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São Paulo atrasa até 2 meses de direitos de imagem dos jogadores, recorre à renda e confia em 'acordo pacífico'

O São Paulo segue em atraso com o pagamento dos direitos de imagem de vários jogadores do elenco, em alguns casos chegando a mais de 40, 45 dias, apurou a ESPN. Apesar da situação negativa e bem desconfortável, a cúpula de futebol trabalha para que os débitos nunca ultrapassem os 2 meses, prazo visto como controlável.

Para lidar com o problema, o clube acredita na comunicação clara e direta com os atletas que têm valores a receber – não são todos, uma vez que vários têm o total de seus vencimentos pagos via CLT.

É uma espécie de “acordo pacífico”, expressão usada por quem está a par da situação e a tocando no dia a dia nos bastidores tricolor. Segundo soube a reportagem, reuniões entre a cúpula do futebol e os líderes do elenco são feitas sobre o tema para que tudo seja tratado de forma transparente, o que não significa que o atraso não incomode os jogadores.

A curto prazo, em outro detalhe também apurado pela ESPN, o São Paulo recorreu à bilheteria para amenizar a situação: acordou com credores que a parte da renda de três jogos no Morumbi (Tolima-COL, Palmeiras e Palmeiras novamente) que seria destinada a eles será usada integralmente para quitar boa parte desta dívida.

Os dois primeiros confrontos já foram. Na goleada por 5 a 0 sobre os colombianos no último dia 8, pela quinta rodada da CONMEBOL Sul-Americana, o público foi de 44.102 presentes, com uma renda bruta superior a R$ 2,2 milhões (exatos R$ 2.201.501,00); na derrota por 2 a 0 no clássico do último domingo (11), pela décima rodada do Campeonato Brasileiro, a casa são-paulina esteve ainda mais cheia, com 56.871 pagantes, o que gerou uma renda bruta acima dos R$ 3,3 milhões (exatos R$ 3.392.338,00).

A terceira e última partida que faz parte deste arranjo tricolor seria contra o Athletico-PR na próxima quarta-feira (21), às 19h (horário de Brasília), na volta da pausa para a Data Fifa, pelo Brasileirão, agora pela 11ª rodada, mas a após a publicação desta reportagem, a direção são-paulina mudou isto: agora, será o compromisso contra o Palmeiras pela ida das quartas de final da Copa do Brasil, no dia 5 de julho.

O São Paulo tem uma situação financeira considerada difícil por todos os estudos e levantamentos feitos por diferentes empresas, mas segundo o presidente, Julio Casares, no cargo desde 1º de janeiro de 2021, disse à ESPN em entrevista exclusiva em novembro de 2022, a gestão atual “mudou o perfil da dívida” ao quitar os débitos mais urgentes e alongar os pagamentos para outros anos, a fim de ganhar respiro e buscar recursos em áreas como marketing e vendas de jogadores. Atualmente, o montante total devido segundo o último balanço, referente a 2022, é de R$ 586,6 milhões.

Com o cenário, receitas com direitos de transmissão, vendas de jogadores, bilheteria, patrocínios e premiações de campeonatos são cada vez mais importantes para o clube. Neste último tópico, quanto mais longe se vai na disputa, mais dinheiro se ganha.

E se esportivamente o time foi bem nas próprias metas em 2022, quando chegou às finais de Paulista e Sul-Americana (alvo desejado era este mesmo), semifinais da Copa do Brasil (alvo colocado eram as quartas de final) e nono lugar no Brasileiro (alvo colocado era o sexto posto), em 2023 o início já deixou a desejar: eliminação para o modesto Água Santa nas quartas do estadual, no qual a meta traçada era ir até à decisão.

Agora, é ver como o São Paulo vai seguir na temporada. Na Copa do Brasil, já atingiu a meta mínima traçada, que era chegar às quartas de final – o embate será contra o rival Palmeiras, como no ano passado; na Sul-Americana, cujo objetivo mínimo planejado é chegar outra vez à final, o time está praticamente classificado para as 8ªs de final; e no Brasileiro, cujo sexto lugar é de novo a meta mínima, o time está em oitavo após dez rodadas.

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