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777 Partners diz que cumpriu todas as cláusulas no Vasco e ataca: 'Trabalho suspenso por desejos egoístas da nova administração'

Josh Wander, CEO da 777 Partners, durante visita ao CT do Vasco da Gama Daniel Ramalho/Vasco da Gama

A 777 Partners, dona de 70% das ações da SAF do Vasco, se manifestou sobre a liminar que o Vasco associativo conseguiu na Justiça, na noite de quarta-feira (16), que afasta a empresa do controle majoritário. Com a decisão, o Vasco associativo, presidido por Pedrinho, fica com 69% das ações da SAF, enquanto a 777 passa a ter 31%.

Os norte-americanos disseram que cumpriram as cláusulas contratuais e que a liminar é uma "aberração jurídica". Em nota, lamentaram a "posição belicosa e intransigente dos novos dirigentes do Vasco" e disseram que o trabalho foi suspenso "por desejos egoístas da nova administração".

"A 777 Partners recebeu com surpresa e indignação, por meio dos veículos de comunicação, a decisão, em caráter provisório, de afastar a empresa do comando do Vasco SAF. A liminar, proferida durante a noite em um caso no qual não tivemos acesso aos autos para responder legitimamente, é uma aberração jurídica e coloca em xeque não apenas o futuro do Vasco da Gama, mas o sistema do futebol brasileiro como um todo", disse a empresa.

"A pergunta que fica é: que empresa terá coragem para investir milhões de dólares em uma SAF com o risco de perder o poder de comando do dia para a noite em uma canetada, sem ter cometido uma única infração contratual?", seguiu.

"Lamentamos profundamente a posição belicosa e intransigente dos novos dirigentes do CRVG, em especial de seu presidente, que nunca se dispôs a discutir soluções para o Vasco no foro adequado, as reuniões do Conselho de Administração da SAF", completou.

Leia a nota completa da 777 Parners

A 777 Partners recebeu com surpresa e indignação, por meio dos veículos de comunicação, a decisão, em caráter provisório, de afastar a empresa do comando do Vasco SAF.

A liminar, proferida durante a noite em um caso no qual não tivemos acesso aos autos para responder legitimamente, é uma aberração jurídica e coloca em xeque não apenas o futuro do Vasco da Gama, mas o sistema do futebol brasileiro como um todo. Somos investidores internacionais, confiamos no Brasil e na Lei da SAF, projeto criado para permitir a recuperação de grandes clubes por meio de injeção de capital e gestão profissional.

Desde a aquisição de 70% das ações da Vasco SAF, não deixamos de cumprir uma única cláusula contratual com o CRVG, injetamos mais de R$310 milhões no caixa, aporte essencial para iniciar um projeto de reconstrução do clube. Formamos um novo Vasco, onde os salários de atletas e funcionários são pagos em dia, credores são respeitados e dívidas são quitadas, fatos raros no futebol brasileiro.

O trabalho de reconstrução é agora suspenso por uma decisão monocrática, sem nenhum embasamento legal e motivada pelos desejos egoístas da nova administração. O episódio, ainda que em caráter liminar, certamente trará efeitos negativos para o time de futebol.

A insegurança jurídica provocada pelo fato ameaça também o futuro do futebol brasileiro. Não há dúvidas de que trará consequências desastrosas para a Lei da SAF. A pergunta que fica é: que empresa terá coragem para investir milhões de dólares em uma SAF com o risco de perder o poder de comando do dia para a noite em uma canetada, sem ter cometido uma única infração contratual?

Lamentamos profundamente a posição belicosa e intransigente dos novos dirigentes do CRVG, em especial de seu presidente, que nunca se dispôs a discutir soluções para o Vasco no foro adequado, as reuniões do Conselho de Administração da SAF.

Enquanto fomos atacados publicamente pelos novos representantes da associação, seguimos trabalhando diuturnamente pelo Vasco e honrando todas as nossas obrigações. Há uma semana, por exemplo, anunciamos o maior contrato de patrocínio da história centenária do clube.

Queremos reafirmar nosso compromisso com o Vasco e sua enorme torcida, logo que as condições para que o processo de reconstrução do clube sejam restabelecidas, com a reversão da decisão.

Reiteramos nossa confiança na Justiça e nas leis do Brasil e temos absoluta certeza de que a absurda liminar será derrubada quando a 777 Partners for notificada e puder apresentar a defesa no processo.

Pedrinho também se manifestou nesta quinta

O presidente do clube associativo, Pedrinho, deu entrevista coletiva nesta quinta-feira (17) para explicar os motivos pelos quais resolveu entrar na Justiça.

O ex-jogador afirmou não ter interesse no controle do futebol, que, segundo ele, continuará com a Vasco SAF, seja com a 777 Partners como sócia ou qualquer outra empresa. Ele disse que a ação foi para proteger a Vasco SAF de qualquer possível bloqueio ou colapso. Segundo o agora dirigente, apoiado por auxiliares jurídicos, a 777 não cumpriu obrigações contratuais.

"Muitas perguntas são feitas sobre o futebol. O futebol não volta pro associativo. Não vai voltar. Permanece e permanecerá com o Vasco SAF. É definitivo. Não tem a menor hipótese de acontecer. A SAF continuará para sempre. O planejamento esportivo e financeiro do futebol continua com a SAF", começou.

"Seria fácil lavar as mãos, esperar o caos acontecer e falar 'eu avisei'. O mais difícil para mim é ter que ter entrado com a ação. Quero ser direto com o torcedor: tem que ter muita coragem para fazer o que fizemos. Isso é em respeito à instituição. Não entramos com interesse em briga com nosso sócio. Fizemos a promessa de fiscalizar e cobrar. Quando viro chacota, machuca. Entrei para pagar o preço que muitos não querem pagar. A ação é para proteger as ações da Vasco SAF, para que não tivesse nenhum bloqueio e o Vasco fosse prejudicado financeiramente e entrasse em colapso. Sou vascaíno antes de ser presidente. As ações são de proteção ao torcedor. Sei o preço que estou pagando e vou pagar", seguiu.

"Em nenhum momento a ação tem ou teve qualquer intuito esportivo. É jurídica. Quero deixar claro e ser repetitivo de que o sentimento de amor que tenho pelo Vasco e as injustiças que estão sendo comentadas a mim... as pessoas vão se arrepender. As pessoas só acreditaram quando informações foram dadas por veículos americanos. Nunca tive problema nenhum com a sociedade em si. Meu problema nunca foi e nunca será com a SAF. A SAF permanecerá. Meu problema era cumprimento de contrato, era legitimidade financeira. Diversas vezes pedimos garantias financeiras para que não chegasse nesse nível. Deixo claro ao torcedor: minha intenção sempre vai ser de fazer o melhor para o Vasco. Não pense que estou feliz de entrar com ação. A culpa não é minha de entrar. Fiz isso por vocês e vou pagar o preço até o fim. Fiz por vocês, com a melhor das intenções, para o Vasco SAF não quebrar", completou.

Ainda cabe recurso para a decisão da Justiça. O mandatário revelou ter um "plano B" caso a 777 opte pela ruptura com a Vasco SAF e abra mão de suas ações.

"Não quero o futebol. O futebol continua com a SAF. Vamos esperar o que vai acontecer da liminar. Vou estar como estou desde o primeiro dia: disposto a colaborar e contribuir da forma que o Vasco precisar em todas as áreas", declarou, antes de concluir.

"Vou respeitar o sócio. Caso haja ruptura, a gente tem (um plano B)".

Próximo jogo do Vasco

Fortaleza (C): 21/05, às 21h30 (de Brasília) - Copa do Brasil