Paulo Borrachinha não luta nesta semana no UFC, mas tomou as manchetes do mundo inteiro com uma revelação bombástica e dizer que estava sob efeitos de uma garrafa de vinho no combate em que foi nocauteado por Israel Adesanya, em setembro do ano passado. Alguns dias depois, o irmão e treinador Carlos Borracha revelou a história completa por trás da fatídica bebida.
Em entrevista ao Portal do Vale-Tudo, Borracha contou toda a cronologia do que aconteceu. Veja abaixo a transcrição completa da entrevista:
“O Borrachinha fez duas cirurgias no bíceps, tinha parado de treinar por isso e ele ficou muito pesado. Tivemos que viajar com 15 dias de antecedência porque fomos para Londres, depois para Dubai e tinha que ficar preso no apartamento. Na semana da luta, ele estava com 96kg. A gente ficou muito preocupado com o peso, achamos que tinha o risco de não bater. Tivemos que treinar muito para bater e a gente não faz isso na semana da luta, é uma semana de mais técnica, estratégia.
Logo depois que bateu o peso, falei que íamos treinar no horário da luta. Mas ele disse que estava muito cansado e precisava dormir. E foi outro erro meu, ele dormiu até 13h e depois quis treinar muito forte, era um treino só para dar uma soltada. A noite ele sentiu muita câimbra na perna. Mas ninguém me chamou, não soube nada disso. Fiquei sabendo só pela manhã, às 5h. Foi quando a namorada dele me falou que ele não estava bem, que não tinha conseguido dormir, mas sem falar nada do vinho.
O Borrachinha levou a namorada e ela ficou no mesmo quarto. Eu fiquei em outro com o Badola (treinador de boxe). Isso foi um erro, não termos ficado no mesmo quarto. Fiquei achando que poderia atrapalhar um pouco, tirar a liberdade. Foi um erro que reconheço ter cometido. Se tivessem me chamado no quarto, na hora não iria concordar e não aceitaria que tomasse o vinho. A gente já sabe que uma taça já faz diferença nos reflexos, imagina tomar a garrafa inteira.
No vestiário, vi que o Borrachinha não estava bem. Até comentei com o Wallid que ele estava diferente. Ele pediu para eu jogar água na cara de e bater na cara dele. Coisa que ele nunca fez! Eu sempre tive que frear ele.
Ele falou para mim que 2 e meia da manhã ele não estava conseguindo dormir e não sabia o que tomar por causa do doping. Melatonina não ajudou e ele sempre tomava o vinho. O médico aconselhava que ele fizesse isso durante os treinos, para poder relaxar quando estava muito cansado. Quando ele viu ali o vinho, acho que pensou que era a última opção que tinha.
Ele me contou no vestiário que tomou um copo, não adiantou. E depois tomou praticamente uma garrafa de vinho inteira. Na hora que ele me contou isso, eu pensei: ‘Puta merda, ferrou!’. Como é que o reflexo ia ficar dormindo 2h30 e tomando uma garrafa de vinho.
Às 5h40 ele saiu do quarto para ir ao ginásio, 3 horas depois. Claramente os reflexos estavam afetados pelo vinho. Se tivessem me dito dentro do quarto, eu diria que ele não ia lutar. Mas quando fiquei sabendo, estávamos no vestiário, minutos antes da luta. Eu não fiquei sabendo.
Eu errei juntamente com ele por não estar no quarto junto com ele. Que fosse lutar sem dormir, mas não com o efeito do vinho. Até já falei com ele e a namorada que na próxima luta vou ficar lá no meio dos dois, vou dormir no meio dos dois.
Se ele não estivesse sob efeitos do vinho, tenho certeza que conseguiria fazer uma leitura melhor da luta, o momento que deveria apertar, o momento que deveria evitar o adversário... No aquecimento ele estava golpeando e em alguns momentos se desequilibrando um pouco. Tenho certeza que isso afetou completamente. Além da panturrilha estar dolorida, com câimbra. Foi tudo muito errado, muitos erros. E a gente pagou por todos eles”.
No duelo contra Adesanya, Borrachinha começou muito mais devagar que de costume e não pressionou o rival. Acabou nocauteado ainda no segundo round.
