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Vídeo de R$ 150 colocou Tailson no Santos; hoje, tem multa rescisória absurda e interessa ao Barcelona

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Nova joia santista, Tailson comenta interesse do Barcelona e quer jogar contra o Palmeiras (1:32)

Garoto entrou na partida contra o Vasco e fez o gol da vitória (1:32)

Nesta quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), o Santos recebe o Palmeiras, na Vila Belmiro, em um jogaço entre o 3º e o 2º colocados do Campeonato Brasileiro.

A carta na manga do técnico Jorge Sampaoli para a partida deve ser a nova entrada do jovem atacante Tailson como titular, ao lado de Marinho e Eduardo Sasha na linha de frente do Peixe.

Na última rodada, o garoto de 20 anos foi o herói da vitória por 1 a 0 sobre o Vasco, em São Januário, marcando um belo gol logo em sua estreia profissional pelo Santos.

Agora, o atleta, que é mais uma promissoras cria das categorias de base alvinegras, deve voltar a ganhar uma chance no 11 inicial.

A história de como Tailson chegou ao clube da Baixada, aliás, é bastante curiosa...

VÍDEO DE R$ 150

Tailson foi descoberto pelo agente Zenildo Araújo, meio que por acaso.

"Uma vez, fui levar meu filho, que tem a mesma idade do Tailson, para uma peneira no Grêmio Mauaense, aqui da grande São Paulo. Fui ver os meninos e vi o Tailson treinando. Na época, ele não tinha nem 15 anos. Deu para ver que ele era diferente depois de três toques na bola, mesmo sendo bem magrinho", contou, à ESPN.

"Meu filho também passou no teste, e eu passei a dar uma ajuda ao Tailson também, pois pegava ele de carona e levava ao campo do Grêmio Mauaense. Quando começaram os Campeonatos Paulistas sub-15 e sub-17, o Tailson já estava voando. Teve um dia que houve jogos seguidos contra o Corinthians, pelo sub-15 e pelo sub-17, e o Tailson jogou um tempo em cada categoria. Arrebentou nos dois!", relatou.

Neste mesmo dia, Zenildo viu que de fato havia encontrado um diamante bruto.

"Falei com o pai do Tailson, que sabia que eu já havia trabalhado com alguns jogadores, e ele me pediu para ajudá-los, pois o menino não tinha empresário. De noite, fui à casa da família, comemos uma pizza e conversamos bastante. Fizemos um contrato e, desde então, eu passei a ajudá-lo", relembrou.

O garoto, que tem oito irmãos vem de uma família muito humilde. Para tentar fazer sua joia alçar voos maiores, o agente entrou em contato com o Santos, que disse que analisaria o garoto se Zenildo levasse um vídeo.

"De imediato eu fui atrás e na partida seguinte filmaram o jogo do Grêmio Mauaense contra o Guarulhos pelo sub-17, no qual ele fez dois gols, um de pênalti e um de bola rolando, mesmo ainda sendo do sub-15. Paguei R$ 50 ao rapaz para filmar o jogo e mais R$ 50 para editar. Depois, paguei mais R$ 50 pra editar novamente e dar uma melhorada. Em seguida, levei aos coordenadores do Santos para avaliarem", rememorou.

Nem é preciso dizer que o Santos quis o garoto na hora...

'ZENILDO, O MENINO ESTÁ CHORANDO'

Assim que recebeu o chamado do Santos, Zenildo Araújo levou Tailson para Santos e o hospedou em uma pousada.

De acordo com o agente, o garoto tem uma "educação nota 10", mas sua timidez o fez ficar de cara com muitas saudades da família.

"Quando eram umas 22h, o pai dele me ligou: 'Zenildo, o menino está chorando'. Ele estava sozinho no quarto, não estava acostumado. Claro que era normal ele ficar com saudades. Eu mesmo pedi na pensão que ele não ficasse hospedado com nenhum adulto, pedi para colocarem ele com outro garoto no quarto, para que ele não se sentisse sozinho", contou.

Tailson treinou a semana toda no Santos, até sexta-feira, e rapidamente o garoto foi aprovado pelos técnicos da base.

"Em pouco tempo ele foi foi aprovado e inscrito nas competições. No início ele foi colocado de lateral-esquerdo, porque o lateral estava machucado no dia, e foi muito bem em um clássico com a Portuguesa Santista. Depois, ele foi titular no juvenil e eles chegaram à final contra o São Paulo. O jogo foi parelho, mas o Santos perdeu nos acréscimos", relatou.

No ano seguinte, em 2016, Tailson teve que enfrentar o primeiro grande obstáculo de sua carreira.

"Eles chegaram até a semifinal do Paulista, mas ele rompeu o ligamento. O Santos prestou toda a assistência. Ele operou no (hospital) Albert Einstein e teve uma ótima fisioterapia", elogiou.

"Lembro do pai dele preocupado, porque o Tailson estava com muita dor e tinha que subir escadas. Ele sempre foi grande, mas um dia falei para ele montar nas minhas costas e segurei a perna que operou. Coitado, ele estava com tanta dor que ficou até pálido. Quando cheguei no carro, estava suado de carregá-lo (risos)", divertiu-se.

A QUASE IDA AO BARÇA

Após se recuperar da cirurgia, Tailson teve que correr para recuperar seu espaço no Peixe.

"Em 2018, ele jogou poucas partidas. Quando era usado, foi escalado até de primeiro volante! Mesmo assim, sempre que entrou foi bem e mostrou o faro de artilheiro", observou.

Já no início de 2019, o atleta foi muito bem na Copa São Paulo de Futebol e o Santos tentou renovar seu contrato, que se encerrava em abril. Mas, de início, Zenildo e Tailson rejeitaram a oferta.

"Quando estava para acabar o contrato dele, o Tailson fez um último jogo em Santos contra o Taboão da Serra. Foi 5 a 1, com três gols e uma assistência dele. Na semana seguinte, ele estava treinando no elenco profissional sob recomendação do Sampaoli e do auxiliar dele", relatou.

Foi quando veio uma proposta do poderoso Barcelona para levar o garoto para a Catalunha.

"O André Cury [representante do Barça no Brasil] trouxe a oferta. O Tailson chegou a ir para lá em julho, ficou duas semanas. Mas houve problema entre os departamentos jurídicos do Santos e do Barcelona. Aí eu vi que não daria certo. Falei para ele voltar, e o Tailson se reapresentou ao Santos", revelou.

Ou seja: a joia alvinegra ficou de abril, quando se encerrou seu vínculo com o Peixe, até agosto sem contrato de trabalho.

"O Tailson ficava em casa, e eu pagava um personal trainer para ele não sair de forma. Ele ficava no Independente de Mauá treinando para não perder o ritmo. Ele estava sem contrato, e o pessoal do Santos foi vê-lo. Houve muita briga para renovar, foi uma doideira. Eu queria que ele jogasse no Santos, e ele também. No final, deu tudo certo", celebrou.

No novo contrato com o Santos, foi estipulada uma incrível multa rescisória de 100 milhões de euros (R$ 446,58 milhões, na cotação atual), segundo Zenildo.

Em coletiva nesta semana, o próprio Tailson elogiou o Barça, mas ressaltou que queria permanecer na Baixada.

"Barcelona é um grande clube, como todos sabem, tudo mundo deseja jogar lá. Quando voltei para cá, me deu um pouco de confiança, agora vou me dedicar mais. O Barcelona é um clube sensacional, mas meu maior desejo era ficar no Santos e jogar no profissional”, salientou.

NÃO TEM NEM CARRO

Hoje, o filho de Zenildo mora com Tailson em Santos para auxiliar o jogador, que sequer tem habilitação para dirigir.

"Ele não gosta de dirigir, sequer tem carro. Nunca quis nem tirar carta. Ele sempre brinca comigo: 'Pô, Zenildo, Uber é tão barato!' (risos)", gargalhou.

O agente, aliás, não cansa de encher seu empresariado de elogios.

"Ele sabe chutar com as duas pernas, e também bate escanteio com as duas. Uma vez, um olheiro do Bayer Leverkusen me perguntou qual era a perna boa dele e eu não soube responder (risos)", brincou.

"Quando o Tailson estava jogando de volante, meu filho até brincava que ele parecia o Pogba. Eu acho mais que ele tem o estilo do Giovanni 'Messias', pelo estilo e postura. Mas o Paulo Roberto 'Lilló', que foi técnico dele no Grêmio Mauaense e hoje está no sub-15 do Santos, sempre colocou ele de atacante pelos lados, pois assim ele fazia muitos gols", contou.

No time atual do Santos, Zenildo vê Tailson funcionando melhor atuando aberto na linha de frente.

"O Sampaoli deve colocá-lo como atacante pelos lados, porque o um-contra-um dele é absurdo. O marcador tenta esticar a perna e leva o drible. O domínio de bola do Tailson é absurdo, ele já domina fazendo a próxima jogada. Se você jogar um 'coco' pra ele, te garanto que ele domina", exagerou.

Por fim, o agente afirma que o atacante é frio como poucos.

"Ele é 'gelado'. Às vezes o jogo está pegando fogo, mas ele não sente a pressão. Nunca vi isso acontecer", avisou, antes de encerrar.

"Depois do jogo contra o Vasco, perguntei pra ele: 'E aí, como foi fazer sua estreia profissional em São Januário lotado, com tanta pressão. Ele me respondeu: 'Ih, Zenildo, a hora que entrei em campo foi normal, normal...'"