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À ESPN, Tiago Splitter conta bastidores da chegada aos Blazers e explica 'prêmio diferente' para motivar elenco

Após uma carreira de sucesso na Europa e na NBA, com direito a título pelo San Antonio Spurs em 2014, Tiago Splitter fez história em 2025 como o primeiro brasileiro técnico na liga de basquete mais importante do mundo.

Meses após ser confirmado como assistente técnico do Portland Trail Blazers, uma reviravolta o colocou no posto de técnico principal do time. Chauncey Billups, que ocupava o cargo, tornou-se alvo de uma investigação de manipulação de jogos de poker e ligação com a máfia italiana no estado de Oregon. A vaga, então, ganhou contornos verdes e amarelos.

Agora, estabilizado no cargo, Splitter falou à ESPN detalhes sobre a chegada ao comando técnico da equipe: "Acho que foi tudo muito rápido, né? Obviamente aconteceu o que aconteceu com o Chauncey Billups, e da noite para amanhã, literalmente, recebi a notícia ainda bem cedo de manhã, 6 horas da manhã, ligações e tal, e 30 minutos depois me liga o general manager para conversar. E obviamente era para me oferecer comandar o time dos Blazers. E obviamente eu aceitei"

A trajetória de Splitter não começou de repente. Ele começou como assistente técnico no Brooklyn Nets e, depois, no Houston Rockets. Nesse meio tempo, foi treinador da seleção brasileira no Global Jam, torneio com equipes sub-23 de todo o mundo. Posteriormente, foi assistente técnico do time principal da seleção e treinador do Paris Basketball, onde conseguiu o título francês e uma campanha de destaque na Euroliga, que o renderam o convite para integrar a comissão dos Trail Blazers.

"É algo que que eu venho pensando em fazer faz tempo, esse era o meu objetivo ser técnico da NBA em um dia e chegou a hora, às vezes não é da forma que você espera, mas foi dessa forma e tô contente de começar a minha carreira, talvez até mais cedo do que eu pensava", conta.

Um jogo novo

Splitter assumiu a equipe logo na segunda rodada da temporada. O início foi promissor, com cinco vitórias e duas derrotas nas primeiras sete partidas. A equipe se destaca até hoje pela velocidade em que sai nos contra-ataques e uma defesa que utiliza muita pressão de quadra inteira, algo ainda incomum na NBA, ao menos na mesma quantidade do Portland.

O ápice da temporada até agora foi causar a primeira derrota do atual campeão Oklahoma City Thunder após tirar uma diferença de mais de 20 pontos no placar.

Mas com o passar das semanas o time teve muitos desfalques por lesão, especialmente entre os armadores, e sofreu uma série de derrotas. Ainda que Shaedon Sharpe e Deni Avdija sejam bons organizadores, a ausência de Jrue Holiday e Scoot Henderson ainda é muito sentida pelo coach brasileiro.

"A gente tá tendo algumas dificuldades, principalmente na posição de armador, onde que a gente já tá quase toda a temporada sem armador. Então, é muito difícil você implementar algo no ataque com vários armadores fora, né? Então, isso é difícil, são os caras que conduzem o jogo. No futebol são os meio-campistas. Então quem cria o ataque para a gente está fora, tá machucado. Então, é difícil implementar algo."

Ainda assim, o aproveitamento de 42% é o segundo melhor das últimas cinco temporadas dos Trail Blazers, o que mostra uma evolução. Nas últimas três partidas, foram duas vitórias, contra Boston Celtics e Dallas Mavericks.

Foco na defesa e a criação da 'The Box'

A pressão de quadra inteira implementada pelos Trail Blazers em mais de 20% de posses, muito acima dos padrões da liga, faz com que a rotação precise ser mais intensa, o que abre espaço para muitos jogadores no elenco. A estratégia só é possível porque Portland também conta com grandes defensores individuais.

O destaque é o belga Toumani Camara, presente no segundo time ideal de defesa da última temporada. Mas além dele outros nomes também se destacam, como Jrue Holiday, Matisse Thybulle, Sidy Cissoko, Donovan Clingan e Robert Williams.

E para incentivar ainda mais a energia defensiva, Splitter criou a The Box: uma caixa em que, a cada vitória dos Trail Blazers, o melhor defensor da noite coloca o nome e as estatísticas. Ao final da temporada, quem mais vezes tiver o nome na caixa vai ganhar um prêmio misterioso.

"Quase todos os times têm alguma coisa para dar para o melhor jogador do time. As vezes é o cinto, daquele de boxe, ou uma corrente. Eu pensei em algo diferente. Acho que a gente tinha que trazer algo para para dar um apetite para a nossa defesa. E a gente tem um dos nossos melhores defensores, né, o Toumani Camara, que faz esse símbolo 'the box'", explicou Splitter. "E aí eu comecei a estudar um pouco o que era o 'box' e era que o jogador colocava o outro time dentro do box, botava um jogador dentro do box, 'put them in the box'.É como se tivesse dizendo, a gente defendeu os caras e eles não saíram de dentro da caixa", completou.


O Portland Trail Blazers de Tiago Splitter irá enfrentar o San Antonio Spurs neste sábado (04), às 22h (de Brasília), com transmissão da ESPN e Disney+.