Marques, campeão da Conmebol em 1997 pelo Atlético-MG, e Victor, atual gerente de futebol do Galo, falaram ao ESPN.com.br sobre o reconhecimento do torneio como Sul-Americana pela entidade
O Atlético-MG enfrenta o Palmeiras nesta quarta-feira (10), às 21h30, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+, para seguir sonhando com a conquista da Conmebol Libertadores. Mas esse não é o único título sul-americano que o clube pode buscar em 2022.
Na verdade, o clube pretende um reconhecimento da Conmebol para que as conquistas de 1992 e 1997 se tornem equivalentes à Sul-Americana. Algo que, de cara, tornaria o Galo um dos maiores campeões da competição.
Isso porque, o clube mineiro ficaria com as duas conquistas ao lado de Boca Juniors, Independiente e Athletico-PR, maiores campeões do torneio continental.
No último dia 19 de julho, representantes dos campeões da Copa Conmebol estiveram na sede da entidade de mesmo nome em Luque, no Paraguai, para pedir o reconhecimento da competição como Sul-Americana.
Dentro outros motivos, a solicitação que o coeficiente das conquistas conte para o ranking da Conmebol, que serve para definir os cabeças de chave da Libertadores e Sul-Americana, além da posição dos clubes nos potes dos campeonatos.
"Para quem jogou é uma mera nomenclatura"
Em entrevista ao ESPN.com.br, Marques, que foi nome importante no bicampeonato do Atlético-MG em 1997, afirmou que, para quem foi campeão, a nomenclatura pouco importa visto a dificuldade que era participar da competição nos anos 90.
"Eu acho que as respostas para quem participou serão bem individualizadas. Eu que estive presente jogando praticamente todos os jogos, fazendo gols, dando passes, não muda muita coisa. Mesmo porque a Conmebol era dificílima de participar. Não é como hoje se você não é rebaixado, você participa da Sul-Americana. Lembro que para jogar a competição, o Atlético-MG foi 3º lugar do Brasileirão. 1º e 2º jogavam a Libertadores, somente 3º e 4º jogavam a Conmebol. Nível técnico muito mais difícil do que é hoje", começou por afirmar.
"Lance da nomenclatura, para eu que participei, pouco importa. Para nós, na oportunidade, foi um título importantíssimo. Hoje é por conta de um saldo melhor no ranking da Conmebol. Para o atleta, eu que joguei, Conmebol ou Sul-Americana pouco importa, a dificuldade era imensa, nível técnico para participar era alto, não é o 8º, 9º, 10º como a gente vê hoje."
"Para o clube pode ser importante o reconhecimento. Mas, para quem disputou e enfrentou a dificuldade da competição, a nomenclatura pouco importa. Eu valorizei demais. A nomenclatura não tem muita importância. Para o clube, talvez sim. Para buscar reconhecimento no ranking, uma competição que foi extinta, depois virou Sul-Americana em um formato diferente. Valorizei muito, os atletas que participaram comigo da mesma forma. Para ganhá-la foi f***, para participar pior ainda. A gente teve que estar entre os quatro do Brasileirão. Essa é a questão que gostaria de levantar. Para o clube vai ser importante essa reconhecimento, questão do ranking. Para quem jogou é uma mera nomenclatura", completou.
"Eu acho que o clube buscando o reconhecimento dentro do ranking é uma briga justa. Falo do meu lado emocional naquele momento. Para nós que conquistamos, independe do nome que estará ali na frente."
Logística complicada e adversários de peso
Terceiro colocado no Campeonato Brasileiro de 1996, o Atlético-MG foi o segundo time do país na competição. O outro foi a Portuguesa, vice-campeã do torneio nacional do ano anterior.
Na campanha, o Galo tirou a Lusa, depois passou por América de Cali, Universitario-PER e Lanús, na grande decisão. Para Marques, a logística complicada e a qualidade dos adversários que o Alvinegro teve pelo caminho deixam a relevância da conquista ainda maior.
"Olha a viagem do que foi a competição. O Atlético-MG foi 3º, jogou contra a Portuguesa que foi 2º. Ai você vai à Colômbia pegar o América de Cali que era temido no continente. Aí pegamos o Universitário que tinha ótimos jogadores e era praticamente base da seleção peruana. É dos títulos mais importantes da minha carreira. Fui campeão da Copa do Brasil, do Campeonato Paulista pelo Corinthians, Campeonato Carioca por Flamengo e Vasco, joguei final de Brasileiro, Campeonato Mineiro tantas vezes. Mas a Conmebol, devido toda a luta, a batalha que foi a competição, desafio que enfrentamos, foi sensacional."
"Para começar, a gente iniciou contra a Portuguesa, tinha um time certinho, vivia seu grande momento histórico na década de 90. Tinha o Rodrigo Fabri. Em 96, a Portuguesa tirou o Atlético-MG da final do Brasileiro no Mineirão. Iniciamos com pé direito e vencendo. Time estava se ajustando, foi feito para jogar o Brasileiro. Eu e Valdir Bigode buscando entrosamento, Jorginho no meio e tinha acabado de chegar. Era um time de garotos, tinha o Taffarel. A maior dificuldade foi a 'batalha de Lanús'. Embora esperava-se mais dificuldade dos argentinos, construímos goleada por 4 a 1. No final apelaram porque não imaginavam o Atlético-MG ir lá e fazer o jogo que fez. Segundo jogo foi uma mera formalidade. Nós superamos todos os adversários com uma categoria incrível. Ganhamos fora e dentro. Conseguimos o título."
A Batalha de Lanús
Na grande decisão, o Atlético-MG teve pela frente o Lanús. No primeiro confronto, na Argentina, goleada impiedosa por 4 a 1. O que era um clima tranquilo até o início da partida se transformou em uma batalha campal.
Para Marques, o resultado construído ao longo dos 90 minutos fez os jogadores da equipe argentina tentarem mostrar na base da violência uma resposta ao torcedor que lotou o Estádio La Fortaleza.
"Até a chegada e início da partida estava um clima tranquilo, jogo jogada. A construção do placar, e naquela época tinha muito isso de darem uma resposta à torcida na pancada. Hoje as câmeras te vigiam, naquela época não. O zagueiro te marcava e a bola em outro lado do campo ele te batia. Quando a gente mete o 4 a 1, eles veem o resultado com pouca chance de reversão e apelaram. Vieram para cima."
"O (Emerson) Leão tomou um soco no rosto e precisou fazer uma cirurgia. Todos nós apanhamos. Ganhamos na bola e ganhamos bonito. No segundo jogo os brigões não vieram, a torcida do Galo estava prometendo revanche, houve policiamento importante, porque era um clima pesado. Controlamos a partida sem maiores dificuldades, jogo terminou em paz, porque a guerra ninguém queria. Correu bem e foi exatamente isso."
Festa da torcida independente da competição
Marques revelou que a torcida do Atlético-MG fez uma festa incrível com o título. E, independente da competição, seja ela vencida ou perdida. o torcedor do Galo valoriza a entrega dos jogadores.
"A torcida do Atlético-MG é uma torcida que faz festa. Vi uma festa bonita quando ganhei título mineiro, a festa foi excepcional quando ganhamos a Conmebol. Fizeram uma festa linda quando chegamos de São Paulo com o vice do Brasileiro. Então, a torcida do Galo é, acima de tudo, uma torcida que reconhece o esforço e a batalha nas conquistas, isso é claro. Independentemente se seja uma Libertadores ou um Mineiro. Ela estará lá no estádio e irá comemorar com todo o coração junto com seus jogadores."
Espécie de torneio da Uefa
Outro ex-jogador que tem lugar de fala quando o assunto é título internacional é Victor. Ex-goleiro do Galo nas conquistas da Libertadores de 2013 e Recopa Sul-Americana em 2014, o atual gerente de futebol do clube vê como importante o reconhecimento do torneio como Sul-Americana.
🏆🏆 #HojeNaHistóriaDoGalo: no dia 17/12/1997, o #Galo conquistava o bicampeonato da Copa Conmebol, competição que já havia vencido em 1992: https://t.co/Y4wy14Ceee
— Atlético (@Atletico) December 17, 2018
Diz aí, Massa! Qual foi o momento mais marcante da nossa segunda conquista continental? Comente! 👇🏾 pic.twitter.com/Ihg7IN4Bl4
🏆🏆 Bicampeão continental!
— Atlético (@Atletico) March 25, 2021
🌎 Em 1992 e 1997, o #Galo foi campeão da Copa Conmebol em verdadeiras batalhas contra Olímpia e Lanús. As veias da América Latina foram preenchidas com o sangue atleticano e conheceram o grito: "Lutar, lutar, lutar"!
🥳 #Galo113Anos 🏴🏳️ pic.twitter.com/DqWVWodcik
🔙 Há 24 anos, o #Galo era bicampeão da América!
— Atlético (@Atletico) December 17, 2021
🌎 Em 1997, o Atlético venceu pela segunda vez a Copa Conmebol. Após vitória histórica contra o Lanús (4 a 1), na Argentina, o Galão da Massa pintou o continente de preto e branco com o empate em 1 a 1 no Mineirão!#BicaBiCampeão pic.twitter.com/v7of0SKMyS
Não houve fortaleza que parasse o Alvinegro em 6 de novembro de 1997! ❌🏟️
— Atlético (@Atletico) November 6, 2020
🐔🏆🏆 Pelo jogo de ida da decisão da Copa Conmebol daquele ano, o #Galo não tomou conhecimento do Lanús e aplicou uma goleada por 4 a 1, de virada, em pleno solo argentino! pic.twitter.com/IC1RNmQ5wK
Em contato com a reportagem do ESPN.com.br, Victor fez o paralelo da atual competição da Conmebol como uma espécie de Europa League e sua valorização nos últimos anos, com as equipes entrando ainda mais preparadas para conquistá-la.
"Importância de um título internacional de expressão. Hoje a Sul-Americana é um campeonato prestigiado e disputado, onde os clubes têm interesse. Essa é a importância de você ter um título de expressão no âmbito internacional. Uma vez que o conquistou e pode ser conquistado novamente."
"Sinceramente, não vejo como um torneio desvalorizado. Ele vem sendo valorizado. Fazendo um paralelo, hoje a Sul-Americana seria uma espécie de torneio da Uefa. Todos os clubes têm o interesse de participar e vencê-lo. Tanto na questão esportiva, de importância para o clube, quanto na questão financeira. É um campeonato de prestígio sim", finalizou.
Além do Atlético-MG, bicampeão do torneio em 1992 e 1997, há outros seis campeões. São eles: Botafogo (1993), São Paulo (1994), Rosário Central (1995), Lanús (1996), Santos (1998) e Talleres (1999).
A Copa Conmebol era o segundo principal torneio do futebol sul-americano e antecedeu a Copa Mercosul, disputada em quatro edições (1998, 1999, 2000 e 2001).
