Jovem lutador brasileiro teve que ser vender doces nas ruas da Europa para manter vivo o sonho de se tornar lutador do UFC
Imagine buscar ser lutador do UFC e se ver vendendo brigadeiro nas ruas de Portugal para se manter. Foi assim que Allan Begosso, de 27 anos, participante do Contender Series, e sua esposa se mantiveram durante quase quatro meses na Europa antes de rumarem para os Estados Unidos e o lutador seguissem com o sonho do UFC. A passagem como vencedor durou pouco e só aconteceu por conta de uma confusão.
“Minha esposa recebeu uma oferta de emprego em Portugal e eu estava machucado e não conseguia lutar. Pensamos juntos e decidimos ir. Lá não foi nada como a gente esperava e o dinheiro separado para ficar três meses acabou em um. Tínhamos que fazer alguma coisa e a minha mulher sabia cozinhar esses brigadeiros mais gourmet sabe? Ela fez e saímos para vender”.
“Não tinha segredo. Sempre íamos a pé e a gente abordava as pessoas falando a verdade. ‘Somos um casal do Brasil, estamos tentando nos manter aqui e temos estes brigadeiros. Poderiam nos ajudar? ’ Assim foi e conseguimos vender tudo. O dinheiro que entrou acabou sendo o valor que nos fez comprar mais coisa para fazer mais brigadeiro e seguir nessa. Assim nós seguimos nos mantendo em Portugal e conseguimos chegar nos Estados Unidos”.
Em terras americanas, Allan superou outros obstáculos, conseguiu voltar a treinar, lutar e as chances foram aparecendo em sua carreira. A oportunidade no Contender Series apareceu depois de uma passagem de muito sucesso pelo LFA. Com boas atuações na organização, Begosso ganhou a oportunidade de buscar uma vaga no UFC e fará a luta principal do evento desta terça-feira (13), contra Farid Basharat, que está invicto como lutador profissional.
"Sinceramente? Não me importa quem está do outro lado. É a chance da minha vida. Não vou deixar passar. Vou mostrar tudo que eu posso. Vou dar tudo, tudo mesmo que eu tenho dentro do octógono. Vou conseguir este contrato com o UFC", disse Allan.
A chegada nos Estados Unidos e o renascimento para o sonho
Com o dinheiro da venda dos brigadeiros em Portugal, Allan Begosso e sua esposa conseguiram o dinheiro para ir para os Estados Unidos. De volta para a América, o brasileiro achou que seria mais fácil a caminhada no MMA, mas se enganou.
“Pensei que seria mais tranquilo que em Portugal, mas não deu certo. Acabamos indo morar em um lugar muito ruim, depois de um tempo o dinheiro acabou e eu precisei começar a trabalhar. Por uma série de coisas que aconteceram, os treinos acabaram ficando de lado e, com o tempo, veio a depressão”.
Para sair desta situação, Allan Begosso não esconde que precisou e buscou ajuda. “Sozinho eu não iria conseguir. Precisei da ajuda da minha psicóloga, que está comigo até hoje e é peça importante no meu momento, e minha esposa dando todo o suporte. Com essa ajuda eu tive força para sair daquilo que estava vivendo".
Com este apoio, Allan se recuperou e conseguiu voltar a fazer o que mais gosta. Com a volta da rotina de treinos, o brasileiro passou a buscar uma chance de lutar, mas isso era outro problema. Para voltar a atuar, o brasileiro precisava do visto de atleta, que custava mais de cinco mil dólares.
Por conta disso a espera pela volta ao octógono aumentou e demorou mais de dois anos. Quando conseguiu a liberação para voltar a lutar, Allan mostrou toda a sede de vitórias e passou a ganhar destaque em todos os torneios que disputada. Por conta de boas atuações no LFA, Allan chamou a atenção do UFC e ganhou a chance de estar no Contender Series.
