Bill Russell foi 11 vezes campeão da NBA pelo Boston Celtics e um dos maiores nomes da história do esporte dos Estados Unidos
Neste domingo (31), morreu uma das maiores lendas da história do basquete. Bill Russell, 11 vezes campeão da NBA e medalha de ouro com os Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de de Melbourne em 1956, faleceu aos 88 anos.
Enquanto jogador, o ex-pivô só vestiu a camisa do Boston Celtics, com quem além dos títulos da NBA, também foi eleito cinco vezes MVP da principal liga de basquete do mundo.
Apesar de ter se doado à franquia, durante muito tempo Russell não foi amado nem pelos torcedores do time em que ele jogava por conta do racismo.
Durante uma turnê dos All-Stars da NBA em 1958 na Carolina do Norte, Russell e seus companheiros negros tiveram negados os direitos a quartos em um hotel que tinha um dono branco.
Antes da temporada 1961-62 da NBA, em Kentucky, o ex-pivô e seus companheiros relataram terem sido negados serviço em um restaurante local pela questão racial.
Por conta disso, Russell se tornou um ativista contra o racismo, sendo criticado pela forma ríspida com a qual tratava as pessoas e jornalistas.
A lenda do basquete uma vez teve sua casa invadida em Massachusetts. E os vândalos picharam as paredes de sua sala com falas racistas, destruíram sua estante de troféus e defecaram em sua cama. Em resposta, Russell chamou Boston de "mercado de racistas", segundo o jornal "Boston Globe".
Apesar de ter o melhor time nos anos 50 e 60 sendo campeão quase todo ano, os Celtics não lotavam a sua arena. Perguntado sobre o motivo disso, Russell respondeu: “Fizemos uma pesquisa sobre o que poderíamos fazer para melhorar o público. Mais de 50% das respostas foram ‘há muitos jogadores negros’. Os Celtics, para mim, eram um time azul em um mar vermelho. Isso significa que não havia realmente nenhuma conexão para mim entre os fãs em Boston e o Boston Celtics”.
"Durante os jogos, as pessoas gritavam coisas odiosas e indecentes: 'Volte para a África', 'Babuíno', 'Preto'", disse Russell, em entrevista à revista "Slam", em 2020.
Russell não foi à cerimônia que aposentou o seu número 6 nos Celtics em 1972, nem na sua introdução ao Hall da Fama, em 1975.
Em anos recentes, o ex-pivô mostrou uma espécie de reconciliamento em direção aos torcedores de Boston, conforme a briga contra o racismo que ele mesmo começou lá atrás tomou uma proporção maior e ele foi cada vez mais visto como um pioneiro.
