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CBLOL | 'Não fui rápido suficiente', diz Ayel sobre evolução no competitivo

Em conversa com o ESPN Esports Brasil, o jogador fala sobre seu retorno ao competitivo, os novos reforços sul-coreanos da Rensga e seu futuro dentro do competitivo de League of Legends


“Não tive nenhuma participação na decisão. Sinceramente não sei de onde veio, só fui informado e foi isso, foi algo bem simples e rápido”, conta Ayel sobre seu afastamento da Rensga. Apesar de não ter se desvinculado totalmente da organização até então, o top laner vê o sul-coreano Trap chegar à equipe dos Cowboys para ocupar seu lugar.

Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, o jogador fala sobre seu retorno ao cenário competitivo e a pressão, os novos e velhos cowboys sul-coreanos e também quais serão os próximos passos de sua carreira após deixar de ser o titular da Rensga BitPreço.

Pouco menos que dois anos: esse é o período que se passou desde que Ayel se apresentou pela última vez nos servidores competitivos de League of Legends. A última vez foi em 2020, pela RED Canids. Em 2022, resolveu dar uma nova chance ao cenário e ingressou na Rensga para completar o plantel da equipe na nova temporada do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL).

Dois anos é muito tempo para um jogador profissional e Ayel afirma que o retorno não foi nada fácil: “Particularmente senti bastante a pressão do competitivo de novo. Eu não estava acostumado, estava vivendo uma vida bem livre, bem tranquila e sem muitas preocupações, e meu maior desafio foi me adaptar ao cenário competitivo novamente”.

Para o jogador, a forma como levou os últimos dois anos não foi a melhor para garantir que seu retorno fosse triunfante. Entre 2020 e 2022, levou uma vida mais tranquila, sem muitas obrigações e uma rotina pesada como a de um atleta profissional. A corrida contra o tempo para ficar em forma era real, assim como a cobrança.

“Eu tive muitas cobranças [da torcida]. Tenho as minhas cobranças já, sou um cara muito autocrítico, então quando vem a externa também é como se viesse uma carga em dobro porque sei que de certa forma eu represento muitas pessoas que gostam do meu jogo, como jogo e da minha pessoa. Sinto que tenho uma necessidade de representar bem essas pessoas que me apoiam e também as que criticam. É uma pressão muito grande”, conta.

Por conta das pressões causadas por expectativas próprias e da comunidade quanto ao seu desempenho em seu retorno, somado às redes sociais, Ayel protagonizou um início de campeonato muito diferente daquele que gostaria e em seu último fim de semana como titular da Rensga, amargurou a última colocação.

“Além da [pressão da] torcida e da própria Rensga, deles terem confiado em mim e ter essa pressão de performar pra fazer jus à confiança deles. No começo do campeonato eu estava com uma pressão absurda, era uma carga mental muito pesada. Mas conforme o tempo foi passando fui ficando mais tranquilo”, afirma.

Em uma encruzilhada para tapar os buracos antes mesmo que seu barco afundasse totalmente, a Rensga anunciou em meados de fevereiro a chegada de dois novos sul-coreanos: Mocha e Trap. Este último viria a ser aquele que tomaria de Ayel seu lugar na rota do topo. O jogador fala sobre a decisão e mostra que entende o porquê dela acontecer.

“Ainda não foi 100% oficializado, mas não é muito mistério que acho que não vou mais jogar nesse split e provavelmente ele [Trap] se mantenha pelo resto da etapa. Querendo ou não a organização depende de resultado, então tudo o que viram que estava fora de sincronia eles mudaram pra correr atrás de prejuízo”, observa.

OS COWBOYS SUL-COREANOS

Apesar de entender os motivos, na visão de Ayel a falta de sincronia necessária para começar a ganhar jogos dentro do CBLoL encontrava-se na rota inferior, onde a Rensga optou por trazer inicialmente os dois sul-coreanos Hades e Guard, que não viveram as expectativas e mostraram problemas quando o assunto era comunicação.

“Particularmente, eu sentia que o time estava tendo muita dificuldade de ganhar jogos mais por conta da bot lane que não falava inglês muito bem, não tinha uma comunicação fluida. Sinto que minha performance abaixo ficou muito mais evidente, parecia que eu estava bem abaixo do que eu estava realmente, porque nosso time estava muito mal e dessincronizado”, avalia o jogador.

“A questão é que os coreanos deixaram claro que falavam inglês, mas aí chegou na hora H não era bem assim. Era aquele inglês básico de ‘Kill, kill, kill, go, go, go’, não tinha uma conversa, entende? No LoL é importante ter uma conversa, uma pessoa fala algo, outra responde e vai criando uma ideia”, adiciona.

O top laner ainda fala sobre como isso afetou outras funções e como a personalidade mais fechada de ambos atrapalhava dentro de jogo: “Suporte e caçador também tem que ter uma comunicação boa, então era muito difícil o Minerva comunicar com o Guard - e eles eram bem quietos também, mais na deles. Isso refletia muito dentro de jogo”.

Com a chegada dos novos sul-coreanos, além do atirador da base goianiense NinjaKiwi, a Rensga procura renovar os ares da equipe para tentar alcançar os mesmos patamares que atingiram no último ano com Croc e Yuri. Para Ayel, apenas o fato da dupla ter um inglês melhor que a anterior já é um passo na direção certa.

“A questão é que com certeza vai dar um ar novo ao time, só pelo fato de mudar a atmosfera já muda bastante. Também fiquei sabendo que a Rensga comprovou que eles falam inglês, fizeram um teste”, conta o jogador dando risada. “Parece que, a princípio, a comunicação vai dar muito certo”.

“Colocaram um atirador que também fala português, então acho que isso pode mudar bastante. A questão do Hades é que, normalmente o atirador não precisa falar muito, mas acredito que faltava atitude dele nos jogos”, completa.

PARA ONDE CORRER AGORA?

Com grandes expectativas para sua volta - uma vez que já foi um dos top laners mais promissores do cenário - e com uma grande base de fãs que o acompanha a cada passo, Ayel deu um passo à frente e deu um pulo de fé, retornando ao competitivo e, assim que sentiu uma evolução acontecendo, teve suas asas cortadas.

“Eu estava em um caminho bom. Por mais que as coisas não estivesse muito certo, sinto que eu estava evoluindo gradativamente, era um processo. Não tinha como eu chegar no campeonato já muito bem”, observa Ayel.

“Até poderia, mas teria que ter um preparo muito antes, só que fiquei com receio de dar burnout e resolvi ir com calma. Senti que os resultados individuais estavam chegando aos poucos, mas acho que não fui rápido o suficiente, não peguei no ritmo muito rápido”, adiciona.

Agora com expectativas mais tímidas para encontrar uma nova casa que o acolha neste primeiro semestre do CBLoL, na hora de falar sobre seu futuro, o jogador não nega a decepção.

“Estou um pouco frustrado com a situação, não é muito legal. Mas ter voltado pro competitivo nesse começo foi muito bom pra mim, abriu meus olhos pra muitas coisas e vou parar pra pensar ainda. Esse ano não tenho certeza do que vou fazer porque ele mal começou e esse primeiro semestre já não vou mais jogar”, conclui.

Agora com uma despedida iminente do elenco da Rensga, se assim desejar, Ayel terá que encontrar uma organização nova para vestir o uniforme e tentar voltar ainda mais forte para o segundo split.

Já a Rensga, sofre com a falta de Trap, uma vez que o jogador foi suspenso dos próximos três confrontos da organização devido a comportamento tóxico. Com isso, os Cowboys devem contar com o reforço do top laner Edger, de sua equipe de base.