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NBA: 'LeBrondependência' ajuda ou atrapalha os Lakers? Veja o que dizem os números

Se parece que LeBron James tem carregado nas costas uma parte um tanto quanto desproporcional da carga do Los Angeles Lakers, aqui vai uma constatação: não é impressão.

O quatro vezes MVP da NBA admitiu, após a vitória por 104 a 96 sobre o Indiana Pacers, na última sexta-feira, que tem tido dificuldades para dosar o equilíbrio certo entre tomar conta do ataque e confiar em seus companheiros de time para segurar a bronca.

“Este é o tipo de desafio com o qual tenho batalhado desde que a temporada começou”, disse James, depois de marcar 38 pontos em 38 minutos, além de 9 rebotes e 7 assistências. “O quanto devo recuar e permitir que alguns dos nossos jovens atletas tentem resolver as coisas e o quanto devo eu mesmo tentar assumir os jogos? Acho que esta noite foi um daqueles momentos em que eles olharam para mim e queriam que eu decidisse o jogo”, concluiu.

Na quarta-feira, em vitória por 121 a 113 sobre o San Antonio Spurs, ele fez de novo. LeBron anotou 20 pontos no último quarto para tirar o déficit de oito pontos do time, restando apenas 8 minutos e 46 segundos para o fim. Finalizou a partida com 42 pontos, 5 rebotes e 6 assistências.

Enquanto isso, Lonzo Ball, Kyle Kuzma, Brandon Ingram e Josh Hart – os nomes de maior destaque no jovem elenco dos Lakers –, juntos, fizeram 47 pontos. Ingram ainda saiu machucado no primeiro quarto.

O ESPN.com.br pesquisou algumas estatísticas para entender esse dilema que o astro enfrenta e se o desempenho da equipe de Los Angeles realmente é melhor quando ele assume a responsabilidade e “manda” no jogo.

Nos três jogos em que o camisa 23 teve seu melhor desempenho na temporada, até agora, os quatro jovens atuaram como meros coadjuvantes – inclusive, em quase todos os casos, pontuaram juntos menos do que LeBron sozinho. Nessas três partidas, consequentemente, os Lakers venceram.

Já nas três partidas em que James pontuou menos, os Lakers foram derrotados em dois. Diante dos Nuggets, foram atropelados. Nessas partidas, o ala Brandon Ingram e o ala-pivô Kyle Kuzma assumiram certo protagonismo, como mostram as tabelas.

Nas vitórias dos Lakers, LeBron, em média, tem 107,2 toques a cada 100 posses de bola, de acordo com os dados da Second Spectrum. Nas derrotas, o astro tem 103,1 toques a cada 100 posses. Seu tempo com a bola e seu número de dribles também são mais altos nas vitórias do que nas derrotas.

Para simplificar: LeBron James tem a bola nas mãos por, em média, 7 minutos e 54 segundos quando os Lakers vencem o jogo. Quando a franquia de Los Angeles sai com a derrota, LeBron teve a posse por aproximadamente 7 minutos e 3 segundos, ou seja, 51 segundos a menos com a bola nas mãos.

Coincidência ou não, nos três duelos em que LeBron James teve desempenho melhor, Rajon Rondo não estava em quadra. O jogador é o principal armador do time, mas, desde sua lesão na mão, no confronto contra os Trail Blazers, James teve de assumir o papel de criador e passou a ter mais tempo com a bola.

Ver LeBron James dominar e decidir um jogo de basquete não é novidade: ele tem feito isso pelos últimos quatro anos no Cleveland Cavaliers. No entanto, isso é justamente o que a diretoria do Los Angeles Lakers não quer que aconteça.

“Estamos tentando fazer o possível para controlar os minutos dele, mas também não queremos que tudo dependa dele, porque isso seria igualzinho a Cleveland, e não queremos isso. Queremos encontrar um equilíbrio”, disse Magic Johnson, ídolo e presidente de operações dos Lakers.

LeBron James não assumir o protagonismo ou não ser a estrela mais brilhante no ginásio parece algo distante do time do Los Angeles Lakers - pelo menos por enquanto. Com tanto talento, a responsabilidade é quase proporcional. Ou, nas palavras do técnico dos Spurs, Gregg Popovich, “ele é LeBron James. É isso o que o torna tão difícil de marcar”.