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Por que Neymar e Endrick viraram tema de entrevista de técnico dos Celtics em meio às Finais da NBA?

Depois de duas vitórias nos dois primeiros jogos das Finais da NBA, o Boston Celtics está muito perto de ser campeão da liga pela 18ª vez em sua história. E o comandante da equipe, Joe Mazzulla, deu mais uma mostra nesta terça-feira (11) de como utiliza outros esportes para influenciar em seu time, que vez fazendo uma temporada histórica.

Tudo começou com a presença da equipe de transmissões da ESPN do Brasil durante a entrevista coletiva do treinador, às vésperas do Jogo 3, contra o Dallas Mavericks. Em determinado momento, o narrador Ari Aguiar questionou Mazzulla sobre o que tratamento recebido por Jayson Tatum, que embora seja a grande estrela do time, é em muitas vezes bastante criticado pela imprensa e também por torcedores.

"Treinador, quero falar com você sobre Tatum. Ele já marcou 50 pontos em um jogo de playoff e é capaz de fazer isso a qualquer momento. No primeiro jogo, o Porzingis disse que o que fez foi só por causa do Jayson Tatum, e eles disseram a mesma coisa no Jogo 2. Você acha que estamos assistindo a melhor versão do Jayson Tatum nessas Finais?"

O treinador respondeu de maneira direta: "Sim, acho que está bem perto. Acho que pelo tipo de jogador que ele é, sempre vai parecer diferente por causa da sua versatilidade", mas por ter gostado do assunto, resolver questionar Ari. "Você mora na América ou no Brasil?" Ao narrador responder que vivia no Brasil, Mazzulla então desenvolveu seu raciocínio.

"Provavelmente foi por isso que você fez essa pergunta. Nenhum dos americanos a fez. Eles olham para as lentes de maneira diferente do basquete. Na América, nada é bom o suficiente. É sobre o que você pode fazer por mim agora. Nem sempre é o caso nessa situação. Mas sim, acho que ele só vai melhorar. Ele faz a grandeza parecer fácil por causa de sua capacidade de impactar o jogo de muitas maneiras diferentes. Ele vai continuar a ficar cada vez melhor e melhor. É uma honra treiná-lo."

Depois disso, o técnico seguiu o bate-papo com Ari, fazendo uma relação de Tatum com craques do futebol brasileiro: "Eu tenho uma pergunta para você. Quem você acha que tem a adaptação mais difícil à mídia e às críticas? Porque, tipo, a lente com que os jogadores de futebol brasileiros são vistos é semelhante à forma como os atletas americanos são vistos. Você olha onde Neymar esteve ao longo do tempo. Quem você acha que sofreu mais? Como você acha que ele lida com isso? Me colocando como jogador, representar o Brasil pela seleção nacional, e agora que você vê o Endrick chegando, como você acha que isso é tratado no seu país?"

O narrador da ESPN então fez uma comparação com o passado, dizendo que Neymar foi tratado como "salvador da pátria".

"Acho que ele tem lidado com mais pressão ultimamente. Mas porque tivemos uma falta de ídolos recentemente. Se você voltar em 2002, tínhamos Ronaldo, tínhamos Rivaldo. Tínhamos uma grande seleção nacional. Esse talento diminuiu ao longo dos anos. Neymar surgiu como um grande talento. Colocamos nele muitas expectativas de que ele possa nos entregar mais uma Copa do Mundo. Não acho que seja justo com ele o que fizemos."

Mazzulla concordou, citando o fato de que a pressão subiu bastante na era das redes sociais: "Eu diria a mesma coisa sobre Tatum. Além disso, Neymar é o primeiro camisa 10 a assumir o peso do Brasil na era das redes sociais. Quem antes de Neymar esteve envolvido assim com as mídias sociais? Ele é tão bom que tudo que você pode fazer pode ser considerado certo. Quando ele ganhou a medalha de ouro ao marcar o gol de pênalti da vitória, você pensaria que isso o teria solidificado. Não aconteceu. Você fez uma pergunta interessante porque acho que os caras com quem convivemos compartilham o mesmo fardo de ter que lidar com a responsabilidade de seguir em frente no que fazem. É um presente definitivo. Concordamos que provavelmente é o Neymar, certo?"

"Mais recentemente, sim. Eu tenho uma opinião particular, mas tenho que ver o geral disso, do Neymar. Não concordo com muitas de suas ações fora de campo. Mas deveríamos focar apenas no jogador de futebol. Eu não acho que seja justo esse tratamento", disse Ari Aguiar. "Eu não o conheço. Tudo que conheço é o que faz dentro de campo", seguiu Mazzulla, enfatizando o como é complicada a pressão no futebol.

"Não me coloque como treinador de futebol, ok? Isso é como um trabalho impossível", brincou.

"É muita pressão. É um país enorme. Amamos futebol, amamos futebol. É o nosso esporte. Sempre fomos bons nisso. É muita pressão. Recentemente, os resultados foram tão ruins que a pressão só está aumentando."

Mazzulla então citou o motivo de fazer a relação do futebol com o basquete: "Eu estudo muito isso porque acho que estamos em um ambiente semelhante aqui sobre como lidar com tudo isso."

Foi quando Ari Aguiar exaltou os Celtics, citando a pressão dentro de um dos times mais vencedores da NBA.

"Boston Celtics provavelmente é tão grande quanto uma seleção nacional de futebol. Basicamente a mesmo pressão."

Para finalizar, o narrador brasileiro ainda citou a relação de Mazzulla com Pep Guardiola, técnico do Manchester City, que está acompanhando as Finais da NBA de perto: "Eu sei que você gosta do Guardiola, e sei que você 'roubou' algumas coisas dos pensamentos dele."

O treinador respondeu dizendo que ele quer sempre estar aprendendo. "Nenhum de nós é tão bom. Roubamos um pouco de todo mundo."

Calendário das Finais da NBA:

6 de junho: Jogo 1, Celtics 107 x 89 Mavericks
9 de junho: Jogo 2, Celtics 105 x 98 Mavericks
12 de junho: Jogo 3, Mavericks x Celtics, 21h30 (Brasília) - com transmissão pela ESPN no Star+
14 de junho: Jogo 4, Mavericks x Celtics, 21h30 (Brasília) - com transmissão pela ESPN no Star+
17 de junho: Jogo 5, Celtics x Mavericks, 21h30 (Brasília) - com transmissão pela ESPN no Star+*
20 de junho: Jogo 6, Mavericks x Celtics, 21h30 (Brasília) - com transmissão pela ESPN no Star+*
23 de junho: Jogo 7, Celtics x Mavericks, 21h (Brasília ) - com transmissão pela ESPN no Star+*

*Se necessário