Em entrevista ao UOL, o executivo de futebol do São Paulo, Rui Costa, desabafou sobre a enorme pressão que vem sofrendo nas últimas semanas no clube.
O cartola admitiu que as vaias e xingamentos que vem recebendo nos jogos incomodam e pediu o apoio dos torcedores, ao menos durante os 90 minutos das partidas.
"A pressão é grande pois estamos no São Paulo, um dos maiores clubes do mundo. Sei disso desde o primeiro dia em que cheguei. Todo mundo fica triste quando é xingado, mas temos capacidade para reverter a situação e ter o torcedor são-paulino ao nosso lado. Nos últimos anos, a torcida, o maior patrimônio da instituição, nos conduziu a um título inédito e precisamos deles mais uma vez para termos resultados melhores", pontuou.
O dirigente explicou os motivos que levaram à demissão do técnico Hernán Crespo, que estava na liderança do Brasileirão com o Tricolor, e detalhou a decisão de contratar Roger Machado.
Sobre o treinador argentino, Rui Costa descreveu a saída como "difícil", mas salientou que a diretoria optou pela troca de comando por observações feitas no CT da Barra Funda, longe dos olhos da torcida.
"Quando tomamos a difícil decisão de encerrar o ciclo do Crespo, sabíamos que haveria uma reação, porque ele tinha afinidade com a torcida e os resultados das primeiras rodadas do Brasileiro eram positivos. Mas foi uma escolha técnica, baseada no que víamos no dia a dia, ao qual o torcedor não tem acesso total, e também a uma divergência insuperável de conceitos e propósitos", argumentou.
"Isso não muda o respeito que tenho pelo Hernán, com quem trabalhei em dois momentos distintos, com a conquista do Paulista de 2021. Mas entendemos que era o momento de mudar. Acreditávamos e continuamos acreditando que o São Paulo pode almejar coisas grandes, por maiores que sejam as dificuldades", seguiu.
"Ninguém fica feliz em demitir treinador, e comigo não é diferente. Respeito as críticas, sei que vou ser cobrado se não der certo, faz parte do meu trabalho. Quero dizer apenas que a troca foi por convicção, pensando no São Paulo. Temos o objetivo constante de evoluir e trabalhamos arduamente para isso todos os dias", complementou.
Sobre Roger, o executivo fez forte defesa do comandante e salientou que a relação próxima que tem com o técnico desde os tempos de Grêmio em nada serviu para tomar a decisão de contratá-lo.
Falando forte, o cartola assegurou que não tem "relação de amizade ou afinidade" com o treinador e destacou que ele não conhece nem mesmo sua família.
"Eu trabalho para o São Paulo Futebol Clube e meu único compromisso é dedicar-me ao máximo para que o processo evolua constantemente. Roger Machado não está aqui por uma questão de amizade ou afinidade, a vinda do treinador foi uma escolha estritamente profissional. A única vez que estive na casa do Roger foi há mais de 10 anos, quando fechamos a contratação para o comando técnico do Grêmio. Ele nunca foi à minha casa, não conhece meus filhos", bradou.
"Temos uma relação de trabalho excelente, assim como eu tenho com outros treinadores. Ele não está aqui porque é meu amigo, nunca contratei e nem contratarei profissionais pelo vínculo pessoal. Ele está aqui porque conhece futebol, tem uma longa trajetória como treinador, goza do respeito da diretoria e dos atletas pelo que faz no dia a dia. A minha relação com o Roger Machado é similar com os vínculos que eu tenho com outros profissionais com quem trabalhei aqui, como o caso do Rogério Ceni, Hernán Crespo, Dorival Jr., Zubeldía, Carpini, entre outros", acrescentou.
Para Rui Costa, inclusive, o São Paulo melhorou muito seu desempenho em campo desde a saída de Crespo e a chegada de Roger.
"A convicção no projeto do Roger Machado é fruto do que constatamos todos os dias, pois vemos evolução no trabalho. Ele está à frente da equipe há apenas 40 dias e vejo que o time tem criado muitas oportunidades durante os jogos, a defesa evoluiu e o grupo comprou as ideias dele", apontou.
"É importante contextualizar que estamos em uma temporada extremamente difícil, com um espaço muito curto de recuperação e ainda assim estamos conseguindo enxergar as ideias do treinador na equipe. O Roger entendeu as características do elenco e tem dado espaço para os jovens, o que considero muito importante. Eu vejo um trabalho que evolui", observou.
"Temos um alinhamento próximo com o presidente (Harry) Massis e me sinto absolutamente à vontade para avaliar de maneira profissional o projeto que tem sido executado pelo treinador. Desde o início, o Roger tem demonstrado um profundo respeito ao contexto financeiro do clube, as dificuldades que estamos enfrentando, sem desconsiderar o protagonismo que o São Paulo sempre precisa buscar", finalizou.
Próximos jogos do São Paulo:
Mirassol (C) - 25/04, 21h (de Brasília) - Brasileirão
Millionarios (F) - 28/04, 21h30 (de Brasília) - CONMEBOL Sul-Americana - Transmissão do plano premium do Disney+
Bahia (C) - 03/05, 16h (de Brasília) - Brasileirão
