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Balboa, ex-Real Madrid, lembra como Cassano fracassou nos 'galácticos': 'Pesado, não se cuidava'

Quando o Real Madrid dos "galácticos" anunciou a contratação do atacante Antonio Cassano, em janeiro de 2006, uma enorme expectativa foi criada.

Afinal, o polêmico jogador era um dos maiores talentos da Roma e de toda a Serie A naquele momento, e chegava para somar ao estrelado elenco blanco, que tinha Casillas, Roberto Carlos, Zidane, Raúl, Júlio Baptista, Ronaldo "Fenômeno", Robinho, Beckham e outros astros.

Além disso, apenas dois anos antes, ele havia sido titular e único jogador a se salvar na desastrosa campanha da Itália na Eurocopa 2004, na qual fez dois dos três gols da equipe na eliminação ainda na fase de grupos.

O hype parecia que iria se justificar quando, em 18 de janeiro, em sua estreia contra o Betis, pela Copa do Rei, o jogador precisou de apenas três minutos para marcar seu primeiro gol com a camisa merengue.

Daí em diante, porém, foi tudo ladeira abaixo...

Com péssimos hábitos alimentares, ele naufragou apenas quatro meses depois de chegar. Seu sobrepeso nos treinos era tão evidente que a imprensa espanhola o apelidou de Gordito.

Além disso, o Real decidiu multá-lo por cada partida em que ele continuasse acima do peso determinado como ideal pela comissão técnica e pelo departamento médico.

Para piorar, Cassano brigou feio com o técnico Fabio Capello, contratado no início da temporada 2006/07, e complicou ainda mais sua situação.

Tanto é que, em outubro de 2006, os blancos anunciaram que ele havia sido formalmente advertido e suspenso por "desrespeitar" Capello em uma discussão no vestiário, depois de ser colocado no banco na partida contra o Gimnàstic de Tarragona.

O contra-ataque veio em entrevistas a veículos de imprensa da Itália, na qual ele fez juras de amor à Roma, pediu o perdão de Francesco Totti (com quem havia brigado em seus últimos meses na equipe giallorossa) e praticamente implorou para ser contratado de volta.

No fim das contas, ele acabou permanecendo em Madri, e até fez parte do grupo que foi campeão de LaLiga, apesar de só ter jogado sete vezes e marcado um gol.

Ao final de 2006/07, porém, ele foi emprestado à Sampdoria, time no qual reencontrou seu futebol, sendo depois adquirido em definitivo.

De sua passagem pelo Santiago Bernabéu, ficaram 29 jogos, quatro gols e a impressão de que foi uma grande oportunidade desperdiçada.

É o que relata o ex-atacante Javier Balboa, que foi companheiro de Cassano no Real Madrid entre 2006 e 2007.

Em entrevista à ESPN, o guineense salientou o enorme talento do ex-companheiro, mas também ressaltou que ele fez tudo errado em seus tempos na Espanha.

"Ele tinha muita qualidade individual, isso era visível. E ele estava na melhor equipe do mundo, com os melhores. Era uma grande oportunidade para dar certo, mas ele não aproveitou", afirmou.

De acordo com Balboa, a falta de dedicação de Cassano nos treinos acabou sendo fatal para seu naufrágio no futebol espanhol.

"Cassano sempre teve um enorme talento, mas até ele mesmo já disse em várias entrevistas que, quando jogou no Real Madrid, não foi profissional", observou.

"Aqui (em Madri), ele não se cuidava, estava pesado e não treinava como deveria treinar. Ele mesmo se arrepende de não ter aproveitado melhor o tempo que passou aqui", acrescentou.

"Tecnicamente, era dos melhores. Com certeza tinha um nível alto e estava apto a jogar no Real Madrid. Mas tem coisas que só com o passar do tempo percebemos, e aí já é tarde demais", complementou.

Balboa também elogiou Cassano por ter se reencontrado na Sampdoria, destacando-se em três temporadas e meia pelo clube de Gênova.

Na sequência da carreira, ainda teria passagens dignas pelos gigantes Milan (sendo campeão do Italiano e da Supercopa da Itália) e Inter de Milão.

Após jogar bem também pelo Parma, ainda teve mais um período na Sampdoria, encerrando depois a carreira no Hellas Verona.

Pela Azzurra, seu maior momento foi na Eurocopa de 2012, quando fez grande dupla de ataque com Balotelli e levou a Itália ao vice, perdendo a final para a Espanha.

Segundo Balboa, foi um fim bonito para uma carreira cheia de altos e baixos, mas que poderia ter sido muito melhor.

"Depois que ele saiu do Real, ele jogou muito bem pela Sampdoria e pela seleção italiana, e defendeu Milan e Inter de Milão. Para jogar em times desse tamanho, é inegável que o jogador tem que ter qualidade. Mas acho que ele tinha que ter aproveitado muito mais sua passagem pelo Real Madrid", encerrou.