Já falta bem pouco para que um dos embates mais esperados do MMA em 2021 aconteça. Neste sábado (13), em Las Vegas, Gilbert Durinho e Kamaru Usman disputam o cinturão dos meio-médios e fazem a luta principal do UFC 258. E se vencer o nigeriano, o brasileiro poderá conquistar título inédito para o Brasil no Ultimate na categoria.
E esta luta representa mais do que uma disputa pelo cinturão. Ela coloca frente a frente dois ex-companheiros de academia, e que acabaram tomando rumos opostos após a confirmação do embate pela liga. Enquanto Durinho seguiu na Sanford MMA, na Flórida (EUA), Kamaru decidiu ir para o Colorado, se juntando à Elevation Fight, em junho do ano passado.

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Além disso, o embate, previsto para acontecer em junho do ano passado, no UFC 251, só terá vez nos octógonos agora em fevereiro porque o brasileiro testou positivo para COVID-19 e a luta precisou ser adiada.
Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Durinho falou sobre as expectativas para enfrentar Kamaru, lembrou da relação que tinha com o nigeriano e ainda fez uma revelação sobre a luta, que poderia, inclusive, já ter acontecido no fim do ano passado.
Sobre encarar o ex-companheiro da Sanford, Durinho elogiou as qualidades do seu oponente, lembrando do período em que treinaram juntos e deixou claro que, por conta disso, também conhece muito bem os pontos fracos do seu adversário.
“Kamaru é um cara bem duro. Gosto de um cara com as qualidades dele, que gosta de treinar, que dá o máximo no treino. Por isso gostava de treinar com ele. Porque sabia que ia ser um treino muito duro, que é um cara que tem uma dureza mental muito forte, fisicamente ele é forte. É aquele cara que vai para cima. Por isso eu gostava muito de treinar com ele. Então deu pra, em cima dessas características, trabalhar muita coisa voltada na estratégia em cima dessas características. Sei que ele é um cara que tem um mental muito forte. Sei que ele é um cara que fisicamente é forte. Mas sei também várias fraquezas do jogo dele. Uma delas é o jiu-jitsu, uma delas é ele ficar por baixo, uma delas é ele andar para trás. Então trabalhamos muito em colocar ele em posições desconfortáveis e eu também treinei muito as minhas posições desconfortáveis. Na verdade, a maioria do meu treinamento foi eu nos meus pontos e eu nos pontos fortes dele para estar pronto para qualquer situação. Ele é um cara que, mermão, se eu tiver que falar do Kamaru ele é um cara que treina para caramba. Ele é guerreiro, aguerrido. Treina para caramba, é bem profissional. É cheio de lesão, se machuca para caramba, está com a carcaça toda quebrada. Joelho machucado, pé machucado, já quebrou nariz, é tudo arregaçado ali. E sempre vai bem machucado para as lutas, é uma coisa que eu sei. Tem muita coisa no jogo que é para direcionar para esse lado. Se ele tiver com qualquer lesão, eu vou achar. Quero trabalhar bastante golpe no corpo inteiro dele ali e, cara, vai ser uma guerra. Ele é um cara bem duro. O que eu tenho para falar dos treinos com ele é que eu nunca tive moleza com ele e eu vou estar trabalhando em vários pontos fracos dele que eu posso explorar bastante”, começou por dizer.
Sobre a possibilidade de a luta ter acontecido no fim do ano passado, um bom tempo após Durinho se recuperar da COVID-19, o brasileiro deixou claro que não foi por falta de oportunidade, mas sim porque o nigeriano ainda não estaria preparado.
“O que eu ouvi do UFC foi isso, que ele não estava pronto ainda. Com essas palavras, que ele não estava pronto, que tinha algumas lesões que tinha que melhorar. Mas eu fiquei sabendo de várias coisas, que o nariz dele estava machucado naquela luta com o Masvidal, teve lesão no joelho, normal, sempre teve. Então, ele era o campeão, né? Eu tive a oportunidade, não pude lutar no dia 11 de julho, então tive que esperar. Não vejo problema nenhum em esperar treinando, melhorando. Quanto mais tempo os caras vão me dar, pode ter certeza: se o Durinho contra o Demian tava bem, se o Durinho contra o Woodley tava bem, esse Durinho depois de seis, sete meses vai estar muito melhor. É minha obrigação melhorar a cada luta. Então vou estar melhor”, prosseguiu.
"O Kamaru, se eu fosse nomear algumas coisas boas dele... não acho ele tão grande assim. Ele é um "Sabirila", como a gente chama lá em Niterói, ele é um perna de sabiá e carcaça de gorila, ele tem as perninhas muito fininhas ali. Fisicamente, na parte de cima do corpo, ele é forte, sim, tem os braços longos, uma perna longa, mas eu falaria, se fosse falar dos principais pontos fortes dele, seriam a envergadura, ele é muito longo para a categoria e usa bem, o segundo seria o wrestling e o terceiro seria a inteligência de luta. Não acho ele tão técnico assim, mas ele é inteligente. Ele sabe lutar de uma maneira segura, de uma maneira disciplinada. A quarta seria o cardio e, por último, seria a força. Eu acho ele forte, mas eu não acho que ele é o mais forte da categoria. O Woodley era forte para caramba. Ele me deu uma segurada na hora que eu montei nele que parecia que eu ia acabar com a luta e ele me travou, gastou minha força no 1º round. Achei o Woodley bem forte. Eu acho que ele (Kamaru), é forte. Mas não acho ele assustador de força igual nego fala, não. Vamos ver. Dia 13 a gente vai tirar a prova real, mas acho que a força dele não é o principal atributo dele, mas sim envergadura, cardio, wrestling, a inteligência de luta se sobrassaem mais que a força”, completou.
Por último, Durinho ainda falou sobre a possibilidade conquistar o cinturão inédito e deixou claro: é agora ou nunca.
“O que passa na minha cabeça é que chegou a hora e vai ter que ser agora. E é a hora. Vim trabalhando duro anos para isso. Muita dificuldade no meio do caminho, não foi pouca, não. Passei por um monte de coisa, engoli um monte de sapo. Tive que trabalhar em um monte de coisa no caminho, tive que passar por várias situações para chegar até aqui e agora. E cheguei até aqui para que? Para ser mais um? Para não ganhar? Não. Cheguei para ser campeão e isso é o que me fortalece. Quando eu paro e faço essa reflexão de "putz, chegou", vejo que não cheguei aqui para perder, não. Para nadar e morrer na praia. Cheguei para ser campeão e vamos trabalhar. Tem trabalho a ser feito e o trabalho só vai acabar quando o juiz falar "acabou, vai cada um para o seu lado". Até essa hora eu vou estar trabalhando e dando meu máximo em tudo para levar essa vitória. E é uma confirmação de que eu venho fazendo algumas coisas certas para estar nesse caminho”, finalizou.
Também em entrevista ao ESPN.com.br, a mulher de Durinho, Bruna Burns, e seu irmão mais novo, Herbert Burns, que também compete no UFC, mas no peso-pena, falaram sobre a relação do lutador com Kamaru.
Bruna lembrou, inclusive, que há alguns anos os filhos da família Burns brincavam com os de Kamaru, frequentando festas de aniversário e tudo mais, mas de uns tempos para cá isso mudou.
“Quando eles treinavam numa academia aqui em Boca (Ratón), nossos filhos eram mais juntos porque eles têm diferença de um mês, o meu filho mais novo e a filha dele. Então praticamente até os 3,4 anos, eles brincavam bastante na academia. O Kamaru é um super pai também. Ia em festa de aniversário, mas fora da academia a gente nunca foi tão próximo assim, sem ser aniversário ou alguma coisa que eles fossem fazer juntos”, começou por dizer.
Em relação à saída de Kamaru da Sanford, Bruna Burns lembrou que a confirmação do combate entre os dois lutadores não foi o único motivo para a mudança.
Acho que o Kamaru decidiu sair, por outras coisas, não só porque iria lutar com o Durinho, ele já estava pensando em sair da academia antes da luta ser anunciada. Nada a ver com ninguém da academia. Como ele disse, queria um treino mais individualizado para ele, acho que ali ele não iria conseguir por ter tanta gente, e tanta gente boa, e ele saiu. Comigo, eu sempre falei, “oi, tudo bem? Como é que está?”, mais por causa das crianças, mas não mudou nada não. Bom, da nossa parte não mudou nada”, completou.
Já para Herbert, Kamaru sempre serviu de inspiração para muitos dos lutadores que treinam na Sanford. E na sua visão, ele entende perfeitamente o motivo de a relação entre o nigeriano e seu irmão ter mudado após a confirmação da luta e a sua saída da academia.
“O Kamaru era um parceiro de treino, o Gilbert era mais colado com ele por serem da mesma categoria e treinarem mais, porque eu sou duas categorias abaixo da dele, dificilmente eu treinava com o Kamaru, mas era um cara que inspirava o time pela ética de trabalho dele. Treinava e sempre treinou duro para caramba, e era um campeão do UFC, fez uma campanha muito boa no UFC e sempre inspirava a gente. A gente olhava para o cara e falava: o cara trabalha para caramba e as coisas acontecem para ele, então a gente tem que seguir esse caminho. O Gilbert teve uma campanha boa no peso-leve, mas com alguns altos e baixos, quando ele mudou para o peso meio-médio, as coisas começaram a acontecer bem mais rápido. E quando ele lutou com o Demian, eles sempre se deram bem. Minha relação com o Kamaru é boa, sempre foi um bom parceiro de time, era um cara que motivava a gente a treinar duro, e ele o Gilbert são um pouco mais colados, mas quando o Gilbert começou a entrar em rota de colisão com ele, o Kamaru decidiu um novo caminho para ele, de mudar de academia, de ir para o Colorado treinar. A gente respeita isso, eu sou irmão do Gilbert, quero muito que ele ganhe a luta, e quem é do nosso time, da Sanford, quer o campeão de volta. O campeão tem que ser do nosso time, a gente tem o melhor time do mundo e a gente vai provar isso tendo um campeão do nosso peso”, começou por dizer.
“É difícil você ficar trocando ideia com um cara que vai lutar com você. Você não quer ficar de tão amizade assim porque, na hora da luta, você sabe que o bicho vai pegar. Mas partiu do Kamaru, ele que quis buscar novos ares. Tudo na vida tem um ponto bom e um ruim. Lá ele tem atenção de todos os coachs, mas tem menos parceiros de treino. Os dois se conhecem muito, então não vai ter muito mistério na luta ali. Cada um sabe o ponto forte um do outro, o do Kamaru é o Wrestling, o do Gilbert é a mão pesada e o jiu-jitsu, mas eles escolheram uma preparação diferente, eles têm que escolher o melhor para eles. Eu vejo o Gilbert pronto fisicamente e mentalmente, e ser o primeiro brasileiro campeão do meio-médio”, prosseguiu.
Por último, Herbert ainda opinou sobre o combate e, para ele, Durinho irá conseguir uma vitória por finalização.
“Eu acho que o Gilbert tem tudo para chegar lá e fazer uma luta, acho que ele vai terminar a luta, não acho que vai ganhar na decisão, acho que ele vai terminar a luta. Não sei se vai ser na mão ou no jiu-jitsu, mas eu vejo ele afiado e pronto mentalmente para ele ser o campeão e fazer o legado dele na categoria do meio-médio. Chegar no topo é difícil para caramba, mas se manter é ainda mais difícil. Só alguns caras conseguem, o Kamaru está fazendo isso agora, mas eu acho que o tempo dele já passou, vai passar a bandeira para Gilbert, e ele vai fazer a própria história dele como campeão do meio-médio por algum tempo”, finalizou.
