Astro do Brooklyn Nets perdeu temporada passada quase inteira por estar sem vacina
Na primeira coletiva da equipe do Brooklyn Nets na temporada da NBA, Kyrie Irving disse à imprensa que na edição passada recusou uma oferta de $100 milhões (perto de R$540 milhões na cotação atual), por quatro anos de contrato, a fim de manter sua condição de não-vacinado.
“Eu abri mão de quatro anos, US$100 milhões (R$540 milhões) e alguma coisa, para me manter sem vacina e esta foi a minha decisão”, contou Kyrie Irving na coletiva nesta segunda: “Ter ou não este contrato... Ser vacinado ou não... Para onde eu estarei nesta liga daqui uns anos... Como jogarei ou até se eu estaria nesse time... Então eu tive que lidar com esta decisão de vida, colocando meu trabalho em risco.“
Irving não se vacinou contra a COVID-19 e, por causa de um mandato da cidade de Nova York, perdeu todos os jogos em casa até março deste ano. Na temporada passada optou por ganhar US$36,5 milhões (R$196,3 milhões) em seu último ano de contrato ao invés de assinar o que lhe foi oferecido.
O jogador de 30 anos revelou que esperava ter assinado um contrato no começo da temporada passada, mas sentiu que a decisão de tomar a vacina foi como um ultimato da organização e não propriamente um contrato.
“Era para estarmos com tudo assinado no começo da pré-temporada na edição passada”, disse Irving: “E simplesmente não aconteceu porque não sabiam se eu era vacinado ou não. Então eu entendi que precisaria viver com essa situação e engoli a seco essa história. ”
Sean Marks, diretor geral dos Nets, negou que Irving tomou um “ultimato” da organização e não um contrato:
“Não teve ultimato por parte da organização, revelou Marks: “Mais uma vez, isso tem a ver com querer pessoas que você possa contar com elas, que estejam aqui e que você pode firmar o compromisso. Todos nós: equipe administrativa, jogadores, treinadores, quem você quiser. Isso não é dar um ultimato para que se vacine. É uma escolha pessoal e estou com Kyrie. Se é o que ele deseja, ele fez a própria escolha. Essa é a prerrogativa.“
Ainda assim, Marks reconhece que o fato do mandato obrigatório da cidade de Nova York e a decisão de Kyrie Irving se chocaram. Por isso as conversas sobre seu futuro na equipe ficaram estagnadas.
“No momento em que o mandato de vacinação chegou e todos sabiam que isso poderia afetar as condições de jogo de Irving em casa, as negociações pararam. Não chegamos a este ponto de impor condições que fossem apenas nossas: ‘aceite ou acabou’. Isso nunca aconteceu.”
Mark ainda revelou que as discussões sobre extensão do contrato com Irving foram levantadas novamente nesta intertemporada e que está confiante que o armador firmará seu compromisso com a equipe.
“No fim estamos muito felizes com Kyrie de volta”, comentou Marks: “Eu estou ouvindo as coletivas de imprensa desta manhã e digo: ele está junto conosco. Ele entende que para fazer o que quer na intertemporada precisará mostrar muito comprometimento com o time. Nós estamos felizes em ajuda-lo como pudermos durante a temporada para ter certeza que ele estará saudável e pronto para jogar.”
Irving disse que entende o lado da organização e de onde veio esta necessidade, mas ao mesmo tempo assinalou o quanto ficou frustrado que a decisão de não se vacinar “se tornou uma marca em sua carreira”.
“Eu entendo tudo que os Nets dizem”, disse Irving: “E eu respeito isso. Honro isso. Só não gosto dessa história de que por causa da minha relação com a vacinação agora ‘eu não quero jogar basquete’ ou que ‘estou deixando tudo para trás para ser a voz de quem não tem voz’. É uma marca dentro da minha carreira que não deveria existir. Não é a minha única intenção falar que sou a ‘voz dos que não tem voz’. Eu estou aqui por algo maior do que eu mesmo e por isso pontuo tudo isso neste momento.”
“E eu entenderia tudo no futuro. Tinha um nível de incerteza do que seria quando eu voltasse. Eu tinha questões sobre isso e que foram verdadeiramente respondidas. É tudo que eu precisava. E agora o importante é ter apoio de quem está ao meu redor e ajudar meus companheiros de equipe.”
Com o futuro de Irving em aberto na organização, Kevin Durant falou publicamente pela primeira vez depois de sua novela na intertemporada, onde pediu para ser transferido, depois requisitou que Sean Marks e Steve Nash fossem demitidos e terminou aceitando ficar nos Nets.
“Na temporada passada o clima de incerteza dominava o time”, disse o ala: “Eu assumi o compromisso com esta organização por quatro anos, em 2021, com a ideia de que iríamos jogar como aquele grupo que chegou a segunda rodada da pós-temporada em 2020. Eu sentia que outro ano de nós, saudáveis, conseguiríamos dar um passo a mais.” “Mas aí veio a temporada passada e nós vimos o que aconteceu. Muitos jogadores chegando e saindo, contusões, muitas incertezas e que causaram uma certa dúvida na minha cabeça quanto os próximos anos da minha carreira. Querendo ou não, eu estou envelhecendo e gostaria de estar em um lugar mais estável, na tentativa de criar uma cultura de campeão. Então eu tinha algumas dúvidas sobre isso. Eu disse isso para o dono dos Nets, Joe Tsai, e seguimos em frente com isso.” Durant disse que não está desapontado ou surpreso que ainda está em Brooklyn. “Eu sei que sou bom o bastante e que não seria transferido assim. Essa é uma coisa que eu gostei quando Sean e Joe falaram ‘você é bom demais para simplesmente deixarmos você ir’. Desse jeito fácil e simples. Eu entendi o que falaram. Eu sei quem eu sou.”
Além disso, Durant quis deixar claro sobre seu papel na organização e disse que “só pode controlar seu papel, que é ser um jogador de basquete.”
“Eu não sou o mediador entre Kyrie e a equipe”, disse Durant: “Eu sempre disse isso a eles. Eu sempre disse que Sean e Kyrie deveriam construir uma relação entre si sozinhos como todo mundo faz. Porque todo mundo é diferente de todo mundo e tem uma relação diferente com cada um.”.
O ala dos Nets ainda disse que a equipe poderia ter um desempenho melhor enquanto estava machucado. Coisa que, segundo seu julgamento, times que podem ganhar campeonatos fazem mesmo sem um jogador de alto impacto como ele é.
“Quando fiquei fora por causa da contusão, nossa equipe perdeu 11 jogos em sequência. E, sinceramente, não deveríamos ter perdido alguns deles, ainda que eu não estivesse em quadra. Então eu fiquei muito preocupado sobre a própria equipe e o que estávamos construindo. Eu sentia que poderíamos ter feito mais para ultrapassar esses momentos ruins. Times campeões fazem isso. Basta olhar os Warriors, que perdeu Curry por um mês e ainda foram para os playoffs. Eles conseguiram vencer mesmo sem seu melhor jogador. Luka Doncic também se machucou, mas o time continuou lutando e vencendo jogos.”
“Eu sentia que tínhamos talento para isso. O que mais ficou na minha mente foi: quando chegar este momento difícil de novo será que conseguiremos passar por ele? Eu estive em times campeões, em equipes que quase venceram a NBA e eles faziam isso. Então eu queria fazer parte de um time que tem isso, de novo.”
“Eu consigo segurar a barra quando a gente perde. Perder faz parte e eu entendo isso. O problema não é o resultado, mas como ele acontece. Eu não estava sentindo que os problemas seriam resolvidos. Eu não queria atrapalhar a situação, por isso eu esperei a intertemporada e disse às pessoas como eu me sentia.”
