Max Holloway defende seu cinturão BMF contra Charles do Bronx no evento principal do UFC 326, em Las Vegas, a partir das 19h. O havaiano chega à luta após subir em definitivo para os leves e aposentar Dustin Poirier.
O "Blessed" chamou a atenção do público ao dizer que seria algo "muito BMF" finalizar um especialista no chão. Charles, por sua vez, não acreditou no desafio, mas disse que toparia trocar em pé com o americano.
Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Holloway respondeu ao plano de Oliveira com entusiasmo, ressaltando a qualidade "BMF" do brasileiro em pé, e como ela complementa outros aspectos de seu jogo.
"Acho que o striking dele é muito bom, muito bom mesmo. O jiu-jitsu dele é muito bom também, mas ultimamente ele tem machucado os caras em pé para depois usar o jiu-jitsu. Não é como se ele estivesse quedando as pessoas e depois aplicando jiu-jitsu nelas", analisa Max.
Ainda sobre sua própria intenção de submeter o Charles, Max não volta atrás - ressaltando a imprevisibilidade do esporte como fator-chave para que isso aconteça.
"Vamos ver o que acontece. Nunca diga nunca. Estamos em uma luta de MMA. Não é uma luta de kickboxing, não é uma luta de jiu-jitsu. É uma luta de artes marciais mistas e o mais incrível é que vamos descobrir (o que vai acontecer)."
Os planos de Holloway para Charles, entretanto, não são novos. Desde que se tornou dono do cinturão BMF no UFC 300, Holloway admitiu que há poucos lutadores que sequer poderiam se classificar para batalhar pela honraria. E o brasileiro é um deles.
"Poucas pessoas tiveram a oportunidade de lutar pelo título BMF, e poucos nomes estão na disputa por ele. Antes mesmo dele me desafiar, eu já achava que ele era um dos caras que poderia ser um candidato ao título, e aqui estamos nós", explica Holloway.
"Quando ele me desafiou, é aquilo: nada é real até que o UFC ligue, e quando o UFC nos chamou, eu pensei: 'Legal, vamos resolver isso'", relembra.
Com o brasileiro em mente no mínimo desde o UFC Rio, que aconteceu em outubro de 2025, Holloway se demonstra tranquilo para a luta, respeitando o brasileiro, mas sabendo que pode impor seu jogo.
E, se há uma parte de seu estilo de luta que é amada pelos fãs, é a agora icônica "apontada da morte". Caso esteja ganhando a luta, nos últimos 10 segundos, Max chama seu adversário para o centro do octógono e dá a ele uma última chance de vencer em meio a uma trocação insana.
Desde que Holloway aplicou essa "técnica" em Justin Gaethje no UFC 300, ela tem se tornado cada vez mais copiada. Lutadores desesperados em meio a uma vitória usam o mesmo movimento. Outros atletas buscando mais projeção midiática também. Mas são poucos que respeitam as regras estabelecidas por Max na noite em que conquistou o BMF.
Da sua parte, Holloway admite ficar contente de servir de inspiração: "Acho isso legal. E não são só os lutadores do UFC que estão fazendo isso, mas sim atletas do mundo todo. Acho que até existem promoções que oferecem um bônus por isso, então é muito bom começar algo assim", explica.
Quanto aos copiões que "desonram" a tradição, ao menos aos olhos de alguns fãs, Holloway não parece se importar muito.
"As coisas são assim. Cada um é cada um. Eu estabeleci as regras. Eu disse o que tinha a dizer. E quem vive pela espada, morre pela espada", pontua o "Abençoado".
Ainda assim, Holloway preferia vencer todas as lutas com um nocaute no primeiro round, ao invés de no último segundo, como confirma o havaiano
Só o tempo dirá se a noite de sábado virá mais uma vez a agora tradicional apontada para o chão. Até lá, Holloway mantém o respeito, mas se mostra confiante para o UFC 326.
"Quando entrarmos no octógono, tenho 25 minutos para fazer o meu trabalho e que vença o melhor. E a todos os fãs brasileiros, eu sei como é, já estive nessa posição antes, mas um suspiro e um pote de leite com castanhas de caju para todos", finaliza o campeão.
