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Ex-técnico revela 'falta de ambição no mercado' e detona o Tottenham: 'Não é um grande clube'

Em uma entrevista explosiva ao podcast The Overlap, o técnico australiano Ange Postecoglou abriu o jogo sobre sua passagem pelo Tottenham. E não poupou críticas.

Demitido no último verão europeu, poucas semanas após conquistar a Europa League e encerrar um jejum de 17 anos sem títulos do clube londrino, Postecoglou questionou a identidade, a ambição e o modelo de gestão dos Spurs. A entrevista aconteceu um dia depois da saída de seu sucessor, Thomas Frank.

Apesar de reconhecer a estrutura moderna do Tottenham — estádio e centro de treinamento de alto nível — Ange foi direto ao ponto:

"Eles construíram um estádio inacreditável, instalações de treino incríveis. Mas, quando você olha para o investimento, especialmente na estrutura salarial, eles não são um grande clube. Quando tentávamos contratar jogadores, simplesmente não estávamos naquele mercado."

Postecoglou revelou os nomes que tentou contratar após terminar sua primeira temporada em quinto lugar na Premier League:

"Pedro Neto, Bryan Mbeumo, Antoine Semenyo e Marc Guéhi", todos eles que na época eram atletas de times menores e hoje em dia brilham em gigantes da liga.

Segundo ele, eram jogadores prontos, consolidados na liga — o tipo de salto necessário para sair do quinto lugar e disputar o topo.

Mas o clube, sem vaga na Champions League e com limitações financeiras, optou por outro caminho: contratou Dominic Solanke — aprovado pelo treinador — além de três jovens promessas: Archie Gray, Wilson Odobert e Lucas Bergvall.

"São jovens brilhantes, serão grandes jogadores para o Tottenham. Mas eles não vão levar você do quinto para o quarto lugar."

Questionado pelo ex-zagueiro do Liverpool, Jamie Carragher, sobre falta de crença no elenco, Postecoglou tocou em um ponto sensível: o estigma de "Spursy" — termo usado por rivais para ironizar a dificuldade do Tottenham em sustentar conquistas.

"Isso era 100% um problema. Era algo que eu estava tentando quebrar."

O australiano revelou que sua famosa declaração de que venceria algo no segundo ano tinha um objetivo estratégico: "Eu fazia isso pelo clube. Ninguém internamente ousaria dizer aquilo. Tinham medo, porque já tinham chegado perto algumas vezes", disse, revelando que o maior choque veio depois do título.

"Você quebra esse ciclo vencendo algo. E o que acontece? Você rasga tudo e começa de novo. Fica a pergunta: o que vocês estão tentando alcançar?"

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