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Ex-Atlético-MG, João Pedro viu lado workaholic de Neymar no Santos e hoje tem mais gols que Lautaro no Italiano

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Cristiano Ronaldo já caiu em pegadinha e quase morreu do coração com susto (0:12)

Atacante da Juventus também foi alvo de pegadinha de colegas (0:12)

Aos 28 anos, João Pedro vive uma temporada de sonhos no Cagliari-ITA. Com 16 gols marcados, ele é o quarto maior artilheiro do Italiano, atrás apenas de Ciro Immobile (Lazio), Cristiano Ronaldo (Juventus) e Romelu Lukaku (Inter de Milão).

Revelado na base do Atlético-MG, ele subiu aos profissionais em 2010 com o técnico Vanderlei Luxemburgo, que havia montado uma equipe recheada de medalhões. Mesmo assim, o garoto conseguiu atuar como titular.

“O Vanderlei foi o melhor técnico que eu tive, sempre o admirei. Eu era muito novo, mas ele não pensava em nomes. Ele queria os melhores em campo”, disse João Pedro, ao ESPN.com.br.

Uma semana depois de ir ver o Galo ser campeão estadual, o jovem estreou contra o Athletico-PR no Mineirão. Depois de fazer apenas 13 jogos, o jovem foi vendido para o Palermo, da Itália.

“Era um sonho de criança jogar na Europa. O Italiano era muito forte porque a Inter tinha vencido a Champions, e o Milan tinha Beckham e Ronaldinho. Aceitei a proposta porque futebol é muito rápido e não queria deixar a chance passar”, analisou.

No começo, ele sofreu para se adaptar ao novo futebol e à cultura italiana.

“Nós tínhamos uma equipe muito forte que tinha se classificado à Liga Europa. Eu era muito novo e aprendi muitas coisas, principalmente na parte tática”.

No meio da temporada, ele foi emprestado ao Vitória de Guimarães-POR para pegar mais experiência e tentar uma vaga no Mundial sub-20.

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Reencontro com Neymar

Depois de seis meses sem fazer muitas partidas, foi emprestado ao Peñarol, que tinha acabado de perder a Libertadores para o Santos.

“O [técnico] Diego Aguirre me ligou dizendo que já me conhecia e queria contar comigo. No começo eu estranhei porque poucos brasileiros vão para o Uruguai, mas jogar no Peñarol foi fantástico. Foi muito legal jogar a Libertadores por um clube tão grande e com uma torcida única”.

No segundo semestre de 2012, João Pedro foi para o Santos, que tinha vencido o tricampeonato paulista.

“Eu não queria voltar para a Europa para pegar um pouco mais de jogos. O Santos era treinado pelo Muricy e tinha Neymar, Ganso e outros grandes jogadores”.

Na Vila Belmiro, João Pedro atuou ao lado de Neymar.

“A gente já era amigo por termos jogado muito tempo nas seleções de base. Ele me ajudou bastante porque sempre foi um cara brincalhão e elétrico”.

Neste período, o atacante viu um lado pouco conhecido do craque do PSG.

“Era um cara que gostava muito de treinar. Depois dos jogos é comum os titulares fazerem apenas um treino regenerativo, mas ele ia treinar com quem não tinha jogado. Nos treinos físicos era sempre o primeiro e tinha uma energia para dar e vender”, garantiu.

“Não é simples suportar tanta pressão mesmo tendo tanto talento. Ele é uma pessoa muito preparada. Conhecia toda família dele, é um cara do bem”, garantiu.

A passagem do atacante foi atrapalhada por uma lesão no púbis, que o fez perder espaço entre os titulares. Além disso, o Santos passava por um período de transição com a saída de vários jogadores.

“Eu tentei ao máximo recuperar meu espaço, mas as coisas estavam difíceis. Nisso, aceitei o convite para jogar no Estoril-POR, que tinha uma ambição muito grande”, explicou.

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Afirmação na Europa

A equipe da Traffic, que jogou a Europa League, terminou na quarta posição do Português.

“Nós tínhamos uma qualidade muito grande na equipe. Ganhamos de Porto e Sporting, foi um feito que ficou para a história do clube”, recordou.

Apesar de ter sido especulado em equipes maiores de Portugal, João Pedro se transferiu para o Cagliari.

“Eu sou casado com uma italiana e a minha prioridade era voltar a jogar na Itália. O Estoril queria me segurar, mas não pensei duas vezes”, explicou.

João Pedro mora na região da Sardenha, uma das mais bonitas da Itália.

“Aqui faz pouco frio e é parecido com o Brasil. Temos praias incríveis, mas curti pouco o verão porque coincide com as minhas férias”.

Ídolo e artilheiro

Em pouco tempo, o brasileiro caiu nas graças da torcida fanática.

“Eles dizem que todos que nascem na Sardenha só torcem para o Cagliari. O estádio está sempre cheio, independente da mossa situação na tabela. É muito gostoso isso”, comentou.

Desta vez, o brasileiro não teve dificuldades na Itália por já dominar o idioma e estar mais experiente.

“É o futebol mais difícil que já atuei e isso foi bom. Eu aprendi muito taticamente. Fui treinado pelo Zdenek Zeman, que ataca com todo mundo e cobra muita intensidade. Também fui comandado Zola, que é um ídolo do Cagliari e do Chelsea. Ele me ensinou muitas coisas modernas do jeito inglês de se jogar”, explicou.

Atualmente, ele é treinado por Walter Zenga, ex-goleiro da seleção italiana na Copa do Mundo de 1990.

“Ele gosta de brasileiros e te dá muita liberdade e confiança. É um cara que está querendo muito conquistar. Estou ansioso para voltar logo aos gramados”.

Depois de jogar como meia e até segundo volante nas temporadas, João Pedro atua pela primeira vez como atacante ao lado de Giovanni Simeone, filho do técnico Diego Simeone, do Atlético de Madrid.

“Ele está nos ajudando bastante, é um garoto gente boa e tem muita vontade. É o típico argentino, tem muita garra e qualidade. Nosso time é muito bom”, elogiou.

Por ser o ano do centenário, o Cagliari investiu pesado em reforços para buscar uma vaga na Europa League.

“Eu consegui aumentar o meu nível junto com o time. Antes brigávamos pelo meio de tabela, mas agora é diferente. Precisamos errar menos e aproveitar as chances”.

Com 180 jogos disputados em seis anos pelo Cagliari, João Pedro está entre os 10 maiores artilheiros da história do clube.

Na atual temporada, o brasileiro tem mais gols do que o badalado Lautaro Martínez (Inter).

“O atacante é como o goleiro. Você encosta pouco na bola nos jogos, mas quando ela chega você não pode errar. Estudei bastante a parte tática e me preparei muito fisicamente para poder ajudar. Ainda tem coisas boas para acontecer”.

Vendo seu nome ser especulado em vários times da Europa, João Pedro prefere se focar no presente.

“Eu nunca fui muito de planejar a longo prazo. Essa temporada eu tinha visto uma fala do Kaká dizendo que tinha estabelecido metas pequenas e foi conseguindo superá-las até chegar ao topo. Tentei fazer a mesma coisa e vem dando certo”.

Restando 12 jogos para o fim da Serie A, João Pedro tem como próxima meta chegar aos 20 gols marcados.

Seleção italiana?

Convocado para as seleções de base do Brasil desde os 14 anos, João Pedro jogou ao lado de Neymar, Oscar, Lucas Moura, Danilo, Phillipe Coutinho e Casemiro.

O atacante foi campeão do Sul-Americano sub-17 e disputou o Mundial da categoria.

“Foi uma experiência incrível. Fomos ficando amigos. Desde aquela época dava para ver que eram diferenciados e iam chegar ao topo”.

Apesar de ter o passaporte europeu, João Pedro acha muito difícil defender a seleção italiana.

“Minha esposa e meus filhos são italianos e eu amo a Itália. Eu não recusaria a seleção italiana porque é um das maiores de todas. Seria uma honra, mas eu acho que não seria justo porque vivi a minha vida toda no Brasil”.