Faltam poucos dias para um dos embates mais esperados do MMA em 2021. No próximo sábado (13), Gilbert 'Durinho' e Kamaru Usman fazem a luta principal do UFC 258, em Las Vegas, e o brasileiro tem a chance de fazer história no Ultimate, podendo ser o primeiro do seu país a conquistar o cinturão dos meio-médios (77 kg) na liga.
Por trás de todo o momento mágico que vive o brasileiro no UFC, com cartel de 19 vitórias e 3 derrotas e na rota do cinturão inédito, existem algumas histórias para lá de curiosas. Entre elas, a da influência que um ex-campeão do Ultimate tem na carreira de 'Durinho' no MMA.
Estamos falando de ninguém menos que Vitor Belfort, ex-campeão do meio-pesado na liga presidida por Dana White. Em 2011, ele levou Durinho para os Estados Unidos, coincidentemente também para Las Vegas, depois de ver potencial para 'Durinho', hoje com 34 anos, no MMA.
Na época, 'Durinho', que é o apelido de Gilbert Burns, havia sido tetracampeão mundial de jiu-jitsu, na Califórnia, e foi campeão sobre Kron Gracie na faixa-preta. Não demorou muito para ele receber o convite de Belfort.
A relação entre os dois lutadores permanece estreita até os dias de hoje. E, segundo alguns dos familiares de 'Durinho', Vitor tem papel fundamental no crescimento do seu pupilo, não só na técnica, mas também no mental. Foi o que o possível próximo campeão do meio-médio do UFC disse em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.
"O Vitor foi um cara sensacional na minha carreira. Foi um mentor muito bom, que me ajudou muito no começo. Acertei em várias decisões por causa do Vitor. Na transição do jiu-jitsu para o MMA, ele já havia tido essa transição por um dos melhores - se não o melhor -, o Carlson Gracie que foi o que fez essa transição com o Vitor, então ele me passou muita coisa disso. O Vitor é uma Enciclopédia do MMA, sabe muito. A gente se fala até hoje e várias lutas ele fala, na luta contra o Demian ele falou "mermão, você vai nocautear o Demian com um cruzado na frente. Deixa ele afiado que vai entrar". Na luta do Woodley ele falou "joga o overhand de encontro com ele que ele vai sentir e vai cair". E várias outras lutas. Ele sabe muito de MMA", começou por dizer.
"É bacana demais ter um cara como o Vitor me ajudando no dia a dia. Ele já me deu vários toques na luta contra o Kamaru, falou de vários golpes que eu posso usar que vai acertar ele. É ótimo ter caras com esse QI de luta que o Vitor tem, é sem preço", concluiu.
Também em entrevista ao ESPN.com.br, a mulher de 'Durinho', Bruna Burns, e seu irmão caçula, Herbert Burns, que também compete no UFC, falou sobre a relação de Gilbert com Belfort, e sobra a sua importância para a carreira.
Sobre Belfort ter virado uma espécie de mentor de Gilbert, Bruna lembrou que o marido sempre soube ouvir e filtrar os melhores ensinamentos do ex-campeão do UFC, o que o ajudou muito.
"O Vitor tem uma parte importantíssima na carreira do 'Durinho'. Eles sempre se ligam. O Vitor agora é um mentor: o que treinar, às vezes ser um pouco inteligente, não treinando demais para não dar overtraing, na dieta...porque o Vitor já faz isso há 20 e poucos anos, então é muita experiência que ele tem, então o Durinho gosta de ouvir. Ele tem esse lado bom de conseguir escutar as pessoas, ao mesmo tempo conseguir filtrar o que as pessoas falam", começou por dizer.
Bruna ainda lembrou que, além de Vitor, 'Durinho' também divide a sua carreira e o dia a dia com outros 'mentores', que ela fez questão de citar um por um, incluindo o seu treinador, Daniel Evangelista.
“Acho que é um acúmulo de mentorias. Ele teve ótimos professores, teve algumas experiências boas, outras nem tanto, mas todas as pessoas que passaram como mentores dele trouxeram coisas boas para ele. O Rafael Fofitio foi quem deu a faixa-preta para ele, o Ramon Lemos, que levou ele para São Paulo e mostrou para ele que ele podia, sempre confiou nele. Aí, quando ele foi para o MMA, o Vitor, que com a experiência dele mostrou que ele poderia ter outras armas além do jiu-jitsu, treinar o striking dele, sempre acreditando e falando: você pode. E ele fica até bricando que, para um kick boxer amador, ele é muito bom no jiu-jitsu. O Daniel foi muito importante porque agora o Durinho tem um sistema, então cada um tem um papel importante. O Daniel tem a estratégia, de ver o que o Durinho está fazendo de errado, de certo, porque como o Durinho se cobra muito, ele também precisa de alguém que diga: não, você também está fazendo certo. Ele se critica muito, então às vezes isso atrapalha porque ele não consegue reconhecer que ele está fazendo uma coisa boa também. Fora a Luciana (psicóloga), preparação física, acho que em cada área, juntando todo mundo, é o Durinho de hoje. Ele evoluiu muito como lutador, mas, além de lutador, e não porque eu sou a mulher dele, mas quem conhece, sabe que ele evoluiu muito mais como ser humano. Não quer passar por cima dos princípios", concluiu.
Herbert, que atualmente compete na categoria do peso-pena do UFC, também ressaltou a importância de Vitor na carreira do irmão e citou alguns dos pontos que Gilbert conseguiu melhorar depois de ter o compatriota como mentor.
“O Belfort foi um dos caras que apadrinhou o Gilbert no começo, levou ele para os Estados Unidos, e é uma inspiração, não só para o Gilbert, mas para mim também. Ninguém fica 20 anos no topo do esporte à toa. O cara foi num dos primórdios campeão do UFC e se manteve em alto nível a carreira inteira. Nunca lutou numa liga pequenininha ou saiu do UFC. Quando saiu de lá, outras ligas eram fortes o suficiente, e ele estava nas melhores do mundo. É uma inspiração, um cara que tem muito conhecimento e é um cara que tem a cabeça de campeão. Sempre se manteve em alto nível, é um cara super profissional, então a gente, eu, como o Gilbert também, consegue aprender bastante com o Vitor, de como ele trabalha, como é profissional, ele chega cedo no treino, antes de alongar, de fazer prevenção de machucado, de fazer boxe, jiu-jitsu, fazer tudo bem profissional", começou por dizer Herbert, que também deixou claro que, se quiser, Belfort pode dedicar a carreira como coach assim que se aposentar.
"O Gilbert conseguiu sugar isso do Belfort . E é um cara super importante até hoje. Depois da minha última luta, eu tive uma derrota, e ele falou: dava para sair daquela posição, assim e assim. É um parceiro de time que tem uma visão muito boa. Ele pegou isso do Carlson (Grace), que tinha essa visão de ‘o caminho é este aqui’, e se você fizer as coisas vão acontecer. O Vitor tem este olhar do Carlson. Ele ainda tem mais uma luta para fazer, mas se ele quiser ser um coach de MMA, ele vai ser um grande coach porque ele tem uma visão muito boa”, finalizou.
