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Cléber, ídolo do Palmeiras, fez gol no Barcelona e venceu o Real Madrid, mas revela: 'Fiquei paralisado ao ver Maradona'

Passar por Cléber Américo da Conceição em uma partida era uma missão muito difícil. O zagueiro causava terror nos atacantes pelo porte físico avantajado e por não aliviar para os adversários.

Antes de bilhar com a camisa do Palmeiras, ele teve uma passagem pouco conhecida, de duas temporadas (1991 a 1993, no Logróñes, que figurava na elite espanhola à época.

“Foi um aprendizado espetacular porque a Espanha já era taticamente muito evoluída. Foi como se estivesse ido para [faculdade famosa dos EUA] Harvard e voltasse ao Brasil. Fora de campo também cresci muito por causa da cultura”, disse Cléber ao ESPN.com.br.

Em LaLiga, o brasileiro jogou contra Diego Simeone, Paulo Futre, Bernd Schuster, Fernando Hierro, Michael Laudrup e Emilio Butragueño.

Mas um dos adversários que mais deram problemas para o zagueiro foi Hristo Stoichkov, que marcou um gol na derrota do Logróñes em casa para o Barcelona por 2 a 1.

Cléber marcou um gol nesta partida.

“O Stoichkov me deu um trabalho danado contra o Barcelona porque jogamos com três zagueiros e eu fiquei do lado direito, tendo que marcá-lo. Esse me deu muito trabalho, tá louco!”, recordou.

Um dos maiores feitos de Cléber foi vencer em casa o Real Madrid (1 a 0) de Luis Enrique, Hagi e Ricardo Rocha.

Mesmo jogando contra tantos craques, nenhum deles impressionou tanto quanto Diego Armando Maradona, que defendia o Sevilla à época.

Depois de ser pego no exame antidoping por cocaína quando jogava no Napoli, o argentino pegou uma suspensão na Fifa e deixou o time italiano de forma conturbada.

Maradona foi para a Espanha para ser comandado pelo técnico Carlos Billardo, com quem tinha vencido a Copa do Mundo de 1986 e jogado o melhor futebol de sua carreira.

Em Sevilha, porém, o camisa 10 estava bem acima do peso e protagonizava inúmeras confusões nas boates.

A relação do jogador com o clube azedou exatamente antes de um jogo contra o Logróñes. Maradona foi convocado para amistosos da Argentina contra o Brasil (no jogo do centenário da AFA) e Dinamarca em fevereiro de 1993, mas o Sevilla só tinha lhe dado permissão para disputar apenas uma partida.

O camisa 10 jogou todas as partidas e chegou em cima da hora para o duelo que terminou com vitória do time de Cléber por 2 a 0.

Pouco tempos depois, Maradona saiu de forma polêmica do Sevilla sem deixar saudades.

“Você fica meio que paralisado olhando aquele baixinho. Ele tinha jogado pela seleção argentina e voltado de helicóptero para Logróñes para fazer esse jogo. Você meio que fica paralisado e tinha aquela faixa de capitão gigante. O baixinho era forte e estiloso e você mais presta atenção no cara jogando do que você joga mesmo”, brincou.

A equipe espanhola contava com o goleiro Julen Lopetegui (atual técnico do Sevilla) e o meia Quique Setién (treinador do Barcelona).

Na temporada 1991/92, o Logróñes terminou na 11ª posição de LaLiga.

Já no Espanhol do ano seguinte, a equipe contratou o atacante russo Oleg Salenko (que seria depois artilheiro da Copa do Mundo de 1994), mas ficou apenas na 15ª colocação, três acima da zona de rebaixamento.

No meio de 1993, Cléber foi comprado pelo Palmeiras, onde iniciaria uma longa trajetória de conquistas e se transformaria em ídolo da torcida alviverde.