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Curtição, ultimato por pizza e barrando próprio segurança: a louca passagem de Allen Iverson pelo Brasil

No meio de 1997, um fenômeno do Philadelphia 76ers desembarcou no Brasil e causou um furor entre os fãs de basquete. Com apenas 21 anos, Allen Iverson tinha acabado de ser eleito o calouro do ano da NBA – depois de ter sido a escolha número 1 do draft do ano anterior – e trouxe uma revolução em termos de comportamento, jeito de jogar e se vestir.

Um dos principais-garoto propaganda da Reebok, o jogador participou de entrevistas, curtiu bastante a noite paulistana e ainda bateu bola com alguns jovens.

O astro em ascensão ficou hospedado junto com uma entourage com cerca de nove pessoas – incluindo mãe, agente e amigos - no Maksoud Plaza, um dos melhores hotéis de São Paulo à época.

“Ele era um jovem inquieto, com muito dinheiro no bolso e que queria aproveitar a vida. A gente ia jantar em lugares bacanas pagos pela agência, e depois ele gostava de sair à noite todos os dias com os amigos. Ele queria se divertir”, disse Eduardo Agra, que foi intérprete de Iverson em São Paulo.

O comentarista da ESPN tinha como missão acompanhar o jogador, que seria eleito MVP da temporada em 2001, em todos os compromissos acertados pela patrocinadora.

“Depois dos jantares, o Iverson queria que eu saísse com ele, mas eu era casado e tinha um filho pequeno. Não tinha como!”, explicou Agra.

Sem pizza, sem entrevista!

Em uma tarde, Iverson foi participar do Programa Livre, apresentado por Serginho Groissmann no SBT. A mãe de jogador, porém, queria de todas as formas comer Pizza Hut.

“O problema é que o Pizza Hut que ficava mais perto do SBT era bem longe e não ia dar tempo de voltarmos a tempo do programa. A mãe do Iverson era a religião dele, se não tivesse a pizza ele não ia entrar para dar entrevista (risos). Dai, conseguimos enganar com um lanche com batata frita na lanchonete do SBT e deu tudo certo no final”, contou o aliviado Agra.

Foto com futuros jogadores

Jogador das categorias de base do Palmeiras, que à época era patrocinado pela Reebok, Douglas Ninja deu um jeito de ir junto com outros amigos para a concorrida coletiva de Iverson no hotel Maksoud.

“Assim que acabou a entrevista, ele passou na nossa frente e os seguranças nos empurraram pra sairmos de perto dele. E eu falei em inglês: ‘Allen Iverson, a gente é jogador de basquete aqui do Brasil. Será que a gente pode tirar uma foto?’”, recordou.

“Assim que eu falei isso, ele parou na hora e tirou os seguranças do caminho. O Iverson veio com todo amor e carinho, fez a gente se sentir tão especial e parou pra tirar fotos com a gente. Aquilo me marcou de uma maneira que mostra pra você ver quem era o Allen Iverson”, elogiou.

O brasileiro se surpreendeu com o jeito e o estilo marcante do astro da NBA.

“Foi a primeira vez que eu via alguém de tranças. Na época a gente só conhecia gente com corrente de ouro e ele veio com aquele correntão de platina gigantesco, aquela roupona larga. Ele não tinha nenhuma tatuagem, um cara super meigo, tranquilo. Aquilo era um choque”.

Clinica? Eu quero jogar!

Iverson tinha como uma das programações agendadas fazer uma clínica de baquete no clube Paulistano por volta das 10h. O problema é que o astro não estava com vontade de dar uma de técnico e ensinar como fazer bandeja ou acertar lances livres.

“O Iverson me disse: ‘Ed, eu quero jogar’. Ele pediu para o DJ tocar umas músicas e resolveu fazer um rachão com a molecada, que ficou muito feliz”, contou Agra.

“Ele jogou sem qualquer tipo de atadura ou proteção, mas divertiu muito. Ele jogou sério e fez cada jogada incrível! A energia que ele tinha dentro da quadra era impressionante”, explicou Agra. Além disso, o astro tirou a camisa vermelha que vestia dos Sixers e deu de presente para o jovem jogador Lucas Costa. O astro também bateu bola no clube Sírio-Libanês e no Paineiras.

Surpresa com São Paulo

Iverson ficou surpreso com o tamanho - e os problemas - de São Paulo.

“Ele achava o trânsito um absurdo, mas achou as pessoas educadas e simpáticas. Ele me perguntava muito sobre do Rio de Janeiro, as praias, as meninas e o Carnaval. Eu disse: ‘Olha, Allen, não vai ter Carnaval porque estamos em junho!’”, contou Agra.

Nos dias que conviveu com Iverson, o comentarista da ESPN conseguiu ver um lado bem diferente do astro da NBA.

“As coisas tinham acontecido muito rápido na vida dele, foi uma ascensão gigante. O Iverson me disse em uma conversa: ‘Às vezes, Ed, não acredito que estou jogando no mesmo time do Doctor J’. Ele era um rapaz muito inteligente”, elogiou.

“O Iverson foi muito educado comigo, mas não estava afim de algumas programações que fizeram para ele no Brasil. Os amigos eram mais marrentos do que ele! Foi uma experiência bacana e na época eu não tinha ideia de que ele iria ficar tão grande”, finalizou Agra.