O ala Didi, que se destacou pela equipe do Sesi Franca neste ano no NBB, foi selecionado pelo New Orleans Pelicans no Draft da NBA do último dia 20 de junho.
Já se passaram cinco anos desde que o último brasileiro tinha sido escolhido, então foi uma grande euforia aqui no Brasil, e não deveria ser diferente. Porém tenho algumas ressalvas quanto à ida dele nesse primeiro momento.
Eu sei que muita gente lê a manchete e já vai começar a descer o pau, falando que sou pessimista ou invejoso... Mas vamos lá!
Didi foi escolhido na 35ª posição do draft, ou seja, na segunda rodada das escolhas, quando os jogadores não têm contrato garantido. A equipe que o escolheu está passando por uma total reformulação desde que negociou Anthony Davis com os Lakers, e recebeu em troca um belo grupo de jogadores (Lonzo Ball, Ingram e Hart), além da escolha número 4 deste ano (que também foi trocada por outras três escolhas), além de ter selecionado Zion Williamsom de cara. Só aqui neste parágrafo, já estamos falando de sete novos jogadores na equipe, ainda sem contar com algum movimento dos Pelicans na Free Agency. Somados a isso, temos os remanescentes Jrue Holiday – que teve uma boa temporada com 15 pontos e 6 assistências de média – e Jahlil Okafor, que parece ter se reinventado e jogado muito bem, principalmente quando Anthony Davis não estava em quadra.
Pensando um pouco com a cabeça dos jogadores, Holiday é um porto seguro do time e assim deve se manter e Okafor, que depois de ganhar uma fama muito ruim na liga, se esforçou demais para reaparecer e não vai querer perder seu espaço. Aí temos três jogadores que vêm do Lakers com muito potencial, que, na equipe californiana, não tinham tanta responsabilidade (bola na mão, quero dizer) e em contrapartida sofriam muita pressão, afinal de contas, estavam em uma das franquias mais vencedoras da NBA.
Vão chegar querendo provar que são realmente tudo aquilo que o mercado esperava e provar que a turma dos Lakers cometeu um erro ao trocá-los. E aí chegam os jogadores que vieram pelo Draft. São três escolhas de primeira rodada, uma delas (Zion) que tem tudo para ser uma estrela na NBA, e nisso vão apostar os Pelicans, e com contratos garantidos, o que acaba sendo um investimento a longo prazo para a equipe. E provavelmente mais um ou dois jogadores que devem ser contratados na Free Agency a partir do dia 30 de junho.
Com isso tudo, estamos falando aqui tranquilamente de oito a dez jogadores que já terão bons minutos em quadra. Já estou até imaginando como vão ser os treinos na pré-temporada! Nem treino de corte de seleção de base vai ter tanta pancada assim!
O grande problema que eu vejo para o Didi nisso tudo é que na cabeça do técnico, e geralmente é assim, em meio a tantos jogadores novos querendo cada um o seu espaço, a corda estoura para o lado mais fraco, ou seja, o jogador com o contrato mais baixo ou que não seja garantido tende a ser sacrificado.
Não estou falando que acho que ele não tem capacidade ou potencial para estar lá, muito pelo contrário. Didi foi uma grata surpresa este ano no NBB, jogando em uma equipe que foi montada para estar entre as primeiras, e com muita personalidade conseguiu se destacar.
O que não quero é que mandem ele para os Estados Unidos sem analisar essas situações e o garoto sofra sem necessidade
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Nos últimos anos, vimos os casos de Georginho, que tinha feita uma bela temporada no Brasil e forçaram a ida dele para os Estados Unidos, e ele acabou tendo muito pouco espaço e ficou sumido, ou mesmo o caso do Caboclo, que por mais que tenha sido escolhido na primeira rodada do draft, tinha muito pouco tempo de basquete jogado, e com isso acabou ficando quatro anos entre idas e vindas em treinos dos Raptors e passagens pela G-League, até realmente ter a chance certa em Memphis.
Talvez seja mais interessante para o Didi, nesse primeiro momento, continuar crescendo aqui no Brasil, quiçá em uma equipe onde ele tenha mais tempo de quadra e responsabilidade, o nosso popular “time dele”.
Enquanto isso, a equipe dos Pelicans tem uma temporada inteira para “assentar” todos os novos jogadores que estão chegando, e, em um segundo momento, ele se encaixaria muito melhor na equipe onde todos, técnico, dirigentes e jogadores, saberão como usá-lo.
