Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, Betinho fala sobre bootcamp com a equipe principal, planejamento da YOUNG Gods, desafios e mais
Após quase seis anos sem contar com uma equipe de base, a GODSENT chega para a temporada de 2022 munida de jovens talentos para formar a YOUNG Gods, usa equipe de base no Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO). Snowzin, Lineko, N9xtz, venomzera, mlhzin, um jogador novo misterioso e o treinador Betinho são os nomes que defenderão as cores dos enviados por Deus.
Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, o treinador fala sobre a movimentação em sua carreira, trabalhar com um elenco jovem, a relação com a equipe principal, planejamentos e afirma que não acredita que a troca de equipes tenha sido um passo para trás em sua carreira.
Técnico da SWS Gaming durante a temporada de 2021, Betinho hoje encontra-se em uma jornada totalmente diferente da que protagonizou no último ano. Enquanto na SWS tinha a oportunidade de treinar a equipe principal da organização, hoje ele chega à GODSENT com o desafio de formar novos talentos na categoria de base.
“É um desafio sair de um time que está formado e que poderia continuar nessa temporada. Mas não vejo como um passo para trás, vejo como um desafio mesmo de lidar com gente que tem menos experiência que eu. Ano passado foi um ano de muito aprendizado, ganhamos muitos campeonatos, fomos bem e crescemos, mas eu não tinha tanta experiência quanto eu tenho agora”, conta Betinho.
“Meu objetivo agora é passar essa experiência para os meninos [...] Acaba sendo uma experiência nova de realmente ensinar, mostrar o que é certo e errado tanto dentro quanto fora do jogo. Mas é um desafio e se os meninos saírem melhor do que quando eu entrei, acho que meu objetivo está concluído”.
Além do desafio de ingressar em uma nova equipe, o novo treinador dos jovens enviados por Deus também terá de lidar com personalidades totalmente diferentes das que teve contato em seu time anterior. Na YOUNG Gods, o investimento na base vem forte e dos cinco jogadores, três estão abaixo dos 18 anos.
“Também aprendemos com eles algumas coisas novas. Aprendemos a lidar com esse tipo diferente de personalidade, acho que é um desafio grande [...] O aprendizado até que está sendo rápido, os meninos pegam as coisas com facilidade, então se acontecer algo em um dia fazemos um review e até mesmo na mesma hora sabe que fez errado, já aprende e corrige no próximo round”, conta o treinador.
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Betinho também fala sobre os pontos positivos e “negativos” de lidar com um elenco tão jovem quanto o da YOUNG Gods, colocando a falta de experiência como o maior inimigo do elenco.
“Até por ser mais jovem, a memória é melhor, raciocínio é mais rápido, reflexo dentro do servidor nem se compara. Então esse é o lado positivo e o ponto ‘negativo’, mas que é natural da evolução deles, é ter essa casca. Saber às vezes aceitar uma derrota, saber não sentir um round perdido, ter calma para fechar o jogo… isso só vem com o tempo. Essa talvez seja a maior dificuldade”, observa.
Um dos fatores que dificulta um pouco mais a caminhada da GODSENT dentro dos servidores é a impossibilidade de focar 100% nele. Isso porque devido a baixa idade dos jogadores, os três ainda estudam e tentam harmonizar a vida de jogador profissional com a de estudante.
Betinho conta sobre como é a rotina da equipe para conciliar ambas as atividades de forma que não sobrecarregue o quinteto: “Normalmente os times começam às 11h, faz o tático até o almoço, come e começa o prático umas 14h, 15h. O que estamos fazendo é começar mais tarde”.
“Os meninos chegam 13h, comem, ficam de boa e começamos às 14h. Das 14h às 15h fazemos o tático, se precisar vai um pouco mais, e depois vamos para o prático no restante do horário. Tem dia que vai até mais tarde, às vezes mais cedo. Dá pra perceber que os meninos ficam cansados. O Snow por exemplo acorda às cinco da manhã e tem treino que acaba às 22h da noite e aí ele fica cansado, dá pra perceber”, diz sobre o dia a dia da equipe.
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“É difícil conciliar, é um sacrifício. Pros meninos, ter que acordar cedo e acabar tarde e depois tem [treino] individual para quem gosta, reassistir treino, assistir alguma demo. É difícil, mas por enquanto estamos tranquilos. Os meninos sabem que se eles estiverem cansados, precisarem de um dia pra dar uma relaxada eles vem falar comigo e a gente tira um dia, não tem problema. Não podemos ficar pra trás dos times na evolução, mas se for preciso pra estar bem nos próximos dias, tiramos numa boa”, continua.
BOOTCAMP E O NASCIMENTO DE UMA FAMÍLIA
“O Snowzin virou outro jogador depois do bootcamp, aprendeu muito com o dumau - foi um cara que ajudou muito ele”, conta Betinho. Em meio às preparações do plantel para soltar os jogadores para conquistar o mundo, a GODSENT promoveu um bootcamp entre a equipe principal e a de base.
A experiência, que é taxada pelo treinador como a melhor que já teve no CS:GO até hoje por poder encontrar grandes bastiões do cenário nacional do FPS, trouxe à equipe a oportunidade de aprender muito tanto sobre a parte tática quanto sobre como ser um time com aqueles que estão frequentemente enfrentando os melhores do mundo.
“Treinamos bastante com eles e com outros times, mas um ponto muito positivo e que é diferencial até, é de a gente acabar o treino, sair da nossa salinha e eles da deles, íamos para a sala pegar alguma coisa para comer e já começava a falar sobre o treino. O TACO chegar e falar ‘Ó, eu vi isso aqui no TR de vocês lá na Vertigo e vocês tão fazendo de forma errada’. O aprendizado é muito mais rápido e além disso os caras sabem os caminhos e atalhos pra estruturação do time. Sempre passaram a visão, sempre foram muito abertos”, fala sobre o aprendizado no bootcamp.
E após o bootcamp as interações continuam. O treinador segue em contato com a comissão técnica do time principal e busca extrair deles o máximo que pode para aplicar dentro de sua equipe. Além disso, Betinho também quer transformar a YOUNG Gods em uma família, assim como fez na SWS.
“Uma das coisas que quero fazer aqui na equipe é realmente esse sentimento de família, que você pode conversar sobre coisa do jogo, coisa fora do jogo, se estiver mal com alguma coisa pode falar com seus amigos. É criar realmente esse ambiente ffamiliar, porque acho que se todo mundo estiver bem fora de servidor, dentro vai ser mais fácil de se organizar [...] Quero montar aqui realmente essa família, assim como a GODSENT principal também é”, almeja o treinador.
PLANEJAMENTO E EVOLUÇÃO, SEMPRE!
Uma das últimas peças a serem adicionadas no quebra-cabeça montado pela GODSENT, o treinador hoje é quem assume as rédeas da YOUNG Gods e conta sobre o objetivo da equipe: “Nosso objetivo é até o meio do ano, ou nesses primeiros seis, sete, oito meses, se estruturar. Preparar os meninos para que, se acontecer algo no elenco principal, termos um backup aqui”.
Moldar e preparar os jovens talentos que hoje compõem o plantel da base para estarem prontos para qualquer coisa. Com a ajuda de dead, a estruturação da equipe vem sem pressão para se tornar uma das melhores do Brasil.
“O projeto não é pra ganhar tudo no Brasil, também acho que seria bem difícil porque tem muito time experiente e bom aqui, estamos vivendo uma época muito boa para o cenário. Mas é conquistar nosso espaço, ir melhorando e aos poucos ir subindo. Aos pouquinhos vamos nos organizando para realmente ter uma equipe estruturado”.
Sem pressa, Betinho acredita que o futuro da YOUNG Gods é brilhante devido ao talento individual de cada um dos jogadores que hoje fazem parte do elenco, principalmente quando o fator é a mira. No entanto, o treinador mantém os pés no chão e sabe que ainda existe muito caminho pela frente.
“Não estamos nem perto de onde podemos chegar, em questão de mira estamos muito fora da curva, os meninos são muito bons. Mas a gente sabe que o CS não só isso que resolve as coisas, então temos que estruturar, melhorar a parte tática e isso estamos fazendo gradativamente. Como trocamos de jogador, acaba atrasando um pouco, mas é algo que já estamos arrumando”, finaliza.
