Jake Paul além das câmeras: o sonho de ser bilionário, inspiração em Muhammad Ali e 'maior medo da vida' contra Tyron Woodley

Jake Paul começou a rabiscar pôsteres na parede de sua casa na praia de Dorado, em Porto Rico. Essas são as frases: "Faça história". "Atleta Focado". "Vença". "Vença!!". "Retribua". "O que Jordan faria?". "Pássaro Secretário". "Energia de Orca". "Água-viva - sem coração, o animal mais assassino".

Do outro lado das portas de vidro que dão no exterior de sua piscina, Paul treme durante seu banho diário no gelo no que parece uma geladeira chique. Seu assistente, Marcos Guerrero, me convidou para sentar com Paul enquanto ele faz algumas ligações de negócios. Temos mais coisas nos pôsteres, objetivos para cada semana que antecede a luta com o ex-campeão do UFC Tyron Woodley neste domingo. Ao lado de cada item está um círculo colorido quando o objetivo é alcançado.

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"6 banhos de gelo" - colorido. "3 sessões de sparring" - colorido. "Zoar o UFC" - colorido. "Conhecer Trump" - colorido.

Jake entra na casa e senta na cabeça de sua mesa de jantar. Seu cabelo de miojo cai na sua cabeça e seu nariz parece fora de lugar. Ele veste uma camisa branca com o quadrado azul de sua nova ONG, Boxing Bullies. Acima dele na parede atrás está uma pintura de Paul gritando após o nocaute contra Ben Askren em abril. O chef de Logan, que me disse que o lutador e seu staff consomem 18 caixas de ovos por dia, lhe traz um omelete. Paul coloca na mesa diversas folhas de papel com listas do que fazer diariamente, o que ele está fazendo errado no sparring e "objetivos a se cumprir".

Objetivo a se cumprir - "Preciso melhorar meu estilo."

Guerrero, que fará 22 anos nesta semana, mas um membro do staff descreve como "parecer ter 45", senta do lado com uma camisa larga e shorts, olhando para Jake através de seu notebook ou celular para falar frases curtas de "supercompetência". Ele relembra Paul de quando é a próxima reunião, com quem ele irá conversar e o que falar. O youtuber pega sua caneta e anota uma nova informação a cada conversa que tem com Guerrero ou pelo telefone. Uma nova bolha precisa ser preenchida, um novo item de ação aparece. Acontece que Paul, uma das maiores representações da sua cultura visual e online, é meticuloso.

Pergunto o que são as coisas com o pássaro secretário, a orca e a água-viva. Ele diz que estuda um animal letal cada semana para lembrá-lo de que o boxe é impiedoso. Ele pega seu telefone para atender uma ligação de Tyler Winklevoss, um dos dois gêmeos bilionários do mundo dos bitcoins e que não inventaram o Facebook.

Paul ama falar com bilionários porque sempre quis se transformar em um desde que deixou sua cidade natal, Ohio, aos 17 e foi para Los Angeles tentar ser famoso nas redes sociais junto com seu irmão Logan. Se você conhece o nome Logan Paul, você ou o odeia ou sabe que deveria odiar. Algumas de suas transgressões são triviais: sua música, "It's Everyday Bro", é o 16º vídeo mais odiado da história do YouTube. Ele não é bem-vindo em Beverly Grove ou Calabasas.

Existe uma aura de golpista em torno dele: se os números de pay-per-view contra Askren forem sequer próximos da realidade, Paul, com um cartel de 3-0, é um dos boxeadores mais lucrativos do boxe mundial, apesar de nunca ter lutado com um boxeador treinado. Críticos dizem que ele enganou crianças sedentas por sucesso nas redes para comprarem seu curso de "como-virar-um-influencer" chamado Edfluence. Mas além disso, ele também foi acusado de crimes.

No último verão, o FBI fez uma busca na mansão de Jake na Califórnia em uma investigação sobre um saque a um shopping no Arizona (o FBI não prestou queixas desde então). Ex-empregados e amigos relataram abusos enquanto estiveram ao lado dele. E no início do ano, Justine Paradise, uma tik-toker famosa, postou um vídeo de 20 minutos no YouTube onde alegava ter sido assediada sexualmente por Paul, uma acusação que ele negou.

Ele está se gravando para a internet desde que tinha 10 anos. Ele passou por várias adolescências de uma criança-estrela. Foi demitido da Disney (à época, as partes falaram em acordo mútuo), foi gravado falando a palavra com N em um freestyle, processado pelas bobagens que o deixaram famoso. Nada disso diminuiu o número de seguidores, inscritos e dinheiro que ele acumula. Ele aprendeu que pode mergulhar de cabeça no abismo que sempre haverá algo que o trará de volta flutuando até o topo da notoriedade.

De primeira, o dinheiro e a fama de Paul se confundem. Um escrutínio revela um jovem ambicioso, moldado para vencer nos termos que a cultura lhe propôs. Ele deixou a atenção de seus seguidores e o dinheiro dos patrocínios decidir sua vida quando jovem e não parou de pensar desde então quem ele deveria ser. "Eu sou um animador. Ponto. É isso que Jake Paul é", ele diz. "Meus meios de entreter estão apenas evoluindo conforme fico mais velho."

Parte do que Paul odeia sobre sua carreira nas redes sociais é a qualidade circular. "É um poço sem fundo. Imagine alguém comendo e a comida só passa pelo corpo. Nas redes sociais, você deve continuar postando. Deve continuar criando. Você tem que ter novas ideias e fazer novos 'corres' o tempo todo. O tempo todo se você quer ser o melhor. Mas assim que você para, não sobra nada."

Pergunto qual a diferença entre onde ele quer chegar e onde ele esteve, entre celebridade e influencer.

"Um influencer, você tira seu Instagram, seu Tik-Tok, seu YouTube, ele está f**. O que eles irão fazer? Isso é ser influencer. Se você ficar sem redes sociais e ainda consegue fazer o que quer que seja que faça, aí você não é um influencer, é uma celebridade".

Na sequência, questiono se uma derrota para Woodley ameaça seus planos. Hesitando, ele diz sim, antes de confessar que perder neste domingo é seu maior medo.

"Se eu fizer tudo certo nas próximas lutas e vencer, vencer e vencer mais duas vezes, posso me aposentar do esporte tendo feito entre U$ 250 e U$ 500 milhões. Então seria uma m** não fazer isso".

"Um dos meus objetivos desde criança era ser um bilionário. Só para ver se eu consegui. E agora está aqui. Acho que, vencendo lutas ou não, virarei um bilionário só pelo desafio. Nem saberia o que fazer com tanto dinheiro, nem sei atualmente. É só pelo desafio. Gosto do desafio mais que qualquer coisa. E perdê-lo cedo por causa de uma derrota seria uma m**, simples assim."

"Para seu perfil de Jake Paul, você pode escrever 'ele é um lixo' 3000 vezes?", diz um email de um ex-colega. "A ESPN realmente vai dar espaço para esse cara?", uma mensagem de um familiar. "C**, esse lixo humano não merece NADA da nossa atenção", de um amigo.

Dada a relação dele com a mídia, pergunto para Jake por que ele aceitou fazer essa entrevista.

"Acho que é interessante ver alguém interpretar minha vida. Então estou genuinamente ansioso para ver o artigo que você vai escrever", ele diz. "E também acho que o que estou fazendo é diferente, especial, algo que só acontece a cada 100 anos nesse esporte. E acho que é legal espalhar minha mensagem".

Pergunto que mensagem é essa, ele responde que não quis dizer "mensagem", mas sim sua "história". Me diz que Muhammad Ali é sua principal inspiração. Mordo a língua.

O que ele nunca considerou, que a vida provavelmente ensinou que era impossível, é que qualquer ponta solta pode diminuir sua fama. Ele viu todos os vídeos virais. Desde a escola ele sabe que o verdadeiro sentido do dinheiro é permitir àquele que o detém continuar vencendo ao acumulá-lo ainda mais. Ele ainda tem dificuldades de entender o que a performance dessa vitória significa. Ele se vê como uma "pessoa simples". Ele quer espalhar sua mensagem. A mensagem é que não tem mensagem. Ele acha que estou aqui para ajudar. Talvez esteja.

Se o talento final de Jake Paul é transformar atenção em dinheiro, então escrever sobre ele é outra maneira de pagá-lo; escrever sobre ele faz de nós dois criaturas da mídia. O que quer dizer que nossas gracinhas não são tão diferentes. Ele quer que você leia isso. Eu também.