Levou tempo e foi construído com dor e suor, mas o Denver Nuggets é campeão da NBA.
E a campanha histórica da franquia do Colorado na temporada 2022/23 até a vitória diante do Miami Heat nas Finais passou diretamente pelo astro que colocou para sempre seu nome na história da liga: Nikola Jokic.
Duas vezes MVP da temporada regular, o sérvio comandou Denver na conquista sendo o 1° jogador na história da pós-temporada a liderar em pontos, rebotes e assistências entre todos os jogadores.
O sérvio teve médias de 30,2 pontos, 14 rebotes e 7,2 assistências por partida nas Finais, e se tornou o primeiro jogador escolhido fora do top 15 no draft a ganhar MVP das Finais e da temporada regular.
Os repórteres da ESPN separaram cinco histórias que provavelmente você não conhece para te ajudar a entender como foi construída a história de Nikola Jokic até o título.
'Você nunca sabe que tipo de truque ele vai tentar fazer'
“Basquete é sobre companheiros de equipe".
Nikola Jokic me isso disse na primeira vez que o encontrei e o entrevistei em Portland, ainda em 2014. “Quando estou livre, eu arremesso. Quando não estou, eu passo. Jogo basquete da maneira mais simples que posso. Não pulo alto. Não corro rápido”.
Jokic não era um candidato muito conhecido ou considerado na NBA naquele momento, o que ajuda a explicar por que ele foi o número 41 naquele draft, dois meses depois. Mas os sinais do que o tornaria tão especial estavam lá, conforme escrito em meu relatório de scout.
“Jokic, um jogador excepcionalmente único, tem uma leitura avançada para o jogo. Ele é um finalizador tão pouco convencional e criativo que você nunca sabe que tipo de truque ele tentará fazer, o que deixou muitos defensores perplexos, enquanto veteranos da NBA apenas balançam a cabeça e sorriem”.
Infelizmente para Jokic, ele foi forçado a ficar em segundo plano para candidatos como Karl-Anthony Towns e Trey Lyles.
Havia indícios da leitura sobrenatural de Jokic para o jogo na forma de bloqueios oportunos, roubos de bola, rebotes e passes simples, mas ele mal tocou na bola ofensivamente e suas severas limitações atléticas tornaram difícil imaginá-lo se segurando fisicamente na NBA.
Poucos esperavam que ele entrasse no draft, especialmente porque havia começado a jogar basquete seriamente apenas 1 ano e meio antes, quando se mudou para Belgrado para jogar pelo Mega Vizura.
“Estou indo passo a passo”, me disse Jokic em abril de 2014, quando questionado sobre suas aspirações de carreira. “Não penso muito na NBA, mas todo mundo adoraria jogar na NBA. Talvez algum grande clube da EuroLeague: Barcelona, Real [Madrid]”.
“[Mas] a NBA é a NBA”.
Por Jonathan Givony
'Não deixe a Coca-Cola ser mais forte que você'
Antes que o nome de Jokic fosse mencionado rotineiramente por alcançar feitos estatísticos pela primeira vez, o pivô sérvio chegou aos Estados Unidos incapaz de manter uma posição de exercício de prancha por 20 segundos.
“Morri! Eu morri”, disse Jokic à ESPN em 2019. “Estava tremendo. Não posso”.
Os Nuggets descobriram que o pivô tinha uma queda por doces. Erik Spoelstra, técnico do Miami Heat, pode não ter conseguido encontrar uma falha no jogo de Jokic nas finais da NBA, mas antes de sérvio chegar à NBA, ele tinha uma queda pela Coca-Cola, bebendo três litros por dia.
“Acho que é apenas mental”, disse Jokic, que bebeu sua última lata em seu primeiro voo para Denver. em 2015. “Tipo, não deixe a Coca-Cola ser mais forte do que você”.
Com a ajuda do diretor de desempenho do Nuggets e do preparador físico Felipe Eichenberger, Jokic começou a transformar seu corpo.
Primeiro em um All-Star apto a marcar 33 pontos, 18 rebotes e 14 assistências em 65 minutos durante uma prorrogação interminável na derrota nos playoffs de 2019 para Portland. Depois em um duas vezes MVP que pode castigar seus adversários em quadra com uma combinação de sutileza e força.
Substituindo refrigerantes por bebidas proteicas, os vícios de Jokic agora mais saudáveis.
Quando ele não está passando tempo com sua esposa, filha e irmãos, Jokic está se entregando à paixão por cavalos e corridas. Jokic disse durante esta pós-temporada que passou parte do tempo livre que ele e o Nuggets tiveram entre cada série assistindo seus cavalos competirem.
“Eu gosto de animais”, disse Jokic. “A natureza deles. Eles são animais realmente bons. Cada cavalo tem uma personalidade diferente, como um ser humano”.
Jokic adorava jogar videogames e assistir programas como "Friends" e "Game of Thrones". Nesta pós-temporada, disse que tenta passar um tempo na piscina com sua filha se o clima de Denver cooperar nos dias de folga.
Por Ohm Youngmisuk
Jokic e a maior batalha de ‘big man’ da NBA
Como qualquer um que assistiu à NBA na última década sabe, a liga consistentemente se afastou da briga debaixo do garrafão que definiu grande parte de sua história, e agora produz um astro após o outro em lances de perímetro desde que o esporte migrou para a linha de 3 pontos.
Foi isso que tornou as batalhas entre Nikola Jokic e Joel Embiid nas últimas três temporadas pelo prêmio MVP tão fascinantes.
Mesmo com idas e vindas nos últimos três anos, com Jokic conquistando dois MVPs seguidos antes de Embiid receber a honra nesta temporada, o sérvio elevou seu jogo nos últimos dois meses. Ele enfaticamente resolveu outro debate: um time construído em torno de um pivô pode vencer na NBA de hoje?
Antes da campanha de Denver, o último campeão liderado por um pivô foi o Los Angeles Lakers de 2002, cujo tricampeonato foi impulsionado pelo domínio de Shaquille O'Neal debaixo do garrafão e pelas pontuações brilhantes de Kobe Bryant.
De 1983 a 2020, apenas três pivôs ganharam MVP: Hakeem Olajuwon (1994), David Robinson (1995) e O'Neal (2000).
Jokic e Embiid faturaram três vezes seguidas. E Jokic abrirá a temporada 2023/24 como claro favorito para vencer pela terceira vez.
Essa é a prova de que na versão moderna do basquete, de ‘ritmo e espaço’, há lugar mais do que suficiente para um pivô dominante ter um lugar à mesa entre os melhores. Tanto de hoje quanto de todos os tempos.
Claro, ajuda quando esse jogador é uma máquina de triplo-duplos e o maestro do ataque imparável que atropelou Kevin Durant e Devin Booker, LeBron James e Anthony Davis e, finalmente, Jimmy Butler e Bam Adebayo.
Esse tipo de domínio nos playoffs normalmente é reservado para armadores e alas.
Mas depois do brilhantismo de Jokic nos últimos dois meses, a posição pivô está de volta ao centro do universo da NBA.
Por Tim Bontemps
A derrota que impulsionou a ascensão de Jokic como MVP
Denver caiu para Portland em sete jogos nos playoffs do Oeste de 2019 e, embora Jokic liderasse o time em todas as estatísticas principais, com média de 27,1 pontos e 13,9 rebotes em 42 minutos por jogo, ele se desgastou com o decorrer da série.
No final do Jogo 7 o sérvio não tinha mais nada. Ele errou sete dos 10 arremessos no quarto período, incapaz de levar seu time até a linha de chegada.
Foi uma derrota devastadora.
Os Nuggets abriram 11 pontos em casa no meio do terceiro quarto. Tudo o que precisavam fazer era terminar e estariam nas finais do Oeste contra um time do Golden State Warriors lidando com lesões e problemas em quadra.
Enquanto Michael Malone se reunia com seus auxiliares no vestiário, eles ouviram uma batida na porta. Era Jokic. Ele foi até lá dizer a eles que nunca mais deixaria isso acontecer.
O assistente técnico dos Nuggets, David Adelman, lembra-se do sentimento na voz de Jokic quanto do que ele disse aquilo.
“Ele estava emocionado quando entrou”, disse Adelman. “Acho que ele se sentiu desgastado no segundo tempo, e todos nós olhamos para ele como, 'Coringa. Você nos conduziu por todo esse processo.'”
“A responsabilidade que ele tem por nós é diferente de qualquer outro da NBA. Ele pode ser nosso pivô. Ele pode ser nosso armador. Ele pode jogar como ala. Ele pode ser um cara que pega e chuta de qualquer parte da quadra”.
Mas Jokic não estava interessado em nenhum consolo.
Ele finalmente sentiu o que tudo o que ele tinha não era suficiente para vencer. Havia outro nível que ele precisava alcançar.
“Ele deu tudo o que podia”, disse Adelman. “Mas então acho que ele, em sua mente, pensou: 'Talvez eu possa dar mais. Talvez se eu ficar ainda melhor’”.
E assim ele fez.
Por Ramona Shelburne
A noite em que os irmãos Jokic entraram no Twitter
Segundos depois de criarem a conta, os irmãos mais velhos de Jokic se tornaram fenômenos nas redes sociais.
Mas as circunstâncias tiveram algo a ver com isso.
Era 9 de novembro de 2021, um dia depois que o mais novo dos irmãos Jokic anotou um triplo-duplo de 25 pontos, 15 rebotes e 10 assistências em uma vitória em casa contra o Heat.
Aquele jogo é lembrado por uma confusão quando faltavam 2:39 para o fim, quando Jokic respondeu a um chute nas costelas de Markieff Morris acertando o ombro nas costas do atleta do Miami enquanto Morris se afastava.
Morris recebeu uma falta flagrante 2, uma multa de 50 mil dólares e um gancho que o deixou de fora por quatro meses. Jokic também foi expulso e suspenso por um jogo.
Vários jogadores do Heat, incluindo Jimmy Butler, Bam Adebayo e Kyle Lowry, esperaram do lado de fora do vestiário dos Nuggets após o jogo, embora um confronto de fato não tenha acontecido.
Mas a confusão explodiu no Twitter e irmãos de ambos os lados se envolveram.
O irmão gêmeo de Markieff, Marcus, então jogador dos Clippers, twittou que Jokic “esperou até que o irmão virasse as costas”.
Isso levou à criação da conta de curta duração @JokicBrothers, que imediatamente respondeu a Marcus Morris.
“Você deveria deixar isso do jeito que está ao invés de ameaçar publicamente nosso irmão! Seu irmão fez uma jogada suja primeiro. Se você quiser fazer um passo adiante tenha certeza que estaremos esperando por você!! Jokic Brothers”.
Strahinja, o mais velho, jogou basquete profissional na Europa por vários anos. Nemanja, um pouco mais novo, tem um cartel invicto em três lutas profissionais de MMA.
Felizmente para todos, a confusão não foi além da mídia social. Os irmãos Jokic, que foram presença regulares nos jogos do Denver ao longo da carreira de Nikola, fizeram viagem seguinte dos Nuggets a Miami sem incidentes.
Por Tim MacMahon
