James Goldstein, membro ativo do mercado imobiliário de Los Angeles, dono de uma riqueza calculada em torno dos 300 milhões de dólares e proprietário de uma das casas mais conhecidas de Los Angeles é famoso, acima de tudo, por ser o ‘superfã’ da NBA.
Nascido em Milwaukee, Wisconsin, fundou a base de sua relação com o basquete com apenas cinco anos, quando seus pais colocaram uma cesta na entrada da garagem de sua casa. A partir desse momento, a história de amor entre o pequeno James e a bola laranja só aumentaria com o passar do tempo.
Mas afinal, quem é James Goldstein?
Carreira e fortuna
Além do basquete, outra paixão de Goldstein são os números. Desde sempre destaque nas disciplinas das ciências exatas, uniu o útil ao agradável quando passou a trabalhar como estatístico para uma das televisões que transmitiam os jogos do então Milwaukee Hawks com apenas 15 anos.
Aos 18, saiu do frio de Wisconsin para o calor da Califórnia cursar matemática e física na Stanford University. Depois de algum tempo, percebeu que não gostaria de tornar-se um engenheiro ou cientista e então migrou para o curso de economia e finanças da UCLA.
Já no mercado financeiro, passou a trabalhar numa imobiliária e então começou seus próprios investimentos em imóveis e outros negócios – que nunca revela quais foram – até transformar seu suor na atual fortuna de 300 milhões de dólares.
Segundo James, seu objetivo nunca foi alcançar a riqueza, mas sim a liberdade.
Mansão
Localizada em Beverly Crest, bairro próximo ao famoso Beverly Hills, a mansão de James Goldstein é uma das mais conhecidas e renomadas de todo Estados Unidos. Construída pelo célebre arquiteto John Lautner entre 1961 e 1963 para a família Sheats, foi comprada pelo superfã da NBA em 1972.
Assim que adquiriu a mansão, chamou de volta o arquiteto para reformá-la e deixar ao seu gosto. Os dois protagonizaram diversas reformar e trabalharam juntos por diversos anos até Lautner morrer, em 1994.
A procura de Goldstein pela casa veio por um motivo bizarro. Sempre solteiro, o milionário considera que o maior amor da sua vida foi Natasha, uma cachorra de estimação, e ele queria um lugar para que o animal se sentisse livre para poder correr e brincar.
James afirma que a casa ainda está em construção e seus amigos mais próximos sempre ressaltam que ele não tem medo de derrubar uma parede que acabou de ser construída se o intuito for aprimorar a arquitetura da mansão.
O basquete entra também na arquitetura da casa com a ‘sala NBA’, onde assiste todos os jogos que quiser dentro do conforto de um sofá ou sua poltrona, o que preferir no dia.
Ao entrar na sala, você não perceberá um lugar onde assistir aos jogos, mas é sempre com uma surpresa que James revela seus segredos.
Uma das obras do artista plástico Edward Ruscha acaba perdendo seu espaço de prestígio quando James aperta um botão e uma tela para projetor sai do teto daquele andar.
Ali, Goldstein assiste jogos da NBA praticamente todos os dias. Quando não há jogos no Staples Center, a maratona começa no fim da tarde e vai até a última bola laranja parar de subir ao redor do país. Quando vai acompanhar Lakers ou Clippers in loco, usa a sala para ‘se aquecer’ antes de chegar ao ginásio.
Porém o foco agora é a casa e suas surpresas. A NBA já já terá seu devido espaço.
Um dos maiores exemplo de arquitetura orgânica, a mansão Sheats-Goldstein já recebeu diversos convidados e hoje, além de ser exaltada como casa, também é conhecida por sua balada
Isso mesmo. Um clube noturno dentro de casa.
Club James
James frequenta clubes e baladas desde os 21 anos, quando completou a maioridade e passou a aproveitar os prazeres da vida noturna californiana. O próprio admite que, apesar dos 80 anos, não baixou o ritmo e então percebeu que poderia fazer algo diferente para entreter seus convidados.
Na parte externa do terreno da mansão, James possui uma quadra de tênis, duas piscinas em construção, sala de reunião com diversos CD’s e um clube noturno. Frequentador de diversas festas na Europa, James diz que se inspirou um pouco em cada experiência que teve para criar seu clube. A referência europeia é notada logo nos primeiros detalhes: diferentemente das baladas americanas, que costumam terminar mais cedo, as festas no Club James vão até o nascer do Sol, por volta das 5 horas da manhã.
Outra diferença para as baladas dos EUA é a pouca presença de assentos. Golstein diz que eles acabam ‘estragando’ o espírito da festa porque as pessoas ficam pensando mais em conversar e descansar as pernas ao invés de dançar e conhecer novos amigos.
O Club James, inclusive, foi o local selecionado para a festa de 27 anos da estrela do POP, Rihanna.
Mas não é só a vida noturna que agita o Club James. Um dos grandes sonhos de Goldstein era ter uma quadra de tênis para se exercitar e se divertir com seus convidados.
Construída na parte de cima da residência, a quadra recebeu o apelido de “quadra de tênis infinita”, por contar com apenas um pequeno parapeito de vidro, que dá a impressão da quadra não ter fim. Desta maneira, o chão se mistura com a maravilhosa vista da cidade de Los Angeles ao fundo.
Mas não pense que são só amigos de James Goldstein que praticam tênis na quadra. Influente e famoso, já convidou Roger Federer,Novak Djokovic e Maria Sharapova para brincarem numa das quadras mais famosas de todo o mundo.
Como forma de manter o ritmo de mudança e entretenimento que a casa e o clube têm enquanto James está vivo, ele anunciou que doou toda a propriedade para o Lacma (Los Angeles County Museum of Art, Museu de Arte do Condado de Los Angeles, em tradução literal).
Paixão pela NBA
Como citado anteriormente, uma noite de visita ao Staples Center começa muito antes do jogo. Depois do ‘aquecimento’ na sua sala NBA, James coloca uma calça justa, botas de couro e escolhe uma entre suas centenas de jaquetas – a maioria cheia de brilhos – antes de combinar tudo com um belo chapéu do estilo ‘caipira’.
Estilo para Goldstein é muito importante. Ele considera que é uma forma de chamar a atenção dos jogadores e treinadores, e foi assim que sua amizade com PJ Tucker, do Houston Rockets, começou.
Num jogo de playoffs, James escolheu uma jaqueta que, segundo ele, é singular, e havia acabado de comprar num desfile de moda em Paris. Foi por usá-la que Tucker, durante o aquecimento, abordou o milionário para dizer que tinha uma jaqueta igual. No momento, Goldstein não acreditou, mas então passou a prestar mais atenção no estilo do ala-pivô dos Rockets e percebeu que era provável que tivesse mesmo uma jaqueta igual a dele.
Depois disso, se prepara de forma diferente e resolveu começar a usar jaquetas especiais quando vai para jogos dos Rockets, praticamente só para mostrar para PJ.
Considera que hoje os jogadores se preocupam muito mais com o estilo do que anteriormente, quando grandes estrelas praticamente só usavam os uniformes dados pelas franquias antes e depois das partidas. Para ele, pior do que usar uniformes foi o estilo dos anos 90, quando o hip-hop e suas roupas grandes e largas, junto com os enormes colares e relógios eram usados pela maioria dos atletas.
Goldstein fala com repertório, já que frequenta jogos os Lakers desde 1962, quando se mudou para Los Angeles, e desde 1984 quando o San Diego Clippers migrou para a principal cidade do estado da Califórnia.
James gosta de chegar muito antes da bola subir, primeiro para fugir do trânsito, mas principalmente porque considera o aquecimento como a melhor hora de conversar com jogadores e treinadores, de preferência os visitantes, quem assiste muito menos vezes por ano.
Antes de dizer para qual time torce, James se intitula apenas como um ‘fã da NBA’. Mas quando o assunto são os jogos que assiste no Staples Center, se coloca como fã dos Clippers e um “anti-Lakers”.
A rejeição aos Lakers se dá porque ele gosta de sempre estar torcendo para o time azarão e também para ir na contra-mão da maioria da população de Los Angeles, que torce para o time roxo e dourado.
Outro ponto é que, por estar numa das melhores cidades do país, os Lakers acabam tendo uma vantagem contra os outros times da liga na hora de oferecer contratos e isso fortaleceu sua posição como um ‘anti-Lakers’, apesar disso nunca ter impedido de fazer amizades com técnicos e jogadores de uma das maiores franquias da liga.
Completamente louco e apaixonado pelo esporte da bola laranja, James viaja o país inteiro durante os playoffs e impõe a si mesmo a regra de assistir um jogo in loco por dia. Ele diz que sempre está sozinho porque ninguém consegue acompanhar seu ritmo.
Goldstein assiste o primeiro jogo de uma série. Depois de terminado, viaja para outra cidade para também assistir o primeiro jogo e então retorna à primeira cidade para assistir o segundo jogo da série, e assim adiante.
Durante as Finais, assiste todos os jogos e com isso presenciou momentos eternos da liga. Apesar de não gostar de classificar algum como o “melhor jogo”, ele diz que o jogo 6 entre San Antonio Spurs e Miami Heat foi o que mais o impactou emocionalmente nos últimos tempos.
Ele estava poucos metros de distância de Ray Allen quando o jogador do Heat mudou a história com uma cesta de 3 absurda. O milionário inclusive aparece numa das fotos mais icônicas daquele momento.
Naquela situação, James estava torcendo para os Spurs, já que não gostava muito do Heat pela forma que a franquia construiu aquela equipe particularmente.
Hoje em dia é amigo de Ray Allen e um dia disse para o ex-jogador que “poderia ter bloqueado seu arremesso”, e Ray respondeu: “eu vi a foto. Acredito em você”.
