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NBA: Lakers apostam no estiloso Kyle Kuzma, jovem que foi de 'cidade de terceiro mundo' ao topo

Kyle Kuzma é a sensação do Los Angeles Lakers.

LeBron James, obviamente, é a estrela; mas após a lesão do astro, o garoto escolhido no fim da primeira rodada do draft de 2017 da NBA subiu de degrau e mostrou ser o nº 2 da equipe.

Os Lakers entram em quadra na madrugada desta sexta-feira para sábado, contra o Utah Jazz. A partida é transmitida AO VIVO na ESPN e no WatchESPN, à 01h00.

Mas, afinal, quem é Kyle Kuzma? Estiloso, craque, fã de Kobe, cria de uma "cidade fantasma"... Conheça um pouco mais da vida e do caminho da esperança dos Lakers.

Flint, Michigan

"Sempre tem um helicóptero procurando por alguém, ou você ouve sirenes e tiros", conta Karri Kuzma, mãe de Kyle.

Ao falar de sua cidade natal, o jovem jogador dos Lakers também não é muito otimista: "É um lugar onde muitas pessoas não chegam aos 21 anos. Sempre está no Top 5... de assassinatos per capita".

Quando era apenas uma criança, Kuzma e sua mãe viram um homem atirar na cabeça de outro na frente de sua casa. Para Kyle, "isso é normal para crianças daqui".

Por casos como esse, a família teve que se mudar nove vezes em 16 anos pela cidade. Em um momento, viveram no porão da casa da avó de Kyle.

"É praticamente um país do terceiro mundo", disse Kuzma sobre sua cidade natal em uma entrevista à ESPN. "Um monte de crime, muita violência. Você olha para a cidade, é derrubado, as casas estão fechadas e nós não temos água limpa. Tem sido assim desde 2014, e isso está acontecendo. Quatro, cinco anos. É definitivamente desanimador que continuemos a deixar uma cidade na América fazer isso ".

"Eu não queria voltar para lá. Eu queria explorar o mundo e a vida; ter uma vida maior que Flint."

O basquete

Quando criança, Kuzma usava a camisa número 8. "Por que escolheu esse número?". A resposta? "Kobe!"

"Kobe sempre foi meio que meu ídolo. É engraçado que hoje sou um 'Laker' e tenho uma relação com ele."

Garoto, pediu para a mãe para ir à YMCA (Associação Cristã de Moços) da cidade. A mãe trabalhava até às 20h todo dia, então ele tinha que ficar esperando - ou seja, treinando, treinando e treinando.

Os treinos deram certo e sua habilidade começou a chamar atenção. Kuzma resolveu tentar ir para escolas preparatórias, focadas no basquete. Em pouco tempo, estava na Filadélfia, jogando pela Rise Academy.

Por lá, teve médias de 22 pontos e 7 rebotes em seu último ano, e em "Philly" foi descoberto por Larry Krystkowiak, técnico da universidade de Utah.

"É a história clássica. Fui ver um outro jogador do time dele, ele me chamou atenção por sua habilidade e carisma."

Por Utah, sua ascensão foi meteórica, e assim segue sendo até hoje.

Em seu primeiro ano jogando, teve média de 3.3 pontos e 8.1 minutos por jogo.

No ano seguinte, 10.8 pontos e 5.7 rebotes; em sua última temporada, 16.4 pontos e 9.3 rebotes por jogo.

Durante a sua carreira universitária, fez apenas 51 bolas de 3 em 169 tentativas (30%), e era avaliado como uma provável escolha de fim de segundo round, ou até com chances de não ser draftado. Nos treinos prévios ao dia da escolha, encantou os olheiros da NBA e treinou para 17 times.

Foi a 27ª escolha da primeira rodada, se tornando um Laker (assim como seu ídolo, Kobe, foi durante toda a vida) - e seguiu evoluindo.

A primeira vez que os torcedores dos Lakers viram ele com seu uniforme foi na Summer League. Médias de 22 pontos, 6.4 rebotes, 2.1 assistências, 1.4 toco e 1.1 roubo de bola por jogo. Na final, foi o MVP, com 30 pontos, 10 rebotes e o título.

Na maior liga de basquete do mundo, anota em média 17.2 pontos, 6.1 rebotes e 2 assistências por jogo. Quando LeBron James se machucou, deu mais um passo e se provou ainda maior: 22.2 pontos em média, cestas decisivas e uma atuação espetacular de 41 pontos.

Com os outros garotos dos Lakers, é uma das esperanças para o futuro da franquia e um título ao lado de LeBron James.

Estilo

"Crescendo, adorava ver o Allen Iverson jogar. E ele era todo tatuado. Todos meus jogadores favoritos eram tatuados."

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R&R

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Kuzma não esconde sua paixão por tatuagens e roupas. Segundo ele "isso é muito importante, especialmente na cultura do basquete."

Sua primeira tatuagem foi um leão (por ele ser de Leão) que se transforma numa bola de basquete. Depois dela, a lista é quase inacabável. Os olhos da mãe. "Flint". O personagem de Monopoly (jogo favorito quando criança.). "Fera Humilde". Estrelas (o céu é o limite)."Lealdade." "Família". Uma mulher fazendo 'Shh'. Avôs e avós. Space Jam.

"Entrando na NBA, você definitivamente tem que intensificar isso, porque você está competindo dentro e fora da quadra. Não apenas na quadra, no basquete, mas muitos de nós também nos orgulhamos do nosso estilo."

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'Filhinho da Mamãe'

"Ver o que minha mãe fazia dia após dia para que tivéssemos uma casa me ajudou a hoje estar na NBA."

Sua mãe, Karri, começou a praticar esportes com 4 anos. Na oitava série, começou a arremessar peso. Na primeira vez, acabou com todo mundo: "Talvez seja boa nisso, é fácil", ela brinca. Foi campeã estadual duas vezes no Ensino Médio.

"Muito da minha habilidade atlética veio dela", diz Kyle.

Competiu pela universidade até ser uma Junior, quando ficou gravida, o que, segundo ela, a impediu de ser uma das melhores do país. "Mesmo gravida, continuei arremessando. Não sei se foi uma boa ideia."

Não era casada, não tinha muita família por perto. Fez de tudo para criar bem seu filho, mesmo vivendo em uma das cidades mais perigosas dos EUA. Parece que deu certo.

"Desde pequeno, minha meta era ir para a NBA", contou Kuzma. Sua mãe, já soube antes: "Quando bebê eu sabia que ele ia jogar basquete. Suas mãos eram enormes."