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Vinicius Jr. desabafa após condenação de torcedores na Espanha: 'Não sou vítima, sou algoz de racistas'

Vinicius Jr. se manifestou nas redes sociais nesta segunda-feira (10) após a justiça espanhola condenar três torcedores do Valencia a oito meses de prisão por conta das ofensas racistas direcionadas ao jogador.

O atacante do Real Madrid exaltou a luta contra o racismo, afirmou não se colocar como vítima, mas sim como o grande algoz dos racistas e deu forças a quem sofre do preconceito a não se calar.

Veja abaixo:

Muitos pediram para que eu ignorasse, outros tantos disseram que minha luta era em vão e que eu deveria apenas "jogar futebol".

Mas, como sempre disse, não sou vítima de racismo. Eu sou algoz de racistas. Essa primeira condenação penal da história da Espanha não é por mim. É por todos os pretos.

Que os outros racistas tenham medo, vergonha e se escondam nas sombras. Caso contrário, estarei aqui para cobrar. Obrigado a La Liga e ao Real Madrid por ajudarem nessa condenação histórica. Vem mais por aí…

Condenação é histórica na Espanha

A Justiça da Espanha condenou nesta segunda-feira (10) três torcedores do Valencia a oito meses de prisão por conta de insultos racistas a Vinicius Jr. durante partida de LALIGA contra o Real Madrid, no Mestalla.

O trio também não poderá ir a estádios de futebol por dois anos em solo espanhol.

Os torcedores foram enquadrados em artigo do Código Penal que trata sobre “crime contra a integridade moral”, com o agravante de “discriminação por motivos racistas”.

“Vale lembrar que o clube local, o Valencia FC, colaborou desde o primeiro momento na identificação dos acusados e procedeu imediatamente à sua expulsão como sócios do clube”, publicou LALIGA, relatando ainda que, antes da condenação, os torcedores leram uma carta com pedidos de desculpas a Vinicius Jr., ao Rel Madrid e à liga.

O fato aconteceu em 21 de maio de 2023, o atacante ouviu diversos torcedores do time da casa ofendendo-o, com gritos de mono (macaco, em espanhol).

Vinicius, revoltado, apontou alguns dos culpados ainda em campo. A partida foi paralisada, retomada cinco minutos depois e acabou com derrota do seu Real Madrid, além da expulsão do brasileiro – visivelmente abalado por todo o ambiente.

Veja o comunicado emitido por LALIGA sobre as condenações:

“Hoje foi proferida a primeira condenação por insultos racistas em um estádio de futebol na Espanha, na sequência de uma denúncia apresentada por LALIGA perante os tribunais.

A sentença, que julgou cantos racistas proferidos contra Vinicius Jr em 21 de maio de 2023, no Mestalla, por três indivíduos, considerou os réus culpados de crime contra a integridade moral de acordo com o artigo 173.1 do Código Penal, com circunstâncias agravantes de discriminação por motivos racistas (art. 22.4 C.P.).

A pena ascendeu a 12 meses de prisão, que foi reduzida em um terço devido ao cumprimento na fase de instrução, ficando a pena efetiva para os três arguidos em oito meses de prisão e as custas do processo. Além disso, os culpados serão proibidos de entrar nos estádios de futebol onde se realizam jogos da LALIGA e/ou RFEF por um período inicial de três anos e reduzido para dois anos pelo mesmo motivo processual.

Vale lembrar que o clube local, o Valencia CF, colaborou desde o primeiro momento na identificação dos acusados e procedeu imediatamente à sua expulsão como sócios do clube.

Esta é a primeira condenação deste tipo proferida na Espanha, na sequência da denúncia da LALIGA perante os Tribunais de Justiça, e à qual se juntaram eventualmente a RFEF, o Real Madrid e, nas últimas semanas, a própria vítima, a jogador Vinícius Jr.

Durante a audiência, o arguido leu uma carta a pedir desculpa a Vinicius Jr, à LALIGA e ao Real Madrid, reconhecendo no caso da LALIGA a sua luta contra o racismo e a sua atuação decisiva a nível jurídico e institucional desde o primeiro momento, tanto neste caso como nos outros.

“Esta sentença é uma ótima notícia para a luta contra o racismo na Espanha, pois repara os danos sofridos por Vinicius Jr. e envia uma mensagem clara para aquelas pessoas que vão a um estádio de futebol para insultar que a LALIGA irá detectá-los, denunciá-los e lá terão consequências criminais para eles”, afirmou o presidente da LALIGA, Javier Tebas.

“Entendo que possa haver alguma frustração pelo tempo que estas sentenças levam a ser proferidas, mas isso mostra que Espanha é um país garantidor a nível judicial. Neste sentido, da LALIGA só podemos respeitar os tempos de justiça e exigir mais uma vez que a legislação espanhola evolua para que a LALIGA tenha poderes sancionatórios que possam acelerar os tempos de luta contra o racismo”, acrescentou o presidente”.