No próximo sábado (13), Gilbert Durinho entrará no octógono do UFC para disputar o cinturão do peso médio com Kamaru Usman.
A trajetória até o ponto mais alto do MMA, porém, não foi fácil. Nascido em Niterói, no Rio de Janeiro, Durinho passou por muitas dificuldades durante a vida antes de se estabelecer como um dos principais lutadores do UFC.
"O que passa na minha cabeça é que chegou a hora e vai ter que ser agora. E é a hora. Vim trabalhando duro anos para isso. Muita dificuldade no meio do caminho, não foi pouca, não. Passei por um monte de coisa, engoli um monte de sapo. Tive que trabalhar em um monte de coisa no caminho, tive que passar por várias situações para chegar até aqui e agora. E cheguei até aqui para que? Para ser mais um? Para não ganhar? Não. Cheguei para ser campeão e isso é o que me fortalece", disse o brasileiro em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.
"Comecei trabalhando com meu pai, ajudando ele. Meu pai era estofador, então ajudava ele estofando carro, depois ele teve uma borracharia, trabalhei como borracheiro com ele, como lava-jato. Depois que a vida melhorou um pouquinho no jiu-jitsu e eu comecei a ter patrocinadores, comecei a fazer faculdade. Resolvi abandonar a faculdade e mudar para São Paulo, para Rio Claro, e me dedicar só ao jiu-jitsu e foram anos difíceis da minha vida aonde eu tive que trabalhar de segurança, limpava academia. Tentava arrumar umas aulas particulares quando davam, mas a maioria que eu fiz foi trabalhando de segurança", prossegue.
Durinho também conta que, durante a época em Rio Claro, não foram poucos os dias que faltaram luz e água em sua residência e que fubá com água ou com açúcar era sua refeição do dia. Seu irmão, Herbert Burns, também confirma os relatos.
"Essa época foi perrengue mesmo. Foi uma época muito difícil. Era água com fubá, ficou muito tempo sem luz, sem água. Era superação. Não podia parar. Nunca passamos fome, mas era dificuldade para alimentação, para ter o básico. Era uma época bem difícil, bem de superação. Acho que a época que moldou a gente, o nosso caráter", comentou Herbert.
"Tinha gente que tinha preconceito, não olhava a gente porque a gente não tava bem arrumado. Mas a gente sempre se dedicou. Quando a gente entrou no jiu-jitsu, a gente viu que mandava bem e se dedicou para caramba, então acabou que o jiu-jitsu foi um caminho natural e mudou a nossa vida", finalizou.
A esposa de Durinho, Bruna Burns, também vai pelo mesmo caminho. Ela, porém, prefere relembrar os bons momentos vividos ao lado do parceiro e como a vida mudou quando ele chegou aos Estados Unidos.
De acordo com Bruna, alguns "perrengues" foram passados na Terra do Tio Sam, mas a superação do casal os levou ao patamar de vida que se encontram hoje.
Quando Durinho entrar no octógono para enfrentar Kamaru no próximo sábado, levará com ele toda uma história de superação.
