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A história de Zé Lucas, que não esquece as raízes após sucesso no Sport e tem pai como fiel escudeiro: 'Corrige e apoia'

É normal se confundir. Para quem nunca viu Zé Lucas jogar, pensar que ele é veterano é muito fácil. As boas atuações desde o ano passado com a camisa do Sport o colocaram como um dos jogadores mais cobiçados do futebol brasileiro.

Mas é só chegar mais perto para lembrar que estamos falando de um garoto de 18 anos de idade, de sorriso frouxo, com todo aquele jeitão de moleque, só que, por incrível que pareça, com a mesma seriedade e tranquilidade que ele demonstra dentro das quatro linhas -- neste domingo (3), o jovem estará em campo para defender o clube pernambucano em jogo contra o Ceará, às 18h (de Brasília), pela Série B do Brasileirão, com transmissão ao vivo no plano premium do Disney+.

“Isso é fruto de muito aprendizado em casa. Meu pai às vezes vê que não estou na linha e corrige. Ele sempre tá ali pra apoiar, independente do momento que esteja. Sei que ele e toda a minha família sempre vão estar ali presentes. E isso é o que faz me motivar, né? Isso é o que dá mais energia pra mim, dá mais vontade de fazer as coisas, de jogar mais ainda pra dar mais orgulho pra eles”, pontuou o volante rubro-negro, em entrevista exclusiva à ESPN.

E tudo isso ao lado pai. Paulinho é companheiro inseparável do filho, estando presente em todos os jogos e o levando todos os dias para os treinamentos no CT leonino. Ele garante que esse jeito tranquilo de Zé Lucas não surgiu agora que ele é o volante sub-20 mais valorizado da América do Sul, com valor de mercado estipulado em mais de oito milhões de euros, cerca de R$ 50 milhões, de acordo com sites especializados.

“Ele sempre foi um menino bom, nunca deu trabalho. E o que a gente passa pra ele fora do campo é justamente o que ele é. Pra não se deslumbrar com o momento, com a rede social, e aproveitar o momento do jogo, seguindo firme na carreira, com os pés no chão, buscando sempre evoluir a cada dia. Eu acho que o Zé tá num momento de aprendizado, é o que eu digo muito pra ele. Manter o foco, manter a cabeça boa. Aos poucos a gente vai buscando voos maiores”, afirmou Paulinho.

Zé Lucas chegou ao profissional do Sport no ano passado, depois de ser utilizado nas primeiras rodadas do Campeonato Pernambucano com o restante do elenco sub-20, enquanto o profissional ainda realizava a pré-temporada.

O desempenho contra as equipes intermediárias da competição chamou a atenção da torcida e do então técnico Pepa, português ex-Cruzeiro e que havia conquistado o acesso à Série A com os rubro-negros em 2024.

Em pouco tempo o garoto virou o xodó da torcida e terminou a temporada em alta, como capitão da Seleção Brasileira sub-17 no Mundial da categoria, que aconteceu no último mês de setembro no Qatar.

“No começo foi até difícil pra adquirir algumas coisas, pra aprender algumas coisas, mas eu consegui me adaptar ao elenco do ano passado, consegui fazer bons jogos e fazer um ano bom individualmente, por mais que o ano do Sport não tenha sido dos melhores. Foi um ano muito bom pra mim também porque eu consegui ir pra Seleção Brasileira sub-17, consegui o Sul-Americano no começo do ano com a Seleção sub-17, e depois chegou no Mundial no final do ano e eu fui bem também”.

Porém, o rebaixamento do ano passado ainda não deixou a memória do volante. Tanto que Zé Lucas revelou que, mesmo com a possibilidade de deixar o Sport ainda na janela de transferências do meio do ano, ele sonha em terminar o ano na Ilha do Retiro e devolvendo o clube à elite do futebol nacional.

“Eu jogo no Sport desde oito anos de idade, fiz minha base toda no Sport, subi para o profissional no Sport. Foi o clube que me formou e eu não queria sair de maneira diferente. Eu tenho que sair deixando o clube muito bom, deixando o clube onde ele merece estar, que é na Série A. E eu quero conquistar e fazer meu nome aqui no Sport, que pra mim é o mais importante no momento. Deixar meu legado no clube, pra uma possível volta. Não sei, o futuro a Deus pertence”, colocou o atleta.

O nome de Zé Lucas vem sendo alvo de inúmeras especulações de mercado desde o ano passado. Clubes como Bayern de Munique, Porto, Betis e Barcelona já sondaram a situação do garoto e o observaram tanto em jogos na Ilha do Retiro como em jogos pelas seleções de base.

Só que, até o momento, nenhuma proposta foi oficializada, até pelo fato de que Zé fez 18 anos no último mês de março e, somente agora, poderia deixar o Brasil mediante uma boa oportunidade. Entretanto, essa conversa nem faz parte do cotidiano do volante.

“A gente tem nosso staff, que trabalha com ele desde quando o Zé tinha 10 anos de idade, um pessoal que já vem nessa batalha com a gente há um bom tempo. A gente tem uma confiança e uma amizade muito grande. Eles estão trabalhando, o pessoal do Sport está trabalhando, mas hoje o foco é Zé estar bem, se manter jogando em alto nível, buscar evoluir a cada dia, deixar o Sport em cima da tabela e as coisas vão acontecer naturalmente. Como pai, é só deixar o Zé com a cabeça boa. Foco no Sport, pra poder a gente estar bem, viver um bom momento que isso vai ser bom pra ele, até na própria negociação lá na frente. Porém, o momento é aqui, trabalhando no Sport pra poder buscar um voo maior lá na frente”, comentou Paulinho.

Sonho realizado

Claro que jogar na Europa está nos planos de qualquer jovem jogador e com Zé Lucas não seria diferente, mas um outro sonho, ainda maior e talvez mais significativo, já foi alcançado.

“O meu maior sonho era dar uma casa pra minha mãe e ele foi realizado esse ano. É com muito orgulho que eu falo isso, que eu dei essa casa pra minha mãe e pra minha família. A gente sempre morou de aluguel e o sonho era dar essa casa pra eles, era dar um lugar melhor pra viver”, afirmou Zé.

Só que o pai não o deixa esquecer as raízes da comunidade do Engenho do Meio, na zona oeste do Recife, que ainda é bastante frequentada pelo jogador.

“Isso é motivo de orgulho pra todos nós, pra pai, mãe e irmão. A gente sempre morou na comunidade, que está no nosso coração. A gente sempre morou de aluguel e a vida como profissional, financeiramente, fez com que ele realizasse esse sonho pra todos nós, de nos dar uma casa boa, dar condições melhores, mas não esquecendo as nossas raízes. Ele frequenta muito lá a comunidade, o pessoal do Engenho do Meio ama ele de coração”, completou Paulinho.

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