Agosto de 2003. O basquete mundial voltava seus olhos ao confronto entre Brasil e Estados Unidos, pela estreia do Pré-Olímpico das Américas, em San Juan, Porto Rico. Eis que, a cinco minutos do fim do 3º período, Tim Duncan, então MVP da NBA, era surpreendido com um toco histórico de um brasileiro.
Após 21 anos do lance que eternizou sua carreira, Alex Garcia ainda recorda o cartão de visita junto a alguns dos maiores astros de todos os tempos. Às vésperas da estreia contra a França nas Olimpíadas de Paris neste sábado (27), às 12h15, o ex-jogador da seleção concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, e contou alguns bastidores desse e de outros episódios daquele período.
Titular na campanha que findou o tabu de 16 anos do basquete masculino brasileiro fora dos Jogos Olímpicos, em Londres 2012, além das Olimpíadas do Rio, em 2016, Alex passou por momentos distintos com a camisa da seleção. Um deles aconteceu na corrida por Atenas 2004.
De olho em uma vaga no torneio, o Brasil viajou a Porto Rico com nomes como Nenê, Anderson Varejão, Leandrinho, Tiago Splitter, Marcelinho Machado, Guilherme Giovannoni e Alex. Após o 8º lugar no Mundial de 2002, o time treinado por Lula Ferreira iniciou o torneio contra os EUA, que contavam com Tim Duncan, Vince Carter, Jason Kidd, Allen Iverson, entre outros.
Apesar da derrota por 110 a 76, a partida ficou marcada pelo toco do camisa 10 verde-amarelo em Duncan. Com seus 1,90m, teoricamente pouco para um atleta de basquete, Alex surpreendeu o então futuro companheiro de San Antonio Spurs, de 2,11m, ao 'decolar' na defesa para emplacar um dos bloqueios mais memoráveis no basquete de seleções.
A seleção norte-americana acabaria campeã daquele Pré-Olímpico sobre a Argentina na decisão, enquanto o Brasil voltava para casa, mais uma vez, sem a vaga nas Olimpíadas. O tocaço, no entanto, ficaria na memória de todos, inclusive da comissão técnica estadunidense, que tinha Larry Brown como treinador e Gregg Popovich, técnico dos Spurs, como assistente.
"É algo que todo mundo que me encontra hoje fala desse lance, que ali eu fui para a NBA, por causa desse toco. E não foi, acho que foi mais pelo jogo agressivo, defesa forte. Acho que esse é o estilo do Popovich. Ele gosta muito desse perfil e me achou parte do time dele. Acabou o Pré-Olímpico, voltei para casa e recebi uma ligação do empresário Marcelo Maffia que, por coincidência, trabalhava na mesma agência do Manu Ginóbili", lembra o brasileiro.
Negociado com os Spurs para a temporada 2003/04, Alex não se livrou das lembranças sobre o fatídico lance nem mesmo após o desembarque em solo norte-americano.
"Quando o avião pousou em San Antônio, a gente foi direto para o hotel e depois fomos pro CT. Era um mundo totalmente diferente daquele que eu conhecia. E aí chega o Popovich, cumprimenta a gente, chama o Tim Duncan também e, como eu não entendia, o Marcelo (empresário) me falou que ele fez a brincadeira em relação ao toco. Foi legal e o dia a dia ali foi sensacional também", completou.
21 anos depois, o Estados Unidos busca mais uma medalha olímpica em Paris. Com LeBron James, Stephen Curry e outras estrelas, o Dream Team espera comprovar a hegemonia dos últimos anos nas Olimpíadas em busca da quinta medalha dourada seguida.
Já o Brasil entrará em quadra neste sábado diante da França. A bola sobe às 12h15 (de Brasília).
