<
>

Da 'venda' de Cotia à dívida quase bilionária: os pontos em que oposição do São Paulo se baseia para pedir renúncia de Casares

play
Segue no São Paulo? Crespo: 'Acho que posso ser parte da solução. Vão aproveitar isso? Não sei' (1:37)

Treinador do São Paulo falou sobre planejar o futuro após a goleada de 6 a 0 sofrida diante do Fluminense (1:37)

A goleada sofrida pelo São Paulo contra o Fluminense, por 6 a 0, teve repercussão imediata no clube paulista. Em campo, Luiz Gustavo desabafou. No Maracanã, Rui Costa pediu desculpas ao torcedor. No Morumbis, Carlos Belmonte renunciou.

Já nesta sexta-feira (28), como mostrou a ESPN, um grupo de 41 conselheiros elaborou um abaixo-assinado pedindo a renúncia de Júlio Casares da presidência do São Paulo. A reportagem teve acesso ao documento.

“A presente solicitação se fundamenta em sucessivos episódios que, ao longo de sua gestão, comprometeram gravemente a estabilidade institucional, financeira e esportiva da entidade”, diz o início do abaixo-assinado.

O documento cita os “recorrentes déficits anuais” e fala em “descontrole absoluto das despesas – especialmente no departamento de futebol”. O Tricolor fechou 2024 com déficit de R$ 287 milhões, elevando a dívida para R$ 968 milhões.

Segundo o grupo, a gestão de Casares pode ser enquadrada como temerária nos termos do Artigo 25 da Lei n. 13.155 do Profut.

Os conselheiros ainda apontam que a atual presidência teve “reiteradas tentativas de promover mudanças estatutárias com nítido propósito casuísta de centralização de poder”.

No fim de 2022, os sócios do São Paulo votaram uma alteração que passou a permitir a reeleição para presidente do clube. Casares, candidato único em 2023, foi reeleito.

O abaixo-assinado trata como a “gota d’água” a intenção da direção de Júlio Casares de realizar uma parceria envolvendo as categorias de base com "condições desvantajosas". Leia o documento completo abaixo.

Leia o abaixo-assinado que pede renúncia de Júlio Casares:

"A/C Presidente Júlio Cesar Casares,

Vimos publicamente, na qualidade de Conselheiros Deliberativos e no estrito cumprimento de nossas responsabilidades estatutárias, requerer que Vossa Excelência apresente renúncia imediata ao cargo de Presidente da Diretoria do São Paulo Futebol Clube.

A presente solicitação se fundamenta em sucessivos episódios que, ao longo de sua gestão, comprometeram gravemente a estabilidade institucional, financeira e esportiva da entidade. Os recorrentes déficits anuais, produzidos em grande parte pelo descontrole absoluto das despesas — especialmente no departamento de futebol — configuram, em diversas ocasiões, situações enquadráveis como gestão temerária nos termos do Artigo 25 da Lei n. 13.155 (Lei do Profut). Tal realidade foi objeto de alerta reiterado por vários dos conselheiros que subscrevem este documento. A consequência direta desses desequilíbrios foi o aumento exponencial do endividamento, levando o clube à beira de uma condição insustentável.

No campo esportivo, os resultados apresentados estão muito aquém do que se esperaria de um clube com a grandeza do São Paulo Futebol Clube, sobretudo diante dos vultosos investimentos realizados. A discrepância entre gastos e desempenho foi refletida na quase ausência de conquistas relevantes e em campanhas incompatíveis com nossa história, além de ter exposto de maneira incontornável a incapacidade de planejamento e execução da atual gestão. A sucessão de equívocos, somada à incapacidade de construir um projeto coerente, tornou-se fator central do declínio competitivo que hoje testemunhamos.

Paralelamente, a condução política da instituição sofreu retrocessos graves. As reiteradas tentativas de promover mudanças estatutárias com nítido propósito casuísta de centralização de poder e a perseguição sistematizada de conselheiros e associados que expressam posições divergentes ferem princípios essenciais de governança, pluralidade e transparência. Tais práticas não apenas enfraquecem a estrutura democrática do clube, como destroem a confiança interna e afastam vozes indispensáveis à tomada de decisões equilibradas.

Por fim, a gota d’água: a intenção de negociar Cotia em condições tão desvantajosas que nem sequer houve disposição para levar o tema ao Conselho Deliberativo, mesmo após ele ser aprovado pelo Conselho de Administração. Soma-se a isso a goleada humilhante sofrida ontem, encerrando mais uma temporada sem troféus, em que a única meta restante é buscar uma vaga na Libertadores pela porta dos fundos.

Diante deste conjunto de fatores, resta evidente que a continuidade de Vossa Excelência no cargo se tornou incompatível com os melhores interesses do São Paulo Futebol Clube. Por essas razões, solicitamos formalmente a renúncia imediata, de modo a permitir que o clube inicie, com urgência, um processo de reconstrução.

São Paulo, 28 de novembro de 2025"

Próximos jogos do São Paulo: