A situação de Tiago Splitter segue indefinida no Portland Trail Blazers. Mesmo após uma temporada de 42 vitórias (a melhor do time desde 2021) e ida aos playoffs, também pela primeira vez desde 2021, a fequipe ainda não decidiu se continua ou não com o brasileiro.
Toda essa indefinição passa pela nova administração da franquia. Em abril, os Trail Blazers finalizaram a venda para um grupo de investidores liderado pelo bilionário Tom Dundon, que já participou da administração de equipes da NHL, NFL e MLS.
Desde que assumiu a organização, Dundon adotou uma série de medidas de austeridade mesmo em gastos teoricamente pequenos, como não bancar as tradicionais camisetas para a torcida nos playoffs e não levar os jogadores two-ways (com contrato dividido entre NBA e G League, que não podem participar dos playoffs) nas viagens da equipe nos playoffs contra o San Antonio Spurs.
Splitter assumiu o comando do time no início da temporada 2025-26 após Chauncey Billups, ex-técnico da equipe, ser preso por suspeita de manipulação de jogos de pôquer ilegais. Mesmo com os bons resultados, o brasileiro ainda está no cargo como interino. Ao longo da temporada teve algumas conversas com a diretoria sobre uma possível renovação, que ainda não prosperou.
"E tá ainda, aí. Sou um dos finalistas pra continuar como head coach, ou para ser o novo head coach dos Blazers", declarou Splitter em entrevista exclusiva à ESPN. "Claro que existem mil rumores, e tal, mas tudo continua um pouco parecido. Tem que ter um pouco de paciência, a gente sabe que tem um novo dono assumindo o time, e é claro que ele vai querer botar a cara dele, vai querer tomar a decisão certa e as vezes vai demorar a tomar essa decisão. A gente tem que ter paciência e ver o que vai acontecer".
Dundon, por sua vez, deu uma série de declarações nas últimas semanas dizendo que pretende contratar um técnico, que pode ser Splitter, pelo menor valor possível na NBA.
A última medida de corte de gastos do novo dono foi a demissão de mais de 70 funcionários da franquia, alguns com muito tempo de casa.
"Como parte do reposicionamento da organização para o futuro, tomamos a difícil decisão de reestruturar diversas áreas do negócio," disse Dewayne Hawkins, presidente dos Trail Blazers ao jornal local The Oregonian. "Essas mudanças impactaram pessoas talentosas que ajudaram a moldar os Trail Blazers ao longo dos anos. Estamos profundamente gratos por suas contribuições, lideranças e cuidado que mostraram todos os dias com nosso time, nossos fãs, e a comunidade de Portland. Nosso foco, agora é auxiliar os afetados por essa transição e posicionar a organização na direção de um sucesso de longo prazo."
Mesmo diante das críticas, Tom Dundon mantém a posição de cortes de gastos. Em entrevista ao podcast americano Game Over, ele comparou a situação de Portland a do Carolina Hurricanes, sua equipe na NHL. Segundo Dundon, os Trail Blazers têm um custo anual de 100 milhões de dólares a mais que a franquia de hóquei no gelo, sem contar os salários dos jogadores.
"Os Hurricanes, desde que os comprei, têm a primeira ou segunda melhor campanha na liga. Eu só não vou gastar 100 milhões apenas porque alguém escreve uma matéria me chamando de mesquinho", disse o bilionário. "Eu só não quero desperdiçar dinheiro. Mas vamos continuar cuidando dos jogadores, porque isso é o que vai nos fazer vencer."
A trajetória de Splitter como técnico na NBA
Splitter é o primeiro brasileiro a treinar uma equipe na NBA. Outros estão na liga em comissões técnicas, como Leandrinho Barbosa, assistente técnico no Sacramento Kings, e Felipe Eichenberger, chefe do departamento de preparação física do Denver Nuggets. O próprio Tiago já fez parte das comissões do Brooklyn Nets e do Houston Rockets. Mas como técnico principal, Splitter é o primeiro brasileiro.
Ele chegou no posto pouco tempo depois de ser contratado pelo Portland Trail Blazers como assistente técnico. Isso porque logo no segundo dia da temporada, Chauncey Billups, ex-técnico da equipe, foi preso pela polícia americana por suspeitas de participar de um esquema de jogos ilegais de pôquer liderados pela máfia local.
Assim, de sopetão, a vaga caiu no colo de Splitter, que tomou o posto já teve impacto logo de cara.
Os Trail Blazers vinham de temporadas muito ruins na liga, apesar de terem bons jovens no elenco e conseguirem uma reta final interessante na temporada 2024-25. Mas o nível subiu ainda mais neste ano. Com uma defesa sufocante, marcando pressão na quadra inteira numa frequência nunca antes vista na história da liga, Portland logo se destacou.
O grande momento no começo da temporada foi uma vitória contra o atual campeão Oklahoma City Thunder, virando o jogo após perderem por mais de 20 pontos nos primeiros períodos, e ainda por cima quebrando a invencibilidade de Shai Gilgeous-Alexander e companhia.
Depois, os Trail Blazers sofreram com muitas lesões, principalmente dos armadores. Scoot Henderson começou o ano lesionado e fez apenas 30 jogos na temporada; Jrue Holiday, grande reforço no ano, jogou 53 vezes, sempre com pausar por pequenas lesões; Shaedon Sharpe, que nunca foi armador, mas era o mais próximo disso entre os que restaram no elenco, também ficou nas 50 partidas.
Isso desestabilizou o jogo da equipe, que teve uma fase ruim no meio da temporada. Por outro lado, permitiu ainda mais o crescimento de Deni Avdija como o carregador da bola do time. Longe de ser um grande organizador, o israelense, ao menos, ganhou carta para levar a bola e infiltrar o máximo possível, tornando-o um exímio pontuador.
Além disso, sob o comando de Splitter, o pivô Donovan Clingan cresceu muito de produção. Os Trail Blazers se tornaram o time com mais pontos de segunda chance na liga, aqueles que acontecem após rebotes ofensivos. Cligan, além de reboteiro, também começou a chutar dos três pontos, aumentando as possibilidades táticas do time.
Pouco antes da pausa para o All-Star Game, entretanto, os armadores começaram a voltar para o elenco, e Portland, que havia até saído da zona de play-in, voltou a figurar entre os dez primeiros da Conferência Oeste. No fim das contas, terminaram a temporada com 42 vitórias e 40 derrotas, a melhor campanha do time desde 2021.
O suficiente para classificar a equipe para o play-in. Logo na primeira rodada, venceu o Phoenix Suns e avançou aos playoffs, parando na primeira rodada para o San Antonio Spurs de Victor Wembabyama, por 4 a 1.
