Ao ver a lista final de votos de fãs, jogadores e imprensa para o All-Star Game deste ano, que acontece em Los Angeles no dia 18 de fevereiro, nota-se que Austin Rivers, na melhor temporada de sua carreira (15,8 pontos e 3,2 assistências), não tenha recebido um voto sequer sem ser dos torcedores.
O motivo é claro: Rivers é um dos jogadores mais odiados da NBA atualmente.
Na segunda-feira, o armador do Los Angeles Clippers foi envolvido em uma discussão à beira da quadra com Trevor Ariza, do Houston Rockets. O problema seguiu no pós-jogo com Ariza e outros jogadores do time texano tentando invadir os vestiários dos Clippers.
Após o jogo, Rivers disse que conversou com Ariza, que recebeu uma suspensão de dois jogos, para resolver as diferenças.
Mesmo assim, Austin Rivers ainda é um dos jogadores mais odiados. E muito disso se deve ao fato dele ser filho do técnico do time, Doc Rivers, que exerceu também a função de presidente da franquia até agosto do ano passado.
“As pessoas podem falar o que quiserem sobre eu e meu pai. Eu entendo. Posso colocar meu ego de lado e entender. Quando estava crescendo e via o filho do técnico falava ‘Ele é péssimo, só está lá por causa do pai’. Então eu entendo”, disse Rivers, à ESPN dos Estados Unidos.
“Eu sei qual a minha história. É porque eu vim de família com dinheiro e tenho confiança”, completou.
Ao longo de sua carreira, Rivers ganhou a fama de mimado e protegido só porque seu pai é o técnico dos Clippers, time que ele defende desde 2014, quando Doc já era o técnico.
“Eu me ofendi essa semana com as pessoas falando sobre meu caráter. Me julguem como jogador. Uns acham que sou bom, outros não. Por mim, tudo bem. Os números não mentem”, analisou.
Rivers tem ganhado cada vez mais minutos nos Clippers e se tornou titular nesta temporada, estabelecendo as maiores médias da carreira em pontos e assistências, além de minutos (32,7). Austin Rivers teria até sido “pivô” da saída de Chris Paul, trocado pelos Clippers para o Houston Rockets.
Segundo a ESPN, em julho, o filho do técnico não era querido dentro do grupo de jogadores mais veteranos e havia um mal relacionamento nos vestiários. Rivers não respondia bem quando tentavam falar sobre esse assunto com ele. Mais do que isso, Chris Paul ainda sentia que Doc favorecia seu filho em detrimento a outros atletas.
Segundo a reportagem, Doc Rivers gritava com alguns jogadores durante jogos e treinos, mas não com seu filho.
O ápice do sentimento de Paul foi na temporada passada, quando Doc Rivers, atuando como presidente, rejeitou uma proposta do New York Knicks, que mandaria Carmelo Anthony e Sasha Vujacic, por Austin, Jamal Crawford e Paul Pierce.
“Quando eu vi que ele (Paul) se sentia assim, me machucou. Eu admirava Chris o tempo inteiro que ele estava lá. É um dos melhores armadores de todos os tempos e é um grande cara”, afirmou o jogador dos Clippers.
“Eu fui o melhor jogador do colegial, pick de loteria em Duke. Jogador do ano na ACC. As pessoas esquecem dessas coisas, como se eu não merecesse estar na liga. As pessoas pensam ‘Ele é um fracasso’. Não, não sou”, disse Austin Rivers. Ao fim dessa temporada, Austin Rivers tem opção de renovação automática de seu contrato ou pode testar o mercado. Mas é difícil imaginar que ele ficará longe de seu pai.
