Na manhã desta terça-feira (03), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se juntou às autoridades que marcaram presença para o adeus a Edson Arantes do Nascimento
A cerimônia pública de velório de Pelé chegou ao fim por volta das 10h (de Brasília) após mais de 230 mil pessoas passarem pelo gramado da Vila Belmiro para se despedir do Rei do Futebol. Na manhã desta terça-feira (03), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se juntou às autoridades que marcaram presença para o adeus a Edson Arantes do Nascimento.
O presidente da República chegou ao Estádio Urbano Caldeira por volta de 9h00 (horário de Brasília) acompanhado por forte esquema de segurança, e seguiu ao portão 10, reservado às autoridades.
Passaram pelo velório de Pelé os presidentes de entidades esportivas como Gianni Infantino (Fifa), Alejandro Domínguez (Conmebol), Ednaldo Rodrigues (CBF) e Paulo Wanderley Teixeira (COB), além de chefes de estado como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (PSDB).
Veja a declaração do presidente Lula à Santos TV sobre Pelé
“Quem vai falar do Pelé agora não é o presidente da República. É um torcedor do Corinthians que foi assistir a muito jogo do Santos contra o Corinthians. E que viu o Corinthians perder muito jogo. Me parece que o Pelé tinha uma obsessão de derrotar o Corinthians, de ganhar do Corinthians. Foi um período de 15 anos muito sofridos para o corintiano. Mas tinha uma coisa muito importante no Pelé, que ele obrigava a gente a ir em qualquer lugar assista a um jogo de futebol. Porque muita vez a gente gosta do futebol, não só do time da gente. A gente gosta de alguém que dá espetáculo, de alguém que é brilhante”.
“Eu acho que o Pelé simboliza tudo aquilo que é a ascensão da espécie humana. Tudo aquilo que a gente pode perceber e querer da ascensão do ser humano, foi o Pelé. Ele foi um jogador que, muito jovem, ganhou um protagonismo extraordinário. E a coisa mais fantástica é que o Pelé nunca ficou ‘mascarado’. O Pelé nunca ficou de nariz empinado. O Pelé sempre foi um cidadão humilde, sempre conversou de igual para igual com todo mundo. Nas entrevistas você percebe que o Pelé era um cidadão comum, que não se deixava levar pelo brilhantismo dele, pelo apogeu dele, pela glória que o mundo todo dava ao Pelé”.
“Nos maiores momentos de glória dele, quando encontrava com a Rainha da Inglaterra ou quando ganhava um prêmio, o Pelé era o mesmo que quando dava uma entrevista ou encontrava com um monte de criança para conversar”.
“O Pelé é uma figura muito especial. A gente não pode ficar comparando o Pelé a ninguém porque não tem ninguém comparável ao Pelé. Em se tratando de jogador de futebol, em se tratando de ser humano e de comportamento também fino e educado que o Pelé tinha. Acho que ele foi muito para o Brasil, foi muito para a cidade de Santos, foi muito para São Paulo e foi muito para o mundo. Eu, como cristão, não acredito muito na morte. Acho que as pessoas vão passear. Se a gente acredita que tem céu, a gente tem que acreditar que o Pelé foi fazer um passeio num lugar que, teoricamente, que no imaginário da gente é melhor do que a terra onde a gente vive”.
“Eu espero que lá ele volte a jogar bola, que lá ele jogue no Corinthians e não no Santos (risos). Espero que lá tem um Corinthians e ele jogue. Mas eu acho que ele deixa saudades, porque esse negócio de ficar comparando o Pelé com outro jogador não tem comparação, não existe comparação. Foi melhor em tudo. Foi melhor em tudo, inclusive como comportamento e humildade. Por isso o Pelé deixa saudades”.
“Eu até gostaria muito que você é santista. Você que está fazendo o documentário, que fizesse na cidade de Santos, nas escolas, a meninada pudesse assistir muita coisa pelo Pelé, porque além de futebol, ele vai ensinar um pouco de caráter, ele vai ensinar um pouco de humildade, de dignidade e, quem sabe, ensinar as pessoas a serem mais humanista, as pessoas mais solidárias, mais fraterna. Porque foi tudo isso que o Pelé foi. Por isso eu acho que o mundo deve ao Pelé muita coisa, sobretudo a dignidade de um homem que nasceu pobre, negro, num país onde o preconceito é muito vivo e o Pelé nunca se importou com isso. Ele sempre soube ser Pelé o melhor e o mais humilde. Portanto, eu fico triste, lamento profundamente. Eu que tive a oportunidade de ir ao Pacaembu ver o Pelé jogar muitas vezes não vou ver daqui pra frente nunca mais o Pelé jogar. A não ser que eu fique assistindo filmes dos gols do Pelé, que são muitos. Então eu acho que todos nós devemos um pouco ao Pelé. E o Brasil teve muito”.
O adeus ao Rei
A cerimônia seguiu até às 10h desta terça-feira (03). Depois disso, o corpo do Rei do Futebol seguirá em cortejo pelas ruas de Santos, com passagem pelo Canal 6, onde mora a mãe de Pelé, dona Celeste.
Pelé será sepultado no Memorial Necrópole Ecumênica, também na cidade do litoral paulista, somente com a presença de familiares.
Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, morreu nesta quinta-feira, 29 de dezembro de 2022, às 15h27. Em comunicado, o Hospital Israelita Albert Einstein confirmou que o maior atleta de todos os tempos faleceu em decorrência da falência múltipla de órgãos.
Aos 82 anos, o Rei não resistiu a complicações de um câncer que teve origem no cólon (parte do intestino grosso) e se espalhou em metástase por fígado, um dos pulmões e restante do intestino.
