecido, digo, ‘O que vai acontecer? O que vamos fazer? Como vamos ficar? ‘. E a família faz parte disso, mas não acho que era a maior parte, não. Era um problema, mas não o maior.

Você está confiante de que, nos próximos meses, os jogadores vão usar essa plataforma que estão tendo para tratar dos problemas de justiça social?

Honestamente, acho que algo vai acontecer. Pode ser os caras usando suas vozes, suas plataformas, o que seja. Quanto ao grupo, não sei. Sinceramente, não posso te dar uma resposta. Não sei, como coletivo, do que todo mundo está falando. ...

Todo mundo tem sua própria individualidade com as coisas que gostam. Um tópico que eles querem discutir ou querem abordar. Então, acho que você não vai ver todo mundo de acordo tentando entender isso. E não quero tentar descobrir isso juntos. Se você não gosta da mesma coisa que eu, sua mensagem não será autêntica. Quero encontrar um grupo de pessoas para conversar sobre as coisas. E se você faz parte desse grupo, legal. Se você gosta de votar, vamos reunir esse grupo. Se você quer uma reforma do sistema carcerário, vamos reunir esse grupo.

Qual foi a sua primeira reação ao ver o vídeo do George Floyd sendo assassinado por um policial de Minneapolis?

Eu estava em Portland com a família. Me lembro de assistir ao vídeo, mas não consegui assistir até o fim. Minha esposa disse que eu precisava ver até o fim. Naquela altura, você ouve coisas. Muitas coisas estavam acontecendo naquele ponto. Eu pensei, ‘Cara, mais um? Mais alguma coisa aconteceu? Que droga. Mais um?’ E foi tudo que eu escutei. Mas quando eu finalmente assisti, eu tive a mesma sensação que tive quando vi o vídeo de Freddie Gray, e esse aconteceu perto de casa. Eu tive a mesma sensação quando assisti ao vídeo, ‘Chega. É hora de irmos. É hora de mudarmos algo. Chegou a hora de sermos ouvidos’.

Qual mensagem você vai ter na sua camisa?

Vou colocar duas. ‘Paz’ e ‘Liberdade’. Eu queria ter feito algo a mais, colocar outra coisa lá, mas isso tem representação para mim. Vou conseguir dizer por que tenho ‘Paz’ na parte de trás da minha camisa.

Por que ‘Paz’ e ‘Liberdade’?

Liberdade, em geral, é o começo e o fim de tudo. É o que queremos. É o que realmente queremos. Estamos lutando por isso há tantos anos. Vamos continuar a lutar por liberdade. Então, temos que continuar transmitindo essa mensagem.

Eu ia jogar com ‘Paz’ e o meu número (00). A razão pela qual escolhi esse número foi porque é meio que um número infinito. A mensagem seria, ‘Queremos paz para sempre ou nada mais’. É tudo ou nada para todos nós agora. Vamos encontrar uma maneira de conseguir [paz]. Também queremos liberdade infinita ou nada. Vamos continuar lutando por isso.

Você queria que seu pai, Carmelo Iriarte, pudesse estar aqui para ver isso? (Iriarte, que morreu de câncer quando Carmelo tinha dois anos, era membro dos ‘Young Lords’, que lutava pela justiça social nos Estados Unidos nos anos 60 e 70.)

Eu gostaria que ele estivesse aqui porque ele era isso. Eu dou risada e brinco com o meu irmão. Nós conversamos sobre isso. Ele me diz, ‘Cara, você é igualzinho ao papai. Você não sabe, mas está fazendo as mesmas coisas que ele fazia. Você está lutando pela liberdade, como ele fazia’. Eu gosto de ouvir isso. É como uma bênção para mim.

Quanto você sabe sobre as lutas de seu pai pela justiça social?

Eu sei de tudo agora porque estava buscando a minha própria história, e fui atrás de quem ele era e de onde ele tinha vindo, o que aconteceu com ele, e agora o que aconteceu aqui...

Ele foi revolucionário. Ele lutou por Porto Rico. Ele lutou por suas pessoas. Ele era um Young Lord. Ele fazia parte daquela organização. Para as pessoas que não sabem o que os Young Lords eram, eles eram basicamente a versão de Porto Rico dos Black Panthers. Eles estavam lutando sua própria luta no meio de uma luta muito maior.

Quando você se tornou confiante a ponto de usar a sua plataforma?

Eu tive que me ensinar a fazer isso. Eu tive que chegar ao ponto de conseguir falar sobre esses tópicos. Eu não gosto de falar sobre coisas que não entendo. No começo, voltando para o George Floyd, eu não sabia de nada sobre isso. E então eu vi o vídeo. Eu já entrei de cara e comecei a falar. Mas foi tipo, ‘Preciso ver o que aconteceu antes’. Quando eu comecei a adquirir informação, pessoas de Minnesota me davam informações. Eu tinha pessoas lá que estavam me contando o que estava acontecendo. Agora eu posso falar do meu ponto de vista, que foi ajudado por uma pessoa que está vivendo aquilo.

Quanto barulho os Blazers podem fazer na corrida pelos playoffs?

Nós sabemos o quanto estamos trabalhando. Eu tenho certeza de que os outros times também estão, mas nós temos um pensamento diferente porque estamos em uma situação única: ninguém acredita em nós.

Seus companheiros de time estão te chamando de ‘Skinny Melo’ após sua chegada em Orlando em ótima forma. Como você se sente?

Eu me sinto incrível. Totalmente.

Essa é a sua 16ª temporada na NBA e você tem 36 anos de idade. Você já tem alguma ideia de quanto tempo mais quer jogar?

M***, eu não sei. Só tenho que passar por essa m*** antes.