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Ex-Internacional, Porto e Athletico-PR treina por conta após ficar sem clube e quer nova chance no Brasil

Jogador com passagens por Internacional, Porto e Athletico-PR, Guilherme Dellatorre está sem clube desde começo de maio, quando terminou seu contrato com o Mirassol.

Aos 28 anos, o atacante começou em escolinhas em Rio Preto antes de ir para o Desportivo Brasil-SP, clube que pertencia à Traffic.

Depois de jogar profissionalmente a Série B Paulista (4ª divisão), ele foi o artilheiro da Copa São Paulo de futebol júnior de 2011.

Logo em seguida, o jovem foi emprestado por duas temporadas ao Internacional.

“Eu fui artilheiro do Gauchão de juniores e fui jogar a taça BH. Daí, fui chamado para ir aos profissionais porque o Damião estava suspenso e o Gilberto estava machucado”, disse.

Em Portugal

Dellatorre fez algumas partidas na equipe principal e no time B antes de ser emprestado para o Porto no meio de 2012.

“Eu não tinha mais oportunidades e peguei minha rescisão faltando seis meses para terminar o contrato”, contou.

O jovem treinava com a equipe principal e atuava pelo time B. Ele morava com a mãe em Portugal e não sofreu para se adaptar à Europa.

“As pessoas me tratavam muito bem no Porto. No começo eu não entendia o que eles falavam e aconteciam coisas engraçadas. Mesmo sendo o mesmo idioma é bem diferente”, recordou.

“Eu gostava muito do Lucho Gonzalez, e me impressionou como ele comandava a equipe. Era o capitão, mas tinha muita humildade. Ele sempre chegava cedo aos treinos e cumprimentava um por um, incluindo os garotos do time b. É um cara muito educado e tenho como exemplo por causa do jeito e do profissionalismo”, elogiou.

O brasileiro chegou a ter contato com outros jogadores do elenco do Porto.

“O Jackson Martínez é muito forte, tá louco! Todos os dias ele ia para a academia e fazia flexões, barra. O Helton tinha tanta moral que o presidente teve um problema no coração e ele foi lá dar um suporte”, contou.

“A gente ia ver os jogos na Champions League e no outro dia eles estavam treinando com a gente sorrindo. Você se sente um jogador de time grande lá dentro. Eu evoluí muito por lá na parte tática, posicionamento” .

Na equipe portuguesa, o atacante conseguiu aprimorar os fundamentos.

“Toda terça e quinta tínhamos um treinamento específico para os atacantes mais jovens. Você vê os caras trabalhando mesmo depois dos treinos na academia, muito profissionais”.

Em 2013, Dellatorre estava com tudo certo para jogar pelo Estoril, clube que pertencia à Traffic. Um telefonema, porém, mudou a vida do brasileiro.

“Estava mais ou menos conversado que ia jogar a primeira divisão e se fosse bem e continuasse evoluindo eu ia voltar ao Porto quando o Jackson fosse vendido”, explicou.

“Eu estava jantando em São Paulo quando e o [Mauro Celso] Petraglia [presidente do Athletico-PR] mandou eu abortar a passagem para Portugal para ir ao Atlhetico-PR, que comprou metade do meu passe”, contou.

Destaque no Athletico-PR

Dellatorre chegou ao Athletico-PR, que estava na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Logo em seguida, o técnico Vágner Mancini foi contratado e o time reagiu.

“A torcida estava puta da vida e não poderíamos sair na rua. Nisso chegou o Mancini e ficamos 11 jogos invictos e começamos a ganhar todas. A gente foi finalista da Copa do Brasil, perdemos para o Flamengo, e terceiro no Brasileiro, ganhamos vaga na Libertadores”.

No começo de 2014, o atacante foi emprestado ao Queens Park Rangers, que jogava a segunda divisão da Inglaterra. A passagem pela Terra da Rainha foi atrapalhada por lesões.

Dellatorre voltou ao Athletico-PR, no qual permaneceu até 2016. Depois de perder espaço no clube, ele foi contratado pelo Suphanburi-TAI.

“O Bahia me procurou, mas não me liberaram. Então fui para a Tailândia. No começo foi difícil porque o pessoal não era toa profissional e a cultura era bem diferente. Eu ficava bem nervoso no começo”.

“As coisas começaram a melhorar e fiz 19 gols em 23 jogos em 2017. Estava vendo se ia renovar contrato ou não e recebi uma ligação do Apoel, do Chipre”.

“Foi uma mudança radical, mas cheguei muito bem porque a confiança estava bem legal. Eu fiz 10 gols em 20 jogos no Campeonato do Chipre. Fomos campeões e joguei playoffs da Champions League e Liga Europa”.

Volta ao Brasil

Dellatorre machucou o joelho e voltou ao Brasil para fazer cirurgia. Ele fez tratamento no CT do Athletico por nove meses.

Assim que se recuperou, ele jogou por três meses novamente pelo Suphanburi.

“Eu poderia renovar o contrato, mas os diretores mandaram todos os estrangeiros embora. Acionei a Fifa para receber o dinheiro da rescisão”.

Em 2020, o atacante acertou para jogar o Paulistão da Série A1 pelo Mirassol.

“Cheguei no meio do campeonato, fiz dois jogos e o campeonato parou por causa do coronavírus. Agora estou sem vínculo com nenhum clube, Estou treinando em Curitiba para me manter em forma quando surgir algo”, finalizou.