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Como Dillon Brooks foi de 'maior vilão' da NBA à peça importante dos Suns nos playoffs

Nota do editor: Esta história foi feita inicialmente em 15 de janeiro.


O Phoenix Suns visita o Oklahoma City Thunder na noite desta quarta-feira (22), às 21h30 (de Brasília), no segundo jogo da série da primeira rodada dos playoffs entre as equipes - com transmissão exclusiva AO VIVO pelo Disney+.

De um lado, o Thunder defende seu título - vencido de forma convicente na última temporada pela equipe liderada pelo MVP Shai Gilgeous-Alexander - e já largou na frente do embate, levando o primeiro jogo por 119 a 84.

Mas, do outro, há uma situação completamente diferente. O Phoenix Suns chegou às finais da NBA em 2021 - quando perdeu o título para o Milwaukee Bucks em seis jogos. Desde então, a equipe não conseguiu se reorganizar para repetir o feito, e acabou tendo temporadas desastrosas sob o novo dono - Mat Ishbia.

Phoenix foi uma das piores equipes do ano passado, apesar de ter a folha de pagamento mais alta da história da NBA. Isso forçou o bilionário a reconsiderar seu planejamento, deixando de lado as aquisições mais chamativas e caras dos Suns ao optar por negociar Kevin Durant e dispensar Bradley Beal.

Ishbia queria que sua franquia refletisse garra e determinação dentro de quadra, algo que ele priorizava na sua carreira como jogador universitário. E então, o candidato perfeito surgiu para o bilionário: Dillon "the Villain" Brooks, o veterano incansavelmente intenso que os Suns insistiram que fizesse parte da troca com o Houston Rockets no negócio por Durant.

Brooks, talvez mais conhecido por seu trash talk e suas táticas controversas, se descreve como uma "uma injeção de ar fresco e energia".

Como os Rockets alguns anos antes, os Suns trouxeram Brooks, com todas as suas questões, para ser uma força motriz no reinício cultural da franquia.

"Ele é exatamente o tipo de jogador (que se encaixa) no que falamos aqui em Phoenix, no que queremos ser, a identidade dos Suns", disse Ishbia à ESPN. "Ele faz mais arremessos do que qualquer outra pessoa antes do treino e se importa em vencer. Ele joga na defesa, no ataque, é um líder e é durão. Ele tem sido ainda melhor do que o esperado".

Phoenix, que estava cotado para ficar de fora dos playoffs mais uma vez, tem sido uma grata surpresa na NBA nesta temporada. Os Suns tiveram um retrospecto de 45-37 e terminaram em sétimo lugar na classificação da Conferência Oeste, vencendo o Golden State Warriors no play-in para avançar para a pós-temporada.

O impacto de Brooks tem sido imenso, pois sua presença feroz ajudou a moldar a personalidade da equipe. É quase um bônus que Brooks esteja tendo a melhor temporada ofensiva de sua carreira, com uma média de 20,2 pontos como a segunda opção atrás apenas de Devin Booker, o craque do time.

"Como todo mundo diz, ele é um cara que você quer no seu time. Outras torcidas vão odiá-lo, mas se ele fosse parte do seu time, elas o apoiariam", aponta Booker.

Algumas semanas depois de ser trocado para Phoenix, Brooks entrou queria ver o gerente geral Rafael Stone e outros membros da diretoria e da equipe da franquia para se despedir.

Brooks estava orgulhoso de ter feito parte da reconstrução dos Rockets nas duas temporadas anteriores e não teve problema com a decisão de Houston de incluí-lo em uma troca por um Hall da Fama que preenchia a necessidade evidente por um jogador decisivo.

"[Stone] estava me dizendo o tempo todo que eles não queriam incluir meu nome nisso", disse Brooks. "Eles queriam me manter aqui para construir cada vez mais (coisas) essa franquia. Mas, no geral, quando você tem um cara como Kevin Durant, não pode deixá-lo passar. E eles estão indo bem. Eles não caíram -- como foi o caso do Memphis (Grizzlies)".

A administração dos Grizzlies já havia se desiludido com Brooks antes mesmo dele chamar LeBron James de "velho" de forma desdenhosa durante os playoffs", na série em que Memphis foi derrotado em seis jogos. A equipe não fez nenhuma tentativa de reter Dillon depois do fim de seu contrato, em parte porque a diretoria estava preocupada que seu incessante trash talk e suas ações provocativas tinham se tornado uma má influência para o núcleo jovem da equipe.

Por outro lado, Houston queria que Brooks influenciasse especificamente seus jovens jogadores. Os Rockets apostaram que a determinação do jogador definiriam o estilo de jogo da equipe ao lado de Fred VanVleet, que também chegava como reforço, e do recém-contratado técnico Ime Udoka.

Depois de passar os últimos três anos no fundo da Conferência Oeste, os Rockets deram um salto para o retrospecto de 41-41 em 2023/24 e 52-30 na temporada passada. Brooks abraçou seu papel como mentor e ameaça defensiva, aceitando que ele geralmente era a quinta opção ofensiva na escalação inicial de Houston.

"Ele ajudou a mudar a cultura por aqui", disse o armador dos Rockets, Amen Thompson, uma estrela em ascensão que era novato quando Brooks chegou à equipe. "Sinto que Houston o ama. Ele é como um irmão mais velho para mim".

Uma coisa que Brooks não mudou nesse período foi sua mentalidade. Não houve -- e nunca haverá -- uma versão mais gentil e amável do ala em quadra, que admite buscar confrontos deliberadamente. A irritação é um elemento essencial do seu jogo.

"Ele é uma pessoa realmente boa, um ótimo companheiro de equipe, e ele é tão competitivo que, quando você está jogando contra ele, isso quase apaga todo o resto", disse a estrela de Oklahoma City, Shai Gilgeous-Alexander, que joga com Brooks na Seleção Canadense, à ESPN. "Muitas vezes, especialmente quando você chega à NBA, há tantos jogos que você fica cansado. Os caras não dão tudo de si todas as noites, mas ele dá tudo de si toda vez que pisa na quadra, e eu respeito muito isso".

No seu melhor, Brooks equilibra a linha entre a competitividade e o bom senso. Mas ele frequentemente ultrapassa esse limite. Ele cometeu 31 faltas técnicas durante seus dois anos em Houston, recebendo uma suspensão de um jogo quando atingiu o limite de 16 na temporada passada. Dillon se gaba que "Phoenix adora isso".

"Acho que se você der um pouco de carinho, alguma responsabilidade, ele te escuta e faz algumas das coisas que você está pedindo. [Esse] pode não ter sido o caso em Memphis".

Mas, mesmo com todas as suas peculiaridades, Brooks sempre se orgulhou de seu profissionalismo, que ele define como base para sua vida.

"Durante o jogo, eu posso não parecer 'profissional' porque eu falo muita besteira", disse Brooks. "Eu falo muito. Estou gritando, inclusive para a multidão. Mas isso é só no jogo. Esse é o meu personagem".

"Eu venho trabalhar às 8, 7 da manhã todos os dias. Na off-season, chego às 6h30, faço dois treinos por dia, ensino os jovens a construir suas rotinas... para que possam ser a melhor versão de si".

Esses treinamentos, tanto quanto o estilo físico de que Brooks emprega estabeleceram o padrão de comportamento para seus colegas de Phoenix Suns.

"Ele fica na academia mais do que qualquer outro", disse Gillespie. "Você vê o quão duro ele trabalha, o quão competitivo ele é, e você não quer decepcionar seu companheiro de equipe quando vê isso. Ele faz você querer trabalhar mais".

Brooks apelidou Gillespie de "Vilão Júnior" por causa da determinação e do compromisso do armador com o trabalho duro. O afeto de Dillon por ele -- e pelo resto de seus companheiros de equipe -- entretanto, é frequentemente expresso com dureza e gritow.

"Ele grita com as pessoas", disse Gillespie. "Especialmente durante jogo, ele fica muito agitado. Não importa quem seja".

Brooks pode agir assim por causa do nível de respeito que conquistou com seus colegas de equipe. Ele sabia que estava se juntando a uma equipe que já estava adicionando novos jogadores, como o pivô Mark Williams, além do técnico Jordan Ott.

"Eu pensei que seria um novo começo para eu me reinventar", disse Brooks. "Estou apenas feliz por estar em um lugar onde sou desejado e me permitem ser quem eu sou".

"Eu sabia que ao vir para cá, poderia mostrar todo o trabalho que fiz nos últimos dois anos e demonstrar que sou realmente, de verdade, um jogador versátil".

"Ele é o competidor definitivo", disse Ott.

Agora, se todo esse fogo competitivo, aliado ao respeito de seus colegas, será o suficiente para fazer Brooks comandar um triunfo sobre o Thunder - que configuraria uma zebra de proporções épicas - só o tempo dirá.

Enquanto isso, ele, Booker, Ott e os demais jogadores concentrarão sua energia no jogo 2 da noite desta quarta (22).


Michael C. Wright, da ESPN, contribuiu para esta história

(*Tradução e adaptação: Vinicius Garcia).