Nesta segunda-feira (22), Carmelo Anthony anunciou sua aposentadoria após 19 temporadas na NBA.
Selecionado em dez oportunidades para o All-Star Game, Melo ainda teve duas seleções para o segundo time ideal da temporada, quatro para o terceiro elenco, foi o cestinha da liga em 2013 e ainda entrou na lista dos 75 melhores da história da NBA no 75º aniversário da organização. Mas Carmelo foi, também, a superestrela mais desrespeitada da história.
Carmelo começou sua carreira no Denver Nuggets, após ser selecionado com a terceira escolha do Draft de 2003, considerado por muitos o draft com mais talento da história da NBA. Ao lado de Melo, nomes como LeBron James, Chris Bosh e Dwyane Wade também foram selecionados, o que colocou ainda mais pressão no ala.
Desde o início de sua carreira, Anthony se mostrou um dos melhores scorers que o basquete já viu. O camisa 15 dos Nuggets era capaz de pontuar de qualquer lugar e de qualquer maneira. A questão, porém, é que Carmelo teve que ver todos os seus "rivais" de draft serem campeões enquanto ele não conseguia conquistar um anel.
Ainda que seja um esporte coletivo, são as principais estrelas das equipes que são cobradas quando os times "fracassam" e não saem campeões. Com Melo, não foi diferente.
Em uma liga praticamente movida por narrativas, Anthony ainda teve um segundo grande problema: a chegada das estatísticas avançadas. O começo da última década trouxe um avanço importante na análise do esporte, mas que, ao mesmo tempo, mudou a percepção sobre diversos jogadores e sobre o jogo em si.
Com essa mudança acontecendo de maneira brusca e em pouco tempo, algumas verdades absolutas tomaram conta das narrativas, como o "fim do arremesso de média distância". De repente, um dos arremessos mais utilizados no basquete passou a ser totalmente escanteado e, com isso, quem era uma especialista nele acabou perdendo espaço.
Carmelo foi um desses nomes. Depois de ficar anos na liga sendo um dos principais jogadores com a camisa dos Nuggets e do New York Knicks, Melo passou de superestrela a um renegado pela liga.
Ainda nos Knicks, passou a ser criticado por ser "individualista demais" e foi chamado até de "superestrela decadente" durante a temporada que liderou a NBA em pontuação (2012/2013).
Com o passar do tempo, o desrespeito ficou ainda maior e Anthony chegou a ser considerado um "jogador no máximo mediano" por parte da imprensa americana. Entre 2017 e 2019, virou moeda de troca de várias equipes e chegou a ficar um ano sem pisar numa quadra de basquete - e não, não existiam 450 jogadores melhores que ele naquela época.
Em novembro de 2019, ganhou uma chance no Portland Trail Blazers e conseguiu recuperar um pouco da sua imagem. Seu último time foi o Los Angeles Lakers e Carmelo está eternamente no elenco dos 75 maiores jogadores de todos os tempos da NBA.
Mas que alguém sequer questione a sua presença entre esses jogadores ou que Melo foi um dos melhores jogadores que o basquete - não só a NBA, afinal ele é tricampeão olímpico - já viu, é uma prova de como ele foi desrespeitado por anos.
Nesta segunda, o basquete deu adeus a uma superestrela que ele mesmo não soube apreciar durante sua carreira.
