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Antes de Paquetá: cartões amarelos de propósito já renderam cinco anos de suspensão na Inglaterra

Lucas Paquetá não é o primeiro jogador a ser denunciado pela Federação Inglesa (FA) por supostamente ter recebido cartões de amarelo de propósito. Um caso similar já aconteceu em 2017, em partidas da Copa da Inglaterra, e acabou gerando uma suspensão de cinco anos pelas advertências.

O jogador em questão foi Bradley Wood, lateral-direito hoje com 32 anos. Seu gancho total foi de seis anos, depois de ter sido acusado de infringir, no total, 25 regras disciplinares da FA. A suspensão chegou ao fim em março de 2024 e, do ponto de vista legal, ele está liberado para voltar a atuar.

Duas dessas 25 infrações são especificamente cartões amarelos que teriam sido tomados de propósito, assim como Paquetá é acusado – segundo a FA, o meia brasileiro é investigado no momento por até quatro advertências que teriam sido "forçadas" para supostamente beneficiar apostadores.

No caso de Wood, os lances aconteceram em janeiro e fevereiro de 2017, em duelos do Lincoln contra o Ipswich Town e o Burnley, respectivamente, ambos jogos da Copa da Inglaterra.

No primeiro jogo, o lateral foi advertido já no final da partida, por uma falta em um rival em um lance de jogo. Já no segundo, ele recebeu o cartão por se envolver em uma confusão com jogadores do Burnley.

Na investigação e decisão pela punição da FA, os contextos dos amarelos foram considerados. Inclusive, "beneficiaram" Wood, já que as jogadas acabaram vistas como "normais", qualquer outro atleta poderia acabar recebendo um cartão naquelas mesmas circunstâncias, de propósito ou não.

Assim como Paquetá, que nega ter cometido qualquer infração às regras da FA tomando cartões de propósito, Wood seguiu o mesmo caminho em sua defesa. A investigação, contudo, foi além e obteve fortes indícios de que, sim, o lateral teve envolvimento com apostadores nas duas situações.

Uma das frentes do trabalho da FA foi envolver as casas de apostas e verificar se houve volume considerado anormal de dinheiro depositado para que Wood fosse advertido. Em ambos casos, houve.

Também com o auxílio das casas de apostas, foi possível chegar a apostadores que se beneficiaram dos cartões recebidos por Wood. Dois deles eram próximos do atleta, e a investigação notou também alto volume de mensagens trocadas entre elas antes de as partidas em questão.

"No dia 17 de janeiro de 2017, o senhor Wood enviou 42 mensagens de texto para Scott Worrad (um dos apostadores) antes do jogo. Isso representou quase 20% de todo o contato que eles tiveram no período investigado", diz a investigação da FA, em referência a Lincoln x Ipswich Town.

"No dia 18 de fevereiro de 2017, o sr. Wood mandou mensagem para seu cunhado, Sidney Dick, um total de 52 vezes entre 6:05AM e 10:26AM. O jogo aconteceu 12:30PM. O sr. Dick é amigo de William Sinclair, que fez sua aposta no cartão do sr. Wood ao meio-dia", continua, sobre o duelo com o Burnley.

Ao final da investigação, a FA entendeu que os cartões em si não afetaram os resultados finais dos jogos, o que também foi um fator importante para que Wood não fosse banido do futebol, por exemplo.

"Concluímos que um banimento pela vida seria uma punição desproporcional. Nós não queremos tirar do sr. Wood a possibilidade de retomar sua carreira no futebol. Nós consideramos que, com todas circunstâncias das duas acusações, essa punição seria desproporcional. Nós consideramos que um período apropriado de suspensão é de cinco anos em cada acusação, que seriam concorrentes uma com a outra, totalizando um total de cinco anos de suspensão", decidiu a FA.

As outras acusações que geraram mais um ano de suspensão a Wood não guardam semelhança, a princípio, com o caso de Paquetá, já que incluiriam o próprio jogador apostando – em nome de seu pai – dinheiro em jogos do futebol inglês, o que também é vetado pela legislação.

Wood acabou suspenso de 9 de março de 2018 e 8 de março de 2024. Seu último clube foi o Alfreton, da sexta divisão da Inglaterra, com quem ele acertou após deixar o Lincoln, hoje na terceira divisão. Desde o fim da suspensão, há pouco mais de dois meses, ele não acertou com nenhuma equipe.

Paquetá recebeu da FA o prazo de 3 de junho para apresentar resposta às acusações de ter recebido quatro cartões amarelo de propósito, em jogos do West Ham na Premier League entre novembro de 2022 e agosto de 2023, contra Leicester City (novembro/22), Aston Villa (março/23), Leeds United (maio/23) e Bournemouth (agosto/23).

O meia usou as redes sociais, após o comunicado da FA, para se defender. "Estou extremamente surpreso e chateado com o fato da FA ter decidido me acusar. Cooperei com todas as etapas da investigação e forneci todas as informações que pude durante estes nove meses. Nego as acusações na íntegra e lutarei com todas as minhas forças para limpar meu nome. Devido ao processo em andamento, não fornecerei mais comentários", escreveu.