Você já conhece LeBron James.
Ele estrela comerciais desde os 18 anos de idade. E jogou as partidas mais assistidas do basquete ano após ano - as Finais da NBA - durante as nove últimas temporadas.
LeBron ainda não fez sua autobiografia, mas ele é acompanhado de perto pela imprensa desde seus 16 anos. Apesar disso, há algumas coisas que você pode não ter reparado na carreira do camisa 23 do Los Angeles Lakers. Aqui estão nove delas:
Logo após a virada do Cleveland Cavaliers sobre o Golden State Warriors nas Finais de 2016, LeBron passou parte de suas férias em um iate na costa da Itália. Isso parece comum para um atleta rico e famoso - até que você descobre que o iate é de Stan Kroenke, dono do Denver Nuggets, e que Josh Kroenke, presidente da franquia, acompanhava LeBron no barco.
Dois anos depois, os Nuggets estavam na lista de possíveis destinos do ala na free agency - ao lado de Cavs, Lakers, Philadelphia 76ers e Houston Rockets.
Parte do plano de Denver envolveu uma camisa de versão antiga dos Nuggets, com o tradicional arco-íris no peito e nome e número de LeBron nas costas.
"Ele disse que ela ficaria bem em mim", disse o atleta sobre Josh Kroenke. "Temos uma grande amizade, mas não pensei seriamente nisso (ir para os Nuggets)."
Desde que LeBron deixou Miami e voltou a usar a camisa 23, ele manteve o número 6 usado para dois títulos da NBA e duas medalhas de ouro olímpicas como o usado nos uniformes de treinamento.
A ideia surgiu através de Deion Sanders, lendário jogador da NFL.
"Ele usava a 2 nos treinos, mas a 21 no campo", disse James sobre Sanders. "É assim."
Então agora, durante os treinamentos dos Lakers, você terá a chance de ver o camisa 6 marcando outro camisa 6 - LeBron e Lance Stephenson.
James foi questionado sobre o número pela imprensa de Los Angeles, e ironizou na resposta. "Uso há muito tempo. Estou começando a perceber que vocês não me conhecem tão bem assim."
Da mesma forma que Carmelo Anthony usa a toca de seu moletom e Kyrie Irving não deixa a camisa de jogo por dentro dos shorts, LeBron também se tornou um personagem pelo uso da faixa na cabeça - algo que ele fez do dia em que chegou na NBA até março de 2015 quando, de repente, parou.
"Fiz isso porque queria ficar parecido com meus colegas de time", disse ele, na época. "Queria ser mais um, nada mais do que isso."
Na atual temporada, ele voltou a usar a faixa contra o Minnesota Timberwolves, em novembro, e também aparece com elas em alguns treinos. Nos Lakers, ele ficaria igual vários de seus colegas de time, afinal, JaVale McGee, Rajon Rondo, Kentavious Caldwell-Pope, Brandon Ingram, Michael Beasley e Kyle Kuzma costumam ir para a quadra com faixas na cabeça.
LeBron já transformou seu "sumiço" das redes sociais durante pós-temporadas em tradição, e ele passa boa parte de seus dias lendo livros.
Dois anos atrás, a escolha foi "West by West", que conta a história do lendário Jerry West. No ano passado, ele foi visto com "O Alquimista", do brasileiro Paulo Coelho - livro que também é o preferido de Rob Pelinka, general manager dos Lakers.
Agora em Los Angeles, ele não esperou os playoffs chegarem e já começou a ler seus livros. "Leadership: In Turbulent Times", de Doris Kearns Goodwin, conta história de presidentes norte-americanos e também foi indicação de Pelinka.
"Noturno De Havana", de T.J. English, conta como a máfia se espalhou por Cuba - e foi outra escolha de LeBron nesta temporada.
"Assisto a filmes de máfia. Sou muito fã, seja ficção ou não. Sou assim. "O Poderoso Chefão" é um dos meus favoritos."
Sob coordenação de Pelinka, os Lakers têm uma livraria ambulante, que acompanha o time nas viagens para jogos fora de casa - caso LeBron resolva procurar algo novo.
LeBron treina durante todo o ano para nunca ficar fora de forma - é mais fácil estar sempre no ritmo. A dedicação tornou ainda maior a frustração quando, no Jogo 1 das Finais de 2014 entre Heat e San Antonio Spurs, ele jogou apenas cinco minutos do último quarto depois de sentir fortes câimbras - e os Spurs saíram com a vitória.
"Tentamos vários suplementos, sempre atrás de uma solução", disse o preparador de LeBron Mike Mancias, para a ESPN.
"O que podemos fazer? O que podemos fazer? Depois de tudo que aconteceu em San Antonio, começamos a trabalhar com uma empresa farmacêutica, procurando ingredientes e receitas diferentes - desde que tudo fosse legalizado e limpo."
LeBron e Mancias testaram várias coisas diferentes até que, em 2017-18, ele jogou as 82 partidas da temporada regular pela primeira vez na carreira. Além de ter aguentado os 48 minutos de um Jogo 7 das finais da Conferência Leste contra o Boston Celtics.
"Encontramos uma receita que realmente funcionou - não apenas para as câimbras, mas para a suplementação", comentou Mancias.
Agora eles levaram tal fórmula para o público: ao lado de Arnold Schwarzenegger, Lindsey Vonn e Cindy Crawford, lançaram a Ladder, uma companhia que usa plantas como base para a formulação de produtos como o famoso whey protein - além de energéticos para treinamentos.
Vestiários costumam ser lugares fechados, tomados pelo cheiro de suor dos jogadores após partidas. Mas LeBron levou algo diferente para os ginásios de rivais nesta temporada. Ele tem acendido velas antes de jogos. Uma com aroma de madeira teca em Portland, outra de bambu em San Antonio.
O aroma tem viajado com LeBron como parte de sua dedicação à meditação - algo que ele tenta fazer durante 15 a 20 minutos por dia, normalmente antes das partidas.
"No começo é estranho, porque é algo novo, diferente para mim", disse LeBron. "Mas quando mais eu faço, mais me sinto confortável com meu espírito interior, minha energia interior, a natureza, acho. Funciona para mim."
Além da ampla cobertura da imprensa que recebe em sua primeira temporada com os Lakers, LeBron tem sido seguido por câmeras para uma produção que está sendo realizada pela NBA Entertainment e a SpringHill Productions.
O motivo ainda é incerto - talvez mais um documentário sobre uma parte de sua carreira. Mas as gravações estão sendo feitas e guardadas.
Assim como a faixa na cabeça, o tradicional ritual em que LeBron joga pó para cima antes das partidas também desapareceu. Era algo tão comum que, em 2014, os fãs dos Cavaliers receberam pequenos pacotes de papéis picados e imitaram o astro antes do começo do primeiro jogo da temporada que marcou se retornou a Cleveland.
Ele abandonou o ritual ainda na temporada 2014-15, mas ainda podemos vê-lo usando o mesmo pó - uma espécie de talco - atualmente. A diferença é que, agora, ele simplesmente bate as mãos e sopra cada uma delas para se livrar dos excessos - ao invés de criar uma nuvem.
Desde jovem, LeBron impressiona seus treinadores pela maturidade que demonstra. Isso acontece até hoje quando, mesmo em um Staples Center lotado, ele encontra uma forma de conversar com Jeanie Buss, dona dos Lakers.
Buss diz que isso não é algo que ela quer apenas com o astro do time, mas um reflexo do comportamento buscado em todos os jogadores que vestem a camisa dos Lakers.
"Todos eles olham, é como se eu fosse a mãe responsável pelo grupo", disse ela, à ESPN. "Mesmo os jogadores que não estão mais nos Lakers, como Dwight Howard. Eles sempre dizem 'oi'."
