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Oposição do São Paulo vê clube 'na mão de 4 pessoas' e explica reunião extraordinária que busca fim da gestão Casares

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À ESPN, grupo de oposição do São Paulo explica 'missão principal' e abre o jogo sobre reunião extraordinária para pôr fim à gestão Casares (2:18)

Presidente do clube enfrenta cada vez mais resistência após resultados ruins em campo e polêmicas e denúncias fora dele (2:18)

O São Paulo passa por um dos momentos mais conturbados de sua história, tanto dentro de campo, com resultados bastante ruins, mas principalmente fora dele, com a vida política dentro do clube "explodindo".

Apenas na última semana, o Tricolor registrou polêmicas como por exemplo problemas médicos, com a utilização de canetas emagrecedoras que não são autorizadas a serem comercializadas no Brasil e também uma denúncia de comercialização irregular de camarotes dentro do Morumbis feita por diretores, em dias de shows no estádio.

Por conta disso, o presidente Julio Casares vem enfrentando cada vez mais rejeição dentro do clube e, se outrora ele era considerado "intocável" e seu grupo dificilmente perderia qualquer eleição, hoje esse cenário mudou, e já existe uma forte corrente dentro do Morumbis para que o mandatário renuncie.

Nos últimos dias, o grupo de conselheiros de oposição, intitulado "Movimento Salve o Tricolor Paulista", protocolou até mesmo um pedido de afastamento de Casares.

Para entender um pouco melhor tudo o que se passa no clube, a ESPN entrou em contato Caio Forjaz, conselheiro de oposição, que explicou tudo o que o São Paulo está passando em sua política e criticou bastante o modelo de gestão, dizendo que o Tricolor é "totalmente antidemocrático".

"As gestões do São Paulo, a atual e as anteriores, são totalmente antidemocráticas. O estatuto do clube foi feito para que alguns grupos se perpetuem no poder. Já começa na eleição o formato da eleição, com cédulas pré-preenchidas. Eu e tantos outros conselheiros somos entusiastas do voto direto pelo sócio, tal qual o voto eletrônico. Inclusive, existe um movimento de sócios independentes apolíticos, chamado Nova Era, nesse sentido. Foi esse movimento que fez o protesto dentro do clube pedindo 'fora, Casares', que é um movimento que não para de crescer, seja nas redes sociais ou dentro do clube. São os 20 milhões de torcedores que pedem. Mas o São Paulo, sendo um clube totalmente antidemocrático, precisa de uma reforma estatutária para que o poder não fique concentrado nas mãos de quatro ou cinco pessoas. Hoje, o São Paulo é governado por quatro ou cinco pessoas que mandam no clube; uma delas sequer é conselheiro. É um empregado, assalariado, que veio dos quadros sociais. A experiência profissional do CEO é restrita ao clube social do São Paulo e não tem capacidade de ser o próximo presidente. Isso e tantos outros escândalos fizeram com que situação, oposição, torcida e sócios falassem 'chega, basta'. O São Paulo precisa de transparência, isonomia e gestores de qualidade".

Por conta disso, a única solução encontrada por Caio, e também seus aliados, é que Julio Casares se afaste da presidência, mesmo tendo mais um ano de mandato, por conta de todas as polêmicas e acusações recentes.

"Nosso objetivo primordial agora é destituir o presidente Casares. Não há mais clima e governabilidade para que o presidente continue. Ontem, o José Alexandre Medici pediu, frente a frente com ele, de uma forma contundente, que o presidente renuncie. Eu não acredito na renúncia, embora ele tenha demonstrado estar muito abalado e sem condições emocionais de continuar na presidência do São Paulo; isso ficou claro na reunião de quarta-feira. A nossa missão agora, tanto da situação como da oposição, é tirar o presidente do cargo. E tirar dentro da lei. O estatuto do São Paulo prevê a destituição do presidente, desde que convocada uma reunião extraordinária, através de 50 assinaturas de conselheiros. Isso está sendo feito, preparado; estamos coletando as assinaturas."

Para que a ideia de afastamento se confirme, o conselheiro explicou a estratégia do grupo, já que com o modelo político arcaico do São Paulo, esse movimento não é tão simples como parece:

"Esse pedido de reunião extraordinária para debater a destituição do presidente Julio Casares será protocolado tão logo a gente consiga as 50 assinaturas. Isso é remetido para o presidente do Conselho Deliberativo, que deve convocar a assembleia em 30 dias. Caso ele não convoque, o vice-presidente tem um prazo para convocar e, no pior dos casos, existem outras alternativas normativas para tanto".

"Após isso, conseguido pautar o assunto em reunião, ele sendo destituído, o vice-presidente assume imediatamente e é levada essa decisão para a Assembleia Geral do clube. O caminho está todo traçado para que, em um breve espaço de tempo, a gente consiga destituir o Julio Casares, nomear o Massis (Harry Massis Júnior) como presidente do São Paulo, que é o atual vice; é um empresário conceituado, renomado. Infelizmente, ele entendeu que deveria seguir o Julio, mas é uma pessoa que goza da nossa confiança e é capaz de gerir o São Paulo com a ajuda dos jovens e daqueles que ainda têm disposição para tanto."

'Prontos para mudar os rumos do São Paulo'

Durante a entrevista, Caio Forjaz ainda deixou claro que não acredita que "apenas" a troca de presidência já faria o São Paulo voltar aos rumos, mas que isso serviria como um recado para a torcida, que certamente estaria ao lado do clube caso esse processo de recuperação seja feita "às claras", diferentemente do que tem acontecido nos últimos anos, em que as dívidas só aumentam.

"A oposição está pronta para mudar os rumos do São Paulo. Ninguém aqui se acha salvador da pátria. Nós não falamos de nomes para candidatos à presidência, estamos falando agora de destituir o presidente Julio Casares, empossar o vice-presidente e ajudá-lo a gerir o São Paulo de forma adequada. [...] Temos certeza da condição de resgatar o São Paulo no prazo de dois, três, quatro anos. Precisamos passar por uma transição de remédio amargo, urgente, imediato, com honestidade para a torcida dizendo que o São Paulo vai brigar no meio de tabela, reformular e reorganizar politicamente o clube, entender que o São Paulo não poderá fazer contratações mirabolantes, negociar com os atuais jogadores do elenco profissional, reduzir salários para os que querem ficar", explicou, antes de encerrar.

"Existe um plano de contingenciamento pronto, existe um plano de auditoria imediata assim que a gente conseguir assumir o poder no São Paulo, para posteriormente falarmos em SAF. Agora não é o momento. Agora é o momento de apuração, investigação e de punição para aqueles que estão desfalcando o São Paulo Futebol Clube."

Oposição crescendo

O São Paulo aprovou o orçamento da temporada 2026 - veja os detalhes aqui. No entanto, uma votação que era uma carta na manga de Casares para tentar fortalecer a sua gestão, acabou sendo totalmente diferente do esperado.

A apertada votação - 112 aprovações contra 107 reprovações - comprova que a oposição, tão enfraquecida em outros anos na política do São Paulo, atualmente vive um momento de crescimento. Resta saber quais serão os próximos capítulos do turbilhão que vive o Tricolor Paulista.