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ANÁLISE: Como os Celtics superaram 'noite de Michael Jordan' de Curry e venceram os Warriors no Jogo 1 das Finais da NBA

Finais da NBA: Celtics venceram Warriors por 120 a 108 e abriram 1 a 0 na série


Como dois pesos-pesados se estudando no round de abertura de uma luta valendo cinturão, Golden State Warriors e Boston Celtics abriram as Finais da NBA de 2022 na última quinta-feira (2), com os Celtics acertando o primeiro golpe na vitória por 120 a 108, de virada, na casa dos Warriors. A partida teve transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

O time de Boston ganhou o Jogo 1 com uma incrível série de 17 pontos seguidos no último quarto, a 2ª melhor série desse tipo em um jogo de Finais em 50 temporadas.

E, como muitos Jogos 1 de Finais de NBA, o duelo de quinta-feira começou com uma exibição de dois times de elite mostrando suas armas ao oponente, e também vendo o que conseguem e o que não conseguem lidar.

Os Warriors mostraram seu ataque sempre elegante, com muita movimentação e ações perfeitas sem a bola, testando a precisão defensiva do adversário. Já os Celtics trabalharam seu jogo de drive-and-kick, trabalhando a bola com paciência e esperando duelos favoráveis contra a rotação dos Warriors. As duas equipes usaram o que tinham de melhor em esquemas defensivos, com os californianos inclusive alternando para marcação por zona em alguns períodos do jogo.

Com uma reação absurda no último quarto, os Celtics tiraram uma desvantagem de 15 pontos. De "surpresa", o time de Boston disparou uma saraivada de bolas da zona de três. Em menos de sete minutos, os Celtics acertaram seis bolas de três, muita delas sob pesada marcação. Na metade do último quarto, os alviverdes já tinham acabado completamente com a vantagem dos Warriors.

Durante toda a partida, os Warriors foram "gelados" em quadra. Mas, na reta final, os Celtics anotaram 40 pontos, contra 16 do adversário, acertando nove de 12 bolas de três. É o maior número já registrado por qualquer equipe em um 4º quarto de jogo de Finais da NBA, de acordo com o banco de estatísticas da ESPN.

Apesar dos Warriors terem focado sua estratégia defensiva em Jayson Tatum, seus colegas de equipe Jaylen Brown, Al Horford e Derrick White providenciaram as armas para a reação final dos Celtics. Cada um deles deu ao time mais de 20 pontos, enquanto Marcus Smart ajudou com 18, incluindo quatro bolas de três, que acabaram compensando a noite ruim de Tatum (só acertou três de 17 arremessos em quadra).

Para ilustrar bem a improbabilidade do desempenho de Boston, as seis bolas de três acertadas por Al Horford foram o melhor desempenho de toda a sua carreira, tanto em jogos de temporada regular como playoffs. Já Derrick White abriu espaços em quadra, enquanto Brown, sempre oportunista no ataque, foi um leão na defesa com seu estilo de jogo agressivo.

Os Celtics não mostram o mesmo ataque elegante que define a equipe dos Warriors, mas já se estabeleceram como uma ameaça mortal com seus ataques de longa distância. Antes das finais, Boston fez 45,5% de seus chutes totais da linha de três pontos - só o Dallas Mavericks teve um número maior na pós-temporada.

As duas boas defesas, atualmente as mais fortes da NBA, não conseguiram conter os ataques rivais na primeira metade do jogo. E por mais fortes que os Celtics tenham sido defensivamente durante a temporada regular e os playoffs, eles negligenciaram o alvo número 1: encontrar Stephen Curry em quadra e ficar colado nele.

Só no 1º quarto, Curry, que busca seu primeiro prêmio de MVP das Finais, acertou seis bolas de três, sendo quatro delas sem qualquer defesa. Seus 21 pontos na abertura do jogo foram seu recorde pessoal em qualquer quarto de um jogo de Finais, o maior de qualquer atleta em um 1º quarto de Finais, e a 4ª maior quantia de um quarto em Finais - só Michael Jordan e Isiah Thomas fizeram mais. No final das contas, ele anotou 34 pontos.

Já os Celtics, que chegaram pelas Finais pela 1ª vez desde 2010 com a força de sua defesa, demonstraram que possuem um arsenal ofensivo que pode punir a rotação defensiva dos Warriors na noite certa. Se Boston conseguir equiparar uma fração de sua exibição ofensiva do Jogo 1 com sua tradicional força defensiva em mais três partidas, eles têm tudo para confirmar sua reconstrução nos últimos nove anos e levantarem o troféu.